Você pode ter uma nota de R$ 2 feita na Suécia. Saiba identificar

Os colecionadores de dinheiro estão à caça das notas de R$ 2 fabricadas na Suécia. Talvez uma delas esteja com você

São Paulo – Sabia que o dinheiro do Brasil nem sempre é brasileiro? Notas de dois reais fabricadas na Suécia estão circulando no país – e os colecionadores já estão à sua caça. Basta observar alguns detalhes para descobrir se você tem em mãos uma cédula gringa.

Para identificar se uma nota é sueca, repare nas letras antes do número de identificação da nota, em cima ou embaixo do desenho da tartaruga. Se estiver escrito “DZ”, ela foi fabricada na Suécia, segundo o Banco Central.  

(Bruno Pelizzari/Divulgação)

A letra “D” indica que a nota foi impressa em 2016, como explica o especialista em numismática Bruno Pelizzari, assessor do presidente da Sociedade Numismática Brasileira. Notas fabricadas no Brasil no ano passado também são identificadas pela mesma letra.

A segunda letra normalmente indica o mês de fabricação. A letra “A”, por exemplo, sugere que a nota foi produzida em janeiro, e assim por diante. No entanto, a letra “Z” é o diferencial que aponta que a nota foi produzida na Suécia.  

Outra evidência está no canto inferior direito da cédula sueca. Em letras bem pequenas, está escrito “Crane AB”,  nome da companhia da Suécia que emitiu as notas.

(Bruno Pelizzari/Divulgação)

Já são 100 milhões de cédulas de 2 reais suecas que circulam no Brasil. No entanto, ainda é raro encontrar uma nota. “Todos os colecionadores estão em busca dela”, conta Pelizzari, que já tem a sua.

A fabricação de notas de real na Suécia foi liberada a partir de uma medida provisória de setembro do ano passado, que autorizou o Banco Central a adquirir papel moeda e moeda metálica fabricados no exterior em situações emergenciais. A medida pode abrir caminho para que notas fabricadas no exterior se tornem mais comuns no Brasil daqui para frente.

Mas por que fabricar moeda brasileira lá fora? “Esse assunto ainda é uma incógnita, ninguém tem muita certeza”, diz Pelizzari. No entanto, o colecionador acredita que um equipamento quebrado e um esquema de corrupção levaram a Casa da Moeda do Brasil a não conseguir suprir a demanda por dinheiro no país.

Essa não é a primeira vez que isso acontece, como lembra o Banco Central. Quando a moeda real foi lançada, em 1994, o Brasil também comprou cédulas de fornecedores externos. Além disso, até a década de 1960, todas as cédulas brasileiras eram impressas no exterior.