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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Se a corretora falir, perco o que investi no Tesouro Direto?

Leitor quer investir no Tesouro Direto, mas tem medo da corretora fechar ou falir. O que acontece com o seu dinheiro?

Pergunta do leitor: Tenho interesse em investir no Tesouro Direto para garantir uma aposentadoria tranquila, mas tenho receio, pois preciso abrir conta em uma corretora. Se a empresa fechar ou falir, como fica meu investimento? Também tenho dúvida se é válido investir um valor mensalmente até os 65 anos ou se seria mais interessante investir um montante maior de uma vez só.

Resposta de Fabiano Pessanha*: 

Você deve abrir uma conta em uma corretora autorizada para investir em títulos públicos custodiados na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Esse título ficará vinculado ao seu CPF e a sua corretora é responsável apenas por intermediar a operação. Isso garante que você acesse o seu investimento mesmo em um caso extremo de falência.

Nessa situação, basta solicitar a guarda de seus investimentos para outra instituição financeira de sua preferência. É possível acessar o extrato online de seus investimentos através do Canal Eletrônico do Investidor (CEI), da BM&F Bovespa.

As taxas para investir no Tesouro Direto, cobradas pelas corretoras, são um bom indicador a ser analisado ao escolher a instituição financeira. Busque corretoras que isentam os clientes dessas taxas e você conseguirá atingir uma economia significativa ao longo dos anos. Você também deve procurar por depoimentos e relatos de outros investidores que são clientes dessa instituição.

Outras informações valiosas, muitas vezes desprezadas, são os dados financeiros divulgados pelos bancos e corretoras ao mercado, que permitem verificar a saúde financeira da instituição. Esses dados são públicos e podem ser encontrados no site de cada uma. Busque informações como o balanço financeiro dos últimos anos. Instituições sólidas terão dados de crescimento consistente, tais como o crescimento de receitas e o lucro anual.

Nos últimos anos, muitos investidores foram surpreendidos com casos de instituições financeiras brasileiras envolvidas em liquidação extrajudicial. As mais recentes foram a Corretora TOV, o Banco Azteca e a Corretora Corval. A última, em especial, ficou marcada por explorar a falta de conhecimento do investidor, ao realizar aplicações que vão além da tradicional e pouco rentável caderneta de poupança.

Infelizmente, para a maioria dos investidores, a busca por conhecimento financeiro ainda não faz parte da rotina, o que coloca em risco o investimento.Por isso, os órgãos reguladores aprovaram a figura do planejador financeiro, o representante do cliente responsável por aconselhá-lo de forma isenta.

Nessa situação, por exemplo, o planejador financeiro pode indicar a melhor instituição para investir no Tesouro Direto. Caso você ainda não tenha um planejador, pode realizar esse processo sozinho. Porém, por demandar tempo e uma certa experiência no mercado financeiro, a maioria dos investidores prefere buscar um planejador financeiro para realizar esse processo, muitas vezes sem custo na análise preliminar.

Juntos, você e seu planejador financeiro poderão analisar se você deve realizar investimentos regulares ou pontuais, em busca de sua aposentadoria financeira aos 65 anos de idade. Somente uma análise criteriosa e holística de sua vida financeira serão capazes de responder o que é melhor para você.

*Fabiano Pessanha é consultor financeiro na BankRio Financial Group e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Também é responsável pela Deduzir.me, startup que ajuda empresas e pessoas a aumentar a dedução fiscal do seu Imposto de Renda.