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Renda fixa | 22/06/2012 16:30

Investimento atrelado a juros não está tão ruim quanto parece

Ciclo de queda na Selic pode estar no fim, por causa da pressão inflacionária; papéis pós-fixados voltam a ser atrativos

 

Se houver uma nova alta de juros no médio prazo, os títulos com remuneração prefixada – que já não pagam prêmios tão altos – vão perder valor, prejudicando quem decidir vendê-los antes do vencimento. Por isso, a Lecca recomenda que o investidor se concentre mais em títulos pós-fixados, ao menos no curto e médio prazo, reduzindo a exposição da carteira aos demais títulos. “Para os prefixados e atrelados à inflação continuarem valendo a pena os juros teriam que cair ainda mais. Mas o risco está maior, e o retorno já não está tão bom”, diz Georges Catalão. Ainda há espaço para uma breve queda de juros até o fim do ano, diz o gestor da Lecca, que espera uma alta de juros para meados de 2013. Mas quem já estiver satisfeito com os ganhos obtidos já pode pensar em vender.

“O grande risco da nossa estratégia seria a crise externa se agravar muito, com quebradeira de bancos e seca no comércio internacional. Assim, a inflação voltaria para a meta e não seria necessário elevar os juros. O segundo risco seria se, no ano que vem, o BC resolver ser leniente com a inflação e não subir o juros”, explica Catalão.

Longo prazo ainda pede títulos ligados à inflação

Para quem investe em renda fixa com vistas ao longo prazo, porém, a estratégia de aplicar em papéis atrelados à inflação continua vencedora. “Em horizontes mais longos, muita coisa pode acontecer. Faz sentido manter alguma exposição em NTN-B, por exemplo, para proteger o poder de compra se o objetivo for investir para um prazo de uns cinco anos”, diz Catalão.

Na opinião de Bruno Carvalho, especialista em renda fixa da XP Investimentos, os títulos atrelados à inflação continuam vantajosos não só no longo prazo, como também no médio prazo. A corretora ainda não recomenda aos clientes se posicionar em pós-fixados, pois acredita ser cedo ainda para estimar até quando caem os juros.

Para a XP ainda é possível obter ganhos com esses títulos, pois os efeitos da queda de juros em forma de alta na inflação ainda levarão de nove meses a um ano para aparecerem. “A partir da próxima reunião do Copom pode ser que seja possível definir melhor o cenário, mas achamos que os juros ainda podem cair um pouco mais”, diz Carvalho.

Mas, independentemente do que acontecer na economia, o especialista recomenda os papéis atrelados à inflação pela qualidade do ativo em si, que permite ao investidor manter seu poder de compra em qualquer cenário. “Neste momento, é melhor garantir o ganho real e não ter perda de patrimônio, principalmente no longo prazo”, diz Carvalho.

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