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São Paulo - A corretora carioca XP Investimentos lançou, neste ano, o primeiro home broker de renda fixa do país. Além disso, analistas da área emitem relatórios periódicos com recomendações de títulos de dívida, nos moldes das análises de ações. O modelo se diferencia da forma como o restante do mercado trabalha, e pode ser considerado uma prévia do que está por vir nos próximos anos: uma maior presença do investidor pessoa física no mercado de crédito privado.
Pelo menos é isso que esperam o governo e as entidades que apoiam a criação do Novo Mercado de Renda Fixa, lançado na semana passada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o BNDES. Pulverização, maior liquidez, transparência e regras mais claras podem atrair o pequeno investidor a esse mercado atualmente dominado por investidores como bancos e fundos.
De 2009 para cá, uma série de emissões de títulos de renda fixa a valores unitários mais acessíveis começou a conquistar o investidor pessoa física. Sua participação nesse mercado, contudo, ainda é bastante tímida, não chegando nem a 1%. Falta de liquidez e de padronização para as emissões e negociações acabam restringindo um pouco a participação do varejo.
Como funciona o Home Broker
Foi nesse cenário de mudança lenta, mas esperada, que surgiu o home broker de renda fixa da XP. O objetivo foi reunir, numa mesma plataforma, diversos papéis da dívida privada negociados atualmente de forma dispersa. Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e os títulos lastreados em crédito imobiliário, por exemplo, geralmente requerem que o investidor tenha uma conta na instituição que os negocia.
O caso das debêntures então é emblemático. Mesmo com a emissão de séries de valores unitários de até 1.000 reais, sua negociação só costuma se dar via mesa de operações, sendo que algumas instituições restringem o serviço a clientes de private banking.
A intenção da XP, por outro lado, foi permitir que seus clientes pudessem aplicar em alguns desses títulos de renda fixa usando uma mesma plataforma online, assim como fazem com ações e opções. Além de distribuir títulos públicos pelo Tesouro Direto, como já acontece com os home brokers da maioria das corretoras, o sistema da XP também dá acesso a debêntures e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
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