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Renda fixa | 03/02/2011 06:03

Para especialistas, é hora de lucrar com CDB

Com a alta de juros e dos compulsórios e a venda do PanAmericano, os CDBs viraram uma excelente opção em renda fixa

João Sandrini, de

Divulgação

Panamericano

Panamericano: a crise que quase levou o banco à lona aumentou a rentabilidade do CDB

São Paulo - Com a alta dos juros e as dificuldades do banco PanAmericano, os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) se transformaram na melhor aplicação financeira em janeiro (veja a tabela abaixo). As taxas estão tão atraentes neste momento que não é difícil obter uma rentabilidade de 1% ao mês, principalmente com depósitos em instituições financeiras pequenas e médias. Essa remuneração tende a crescer ainda mais nos próximos meses porque o Banco Central acaba de iniciar um novo ciclo de aumento da básica de juros (Selic). A maioria dos CDBs ganha com isso porque são indexados ao CDI. Outra vantagem é que, caso o investidor tenha até 70.000 reais ou então faça um planejamento adequado, poderá investir em CDBs com um risco baixíssimo.

Ativo ou índice Rentabilidade em janeiro (%)
CDB 0,93
Fundos DI 0,82
IGP-M 0,79
IPCA 0,74
Poupança 0,57
IBrX 50 -3,64
Ibovespa -3,94
Ouro BM&F -9,39

Para os pequenos investidores, a melhor forma de obter uma boa rentabilidade é fugir dos CDBs vendidos por grandes bancos. Dificilmente um investidor com pouco dinheiro vai conseguir uma remuneração maior do que 90% do CDI. Caso procure no mercado um CDB de banco médio, entretanto, não haverá dificuldades para encontrar taxas entre 100% e 115% do CDI – dependendo da instituição, do volume aplicado, do prazo de resgate e da necessidade de liquidez. A tabela abaixo mostra a remuneração oferecida para clientes do banco Sofisa para CDBs. As taxas não fogem muito do que pagam outras instituições financeiras de pequeno e médio porte:

 

CDB do banco Sofisa Rentabilidade (para aplicações de R$ 50.000)
Liquidez diária após 30 dias, com prazo de investimento de 540 dias 102% do CDI
Prazo de 90 dias sem liquidez diária 104% do CDI
Prazo de 180 dias sem liquidez diária 106% do CDI
Prazo de 1 ano sem liquidez diária 108% do CDI
Prazo de 1 ano e meio sem liquidez diária 110% do CDI
Prazo de 2 anos sem liquidez diária 112% do CDI

O CDI é a principal referência do mercado para investimentos em renda fixa pós-fixados. Em geral, essa taxa não costuma se distanciar muito da Selic - nesta segunda-feira, por exemplo, os valores eram de 11,14% e 11,25%, respectivamente. "Empréstimos indexados ao CDI são sempre interessantes em ciclos de alta da taxa básica de juros da economia como o atual", diz Manuel Lamas, sócio da XP Investimentos. O CDB de dois anos do banco Sofisa, por exemplo, oferece um rendimento bruto de cerca de 12,5% ao ano - com tendência de crescimento à medida que a Selic continue a subir. Para CDBs, não há cobrança de taxas de administração como em aplicações como fundos DI ou de renda fixa. Do lucro, só será deduzido o Imposto de Renda no momento do resgate. A alíquota varia de acordo com o prazo de aplicação (veja tabela abaixo)

 

Prazo de investimento Alíquota do IR (em %)
Até 180 dias 22,5
Até 181 a 360 dias 20
De 361 a 720 dias 17,5
Acima de 720 dias 15

Efeito-PanAmericano

Não é apenas o aumento da Selic que tornou os CDBs tão atrativos neste momento. A decisão do BC de elevar os depósitos compulsórios recolhidos pelos bancos em dezembro também favoreceu esse investimento. Com menos dinheiro na praça, é natural que as taxas subam, principalmente para os bancos pequenos e médios, que dependem mais do dinheiro captado no mercado. O aumento da emissão de letras financeiras pelos bancos grandes é outro fator que contribuiu para enxugar a liquidez. Esses papéis são emitidos por bancos, se assemelham às debêntures e, como foram regulamentados recentemente, somente agora começam a atrair a atenção dos investidores.

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