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Mitos e impressões erradas podem fazer o investidor correr riscos que ele não desejaria
São Paulo – Dinheiro poupado corre risco por natureza. Embaixo do colchão, ele perde para a inflação; aplicado em renda fixa, está sujeito à saúde financeira de governos e empresas; e aplicado em ações, flutua ao sabor das cotações. Ninguém sozinho é capaz de conter as crises econômicas, desastres naturais e conflitos políticos que abalam os mercados, mas isso não é desculpa para adicionar riscos desnecessários à própria carteira de investimentos. A tomada de risco deve ser consciente, mas algumas impressões erradas podem levar o investidor a sérios enganos, como as quatro armadilhas a seguir:
1. Renda fixa é um investimento seguro
A renda fixa não é isenta de risco – é a natureza do risco que é diferente. Em vez do risco de volatilidade das bolsas, os riscos aqui são a inadimplência e a falta de liquidez. Títulos públicos de fato são bastante seguros e líquidos e, no Brasil, ainda pagam juros formidáveis a seus detentores. Governos podem emitir dinheiro para pagar suas obrigações, o que os torna excelentes credores.
Mas com a renda fixa privada, a coisa muda de figura. Um bom exemplo de mito é a caderneta de poupança. “As pessoas acham que o risco da caderneta é o governo, mas isso é um erro”, afirma categoricamente o especialista em Renda Fixa da XP Corretora, Bruno Carvalho. O risco da caderneta está no banco que pode, na pior das hipóteses, não ser capaz de remunerar o poupador.
Entre os títulos de crédito privado hoje disponíveis para a pessoa física, o nível de risco e as garantias variam, assim como a rentabilidade. Entre os acessíveis e líquidos CDBs, os mais rentáveis, que pagam mais de 100% do CDI, são também os mais arriscados, emitidos por bancos pequenos e médios, financeiramente mais sensíveis. Os CDBs de baixo risco são aqueles emitidos por bancos grandes e de sólida saúde financeira – a rentabilidade, no entanto, não chega nem a 100% do CDI.
Menos conhecidas, as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) podem ser consideradas ainda mais seguras que os CDBs de bancos grandes. Quem investe num título desse torna-se credor de um banco em um financiamento habitacional, e seus rendimentos com a aplicação são isentos de IR. “O coeficiente de risco-retorno de uma LCI é muito bom, pois elas pagam um prêmio maior que o CDB, o risco também é o banco, mas ainda existe a garantia do imóvel no qual o título é lastreado”, explica Carvalho. A liquidez, porém, é muito baixa.
Já os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), também voltadas para o financiamento imobiliário, são bem mais arriscados. Além da baixa liquidez, o risco de inadimplência é mais alto, pois o investidor não se torna credor da instituição financeira, mas de quem financiou o imóvel, indiretamente, via securitizadora. Se os devedores finais forem pessoas físicas, o risco é bem maior do que se for uma empresa de grande porte, por exemplo. A única garantia é o imóvel. A rentabilidade dessa aplicação, portanto, é alta, inclusive com isenção de IR.
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Arthur Vieira de Moraes
Excelente artigo, Parabéns Julia Wiltgen!
26.08.2011 |