Remessas para o exterior podem ser mais baratas online

Novas startups prometem tarifas menores e taxas de câmbio mais atrativas do que os bancos para quem precisa enviar dinheiro para fora do Brasil

São Paulo – Quem precisa enviar dinheiro para alguém que está longe do Brasil pode se assustar com as tarifas cobradas pelos grandes bancos. Pensando nisso, algumas startups prometem oferecer o serviço de remessas de dinheiro para o exterior online, a preços mais baixos e com maior agilidade.

A última a entrar nesse mercado, em julho, foi a correspondente cambial BeeCâmbio, que lançou o site Remessa Online. A startup se propõe a oferecer transparência nas tarifas cobradas e a executar a transação 100% online, em até dois dias. Por enquanto, oferece remessas apenas entre pessoas físicas.

Para realizar a remessa, a empresa cobra 20 dólares de taxa do Swift, sistema utilizado pelos bancos para realizar transferências internacionais. Normalmente, essa taxa está embutida em um valor maior cobrado pelos bancos para realizar a operação.

No Banco do Brasil, por exemplo, a transação custa entre 100 reais e 450 reais, conforme o valor enviado. Na Caixa, custa entre 30 dólares e 100 dólares. No Santander, o valor mínimo é de 90 reais, mas depende do relacionamento do cliente com o banco.

Já no Itaú, a tarifa para remessas internacionais é de 100 reais. Alguns bancos cobram, ainda, uma tarifa que será repassada à instituição financeira que realizará o pagamento no outro país, que pode chegar a 100 dólares.

Além do valor cobrado para realizar a transação, o que pode tornar o preço das startups mais barato é a taxa de câmbio. Os bancos possuem uma margem de lucro sobre a operação, chamada de spread, que pode se aproximar de 5%.

Na BeeCâmbio, a taxa de spread é de 1,6%. “É a taxa comercial de verdade, o que torna o nosso preço mais competitivo”, explica o CEO e co-fundador da BeeCâmbio, Fernando Pavani.

A transação pelo site é isenta de Imposto de Renda e é limitada a até 3 mil dólares. Como nas operações dos bancos, há cobrança de 0,38% sobre o valor enviado de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Site quer ser o Uber das remessas para o exterior

Outra startup que chegou ao Brasil neste ano e promete oferecer tarifas mais baratas que os bancos para realizar remessas internacionais é a Transferwise.

Criada em 2011 pelo fundador do Skype no Reino Unido, a empresa desenvolveu um sistema que casa a necessidade de dólares de um brasileiro com a de reais de um inglês, por exemplo. Já foi apelidada como o “Uber cambial”, por conectar pessoas e suas necessidades.

Assim, o dinheiro não sai do país, e  o site não cobra a taxa de Swift para transferências internacionais, nem tarifas para serem repassadas ao banco do exterior. A quantia é depositada por boleto bancário.

A Transferwise cobra 10 reais para remessas de até 400 reais e 2,5% sobre o valor enviado acima disso. O site promete operar com a “taxa de câmbio real”, uma taxa média entra o preço de venda e o de compra da moeda no mercado.

A transação pelo site é isenta de Imposto de Renda e é limitada a até 3 mil dólares. A alíquota de 0,38% IOF está embutida no preço e não é cobrada à parte.

O tempo médio para receber o valor enviado é de quatro dias, mas pode demorar mais, quando o fluxo de interesse por moedas de um país é maior em um sentido do que no outro.

Como escolher a melhor forma de fazer remessas?

Em primeiro lugar, é essencial escolher uma instituição financeira habilitada para operar no mercado de câmbio pelo Banco Central para fazer remessas internacionais. O segundo passo é comparar as tarifas cobradas para realizar a operação e as taxas de câmbio entre as instituições.

Serviços de remessas internacionais online fora dos bancos podem ser seguros para valores de até 5 mil dólares e oferecer, de fato, taxas mais baixas, na avaliação de Leonardo Freitas, sócio-fundador da consultoria internacional Hayman-Woodward, especializada em imigração e emigração de pessoas e empresas. 

No entanto, não deixe de pesquisar as taxas em outras instituições. “É melhor procurar bancos menores especializados em câmbio, que conseguem dar uma orientação melhor aos consumidores e oferecem tarifas e taxas de câmbio mais atrativas. Sugiro os bancos Topázio, Daycoval, Rendimento e HSBC ”, aconselha Freitas.

Os bancos tradicionais podem cobrar mais caro e demorar mais tempo para realizar remessas internacionais porque realizam uma extensa análise do risco de crédito da operação, como explica o professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-RJ) Gilberto Braga.

O sistema Swift, cobrado pelo BeeCâmbio e pelos bancos, ajuda a garantir a segurança da transação. “Veja se o banco que você escolheu opera no país do destino do dinheiro, ou se ele tem um banco parceiro confiável no local”, sugere Braga.