Banda larga na América Latina é 50 vezes mais cara do que na OCDE

Segundo o levantamento, diferença de poder aquisitivo é a principal causa das diferenças nos preços; velocidade da internet na região aumentou 53%

Santiago – A banda larga na América Latina e no Caribe é 50 vezes mais cara do que nos países desenvolvidos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Como média na região, em março o valor do serviço de banda larga fixa, em paridade de poder aquisitivo, foi de US$ 72,80 o megabyte por segundo (mbps), frente aos US$ 5,90 cobrados nos países da OCDE, composta por 34 Estados.

“As comparações que realizamos têm dois componentes, o preço do serviço e o poder aquisitivo do país. A variável do poder aquisitivo é bastante importante na comparação, por isso as diferenças são grandes”, explicou nesta sexta-feira à Agência Efe o diretor do Observatório Regional de Banda Larga (Orba), Fernando Rojas.

Assim, em um extremo da lista fica a Bolívia, onde a tarifa foi de US$ 300 por mbps, e no outro Panamá, onde se cobra US$ 17,7 por mbps.

Quanto à velocidade do serviço, durante o último ano foi registrado na América do Sul um aumento de 53%. O Chile se sobressaiu com uma velocidade 39% maior do que no mesmo mês de 2010, enquanto a menor velocidade foi registrada na Bolívia.

No entanto, a porcentagem de assinantes de banda larga móvel com relação ao total da população da América Latina e o Caribe passou de 0,2% em 2005 para 4,7% em 2009, enquanto nos países da OCDE a proporção se elevou de 5% para 49% no mesmo período.

“Em termos gerais, houve melhora na região se olharmos somente os dados absolutos. Houve crescimento na penetração, melhora na velocidade (…), mas os países mais desenvolvidos estão avançando mais rápido, por isso que a brecha na banda larga continua aumentando”, advertiu Rojas.

Todos os números procedem do Orba, inaugurado nesta quinta-feira em Santiago.

“O Observatório será uma importante fonte de informação para a criação e o acompanhamento de políticas públicas orientadas à universalização da banda larga”, declarou a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena.

Segundo ela, a banda larga “pode se transformar em um eixo básico da integração regional”, especialmente no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que reúne 12 países.

Entre os objetivos do observatório estão propiciar o intercâmbio das políticas públicas que cada país aplica para promover o serviço de banda larga e fornecer aos governos informação “relevante e oportuna” que propicie a universalização da banda larga na região, destacou Rojas.