Cidades inteligentes pedem redes inteligentes

Conceito de digitalização da infraestrutura de serviços públicos otimizada para a convergência é a tendência apontada durante debate sobre o tema

São Paulo - Redes de ultrabanda larga e colaboração entre usuários e a iniciativa pública e privada podem ser o caminho para as Cidades Inteligentes, segundo o debate sobre o tema nesta quarta-feira, 10, durante a Futurecom 2012, no Rio de Janeiro. A convergência desses elementos é o caminho para otimizar os serviços e integrar informações, na visão de representantes do governo e do setor de <strong><a href="http://exame.abril.com.br/topicos/telecomunica%C3%A7%C3%B5es" target="_blank">telecomunicações</a></strong>.</p>

Um dos grandes desafios para as cidades inteligentes é a sustentabilidade do projeto. “A experiência ainda é muito insustentável em termos de infraestrutura e é preciso pensar em conectividade, o que exige arranjo público-privado”, afirmou Franklin Dias Coelho, secretário de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro.

A cidade é um dos exemplos citados pelos palestrantes por conta do Centro de Operações, que integra inteligência e banco de dados de diversos serviços metropolitanos, como transporte, tráfego e prevenção a desastres, permitindo resposta imediata a situações. “A inteligência de sistemas, com o centro trabalhando no sistema de operação de leis integrados que permite a gestão urbana com maior agilidade, permitiu criar o Rio Data Miner, que é a primeira base de dados abertos pública volta para TI”, explica Coelho.

Para Jorge Bittar, secretário de Habitação do estado do Rio de Janeiro, a capital fluminense deu um passo importante com a criação do centro em 2010, principalmente em vista da necessidade de organização para os grandes eventos esportivos de 2014 e 2016. Com a tendência global de um crescimento ainda maior da concentração populacional nas grandes cidades, o que vai levar a maiores demandas.


“As redes de banda larga e ultralarga, combinadas com aplicações adequadas, permitirão que finalmente possamos controlar os insumos nas cidades de tal forma para que possamos caminhar para o uso racional, com diminuição de poluição e de uso de recursos hídricos”, afirmou, citando que essas redes não podem virar realidade sem incentivos públicos. Bittar citou também a Praça do Conhecimento, uma iniciativa de inclusão social e digital que foca em capacitação tecnológica para qualificação profissional.

Amos Maidantchik, da Cisco, diz que “o principal cliente da cidade inteligente somos nós” e que ela “nada mais é do que uma cidade com profundo uso de tecnologia para melhorar serviços, em especial educação, saúde, segurança, transportes e governo eletrônico”. Para ele, o perfil do centro e da tecnologia aplicada no Rio de Janeiro é análoga ao que aconteceu em Barcelona, que se transformou para ter uma rede robusta de inteligência que conecta tribunais, hospitais e todo tipo de serviço público.

Luiz Tonisi, da Alcatel-Lucent, diz que redes inteligentes são, de fato, fundamentais. “Não adianta instalar uma rede hoje que não possa ser atualizada depois com a instalação de 4G, novas plataformas e serviços que estarão nas novas redes”, explica. A empresa forneceu soluções para a iniciativa Argentina Conectada, que está ligando o país com fibra em todas as cidades com um backbone de 100 Mbps.

Massato Takakwa, da Nec, advoga pela participação da população em redes sociais para adicionar informações úteis. “Eu enfrento a rodovia Raposo Tavares todas as manhãs e costumo postar [na Internet] que está tudo parado no trânsito, que fiz 25 km em 1h25”, diz.

Para ele a iniciativa privada também é fundamental para que as cidades inteligentes aconteçam, com a instalação de sensores em veículos de uso constante (como táxi e ônibus) para mandarem dados sobre o trânsito e atualizar as informações em tempo real.