Brasileiros são maioria em evento no Vale do Silício

Segundo a organização do TechCrunch Disrupt, o pavilhão brasileiro é o maior, com cerca de 40 empresas participantes

São Francisco – O TechCrunch Disrupt, evento que reúne empreendedores de todo o mundo e ocorreu em São Francisco, coração do Vale do Silício, terminou ontem e, além dos grandes palestrantes e startups que estiveram por lá, chamou a atenção o burburinho em português que corre continuamente no evento.

E não é para menos: segundo a organização do Disrupt, o pavilhão brasileiro é o maior, com cerca de 40 empresas participantes. Há, ainda, muitos outros brasileiros trabalhando em empresas americanas.

As histórias que trouxeram os brasileiros ao Vale são as mais variadas.

O curitibano Alexandre Kleis, fundador da Agenda Fácil, empresa que visa facilitar o agendamento de atendimentos em salões de beleza, largou a faculdade de engenharia industrial e elétrica no último ano para se dedicar à empresa, e veio ao Disrupt a procura de novas oportunidades para a startup.

Kleis comenta que “aqui, qualquer um para e te escuta”, referindo-se a investidores de sucesso, mentores e outros empreendedores, e completa que está no evento para “plantar a semente e colher, quem sabe, um investidor, um parceiro, no futuro”.

Já Yuri Gomes, estudante de ciência da computação em Campina Grande, na Paraíba, veio participar de um intercâmbio acadêmico e acabou se envolvendo com a Code2040, empresa que facilita o acesso de estudantes a programas de estágio remunerado.

Gomes volta ao Brasil no fim do ano, mas pretende criar a própria empresa e já sonha com a internacionalização. Anima-se ao declarar que “não falta qualidade para as empresas brasileiras, elas estão no mesmo patamar das empresas americanas”.

Essa mesma opinião é compartilhada pelo paulistano Henrique Setton, que participou voluntariamente a organização do Disrupt e é fundador da SiliconHouse, empresa que tem como missão orientar e acelerar outras startups. O paulista deu um passo maior e se mudou de vez para os EUA há cerca de um ano, e cita a qualidade de vida no país e a infraestrutura disponível para as startups como fatores decisivos para a mudança.


Apesar de histórias bem diferentes, há muitas opiniões em comum entre os empreendedores. Todos eles são categóricos ao afirmar que a rede de contatos é muito mais fraca no Brasil que no Vale do Silício, e que a cultura brasileira não é tão voltada à agilidade e à ação.

Setton também menciona que é mais difícil encontrar investidores no Brasil, e que estes são menos inovadores, preferindo apostar em modelos de negócio já validados em outras empresas.

Outra crítica recorrente diz respeito à falta de apoio do governo brasileiro. Governos como o de Israel, Argentina e Chile apoiam ativamente a operacionalização de startups e, inclusive, facilitaram a participação destas no evento. Por outro lado, o Brasil não oferece tal suporte o que, somado à burocracia e a complexidade tributária, acaba por dificultar o desenvolvimento das iniciativas empreendedoras.