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Fundos | 13/06/2012 07:02

Como investir em empresas sem precisar ir para a Bolsa

Fundos de crédito privado são alternativa em época de juros baixos e Bolsa difícil - mas será que valem mesmo a pena?

Andrevruas/Wikimedia Commons

Agência do Bradesco

Papéis de grandes bancos como o Bradesco estão na carteira de fundos mais conservadores

São Paulo – A Bolsa não é o único canal para quem quer investir em empresas. Quem for mais avesso ao mercado acionário – que por ora passa por momentos difíceis – mas principalmente quem quiser manter uma boa rentabilidade em época de juro baixo provavelmente terá que se voltar para a renda fixa privada: papéis de dívidas de empresas, que podem ser acessados diretamente ou mais facilmente por meio de fundos específicos para este fim.

“O crédito privado é o caminho natural para qualquer investidor que queira mais rentabilidade. Se os juros brasileiros se mantiverem baixos, os investidores terão que acessar mais risco”, diz o professor William Eid Jr., coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV-SP. “Até fundos conservadores, como os fundos DI, já investem em renda fixa privada. Normalmente são debêntures e CDBs, numa proporção de até 20% do patrimônio do fundo. Já faz tempo que se fala na necessidade de ter outros ativos em carteira, uma vez que o crescimento da dívida pública é limitado”, completa o professor.

Mas se até os fundos mais conservadores investem em papéis de dívidas de empresas, existem fundos que aplicam primordialmente nesse tipo de ativo e que já são abertos para investidores pessoas físicas em geral. Esses fundos, classificados como Renda Fixa Crédito Livre, podem manter mais de 20% de seu portfólio em papéis de crédito privado, inclusive de médio e alto risco, podendo ser usados, em alguns casos, operações com derivativos e alavancagem (endividamento para multiplicar os ganhos, mas que também pode aumentar as perdas).

Esses fundos aplicam, portanto, em papéis como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), Recibos de Depósitos Bancários (RDBs), Letras Financeiras (LFs) e Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGEs), que são títulos de dívidas de bancos; e principalmente em debêntures, títulos de dívida de empresas. Alguns investem ainda em cotas de Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs), que aplicam em recebíveis como notas promissórias, duplicatas, cheques e carteiras de financiamentos de toda sorte – de projetos de infraestrutura a crédito consignado e de veículos para pessoas físicas.

Risco é mais alto - mas nem tanto

Devido a essa gama de ativos com graus de risco diferentes, o nível de risco de um fundo de crédito privado pode variar, podendo o investimento ser mais ou menos conservador. “Uma empresa de primeira linha emite debêntures com uma rentabilidade máxima na faixa de 115%, 120% do CDI. Se um fundo render mais do que isso, já é bem arriscado. Pelo histórico de aplicações do fundo já dá para ter uma ideia se o risco é mais alto ou mais baixo”, diz o especialista em fundos Bolivar Godinho, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Há quem acredite que o risco de calote presente nos títulos e fundos de crédito privado seja, em tese, maior que o risco de volatilidade da renda variável. Isso porque, na renda variável, você pode perder apenas uma parte do capital, enquanto que na renda fixa, se a empresa não pagar a dívida, o investidor ficará a ver navios. A menos, é claro, que o papel seja garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que estabelece limites financeiros para suas garantias.

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