Os melhores e os piores investimentos de setembro

Dólar e ouro apresentam os melhores rendimentos no mês e investimentos que acompanham a taxa Selic registraram os melhores retornos na renda fixa

São Paulo — Com alta de 9,39% no mês, o dólar apresentou o melhor resultado do balanço de investimentos de setembro. Em seguida, aparece o ouro, com valorização de 5,54% no mês.

Dentre os investimentos mais conservadores, de renda fixa, os fundos referenciados DI tiveram o melhor resultado, com alta de 1,18%. Esses fundos aplicam em investimentos que acompanham a variação da taxa DI (que fica próxima à taxa Selic).

Veja, na tabela a seguir, as variações de alguns dos principais índices e investimentos do mercado em setembro e no acumulado do ano:

Aplicação Desempenho em setembro Desempenho em 2015
Dólar comercial 9,39% 49,68%
Ouro BM&F 5,54% 20,22%
Fundos Multimercado Multiestratégia* 5,03% 17,56%
Fundos de Ações Ibovespa Ativo* 3,42% -0,57%
Fundos de Ações Livre* 2,36% -1,76%
Fundos Multimercado Macro* 2,21% 19,00%
Fundos referenciados DI* 1,18% 9,48%
Tesouro Selic 2017 (LFT) 1,13% 9,50%
Selic* 1,10% 9,57%
Tesouro Prefixado 2016 (LTN) 1,10% 9,12%
CDI* 1,05% 9,52%
Fundos de Renda Fixa* 0,98% 9,46%
Fundos Multimercados Juros e Moedas* 0,97% 8,95%
Tesouro Selic 2021 (LFT) 0,94%
IGP-M (estimativa do Banco Central)** 0,66% 7,88%
Poupança antiga* 0,64% 5,81%
Poupança nova* 0,64% 5,81%
IPCA (estimativa do Banco Central)** 0,48% 9,46%
Fundos de Ações Small Caps* 0,25% -12,96%
Fundo de Ações Dividendos* 0,06% -7,18%
Tesouro IPCA+ 2019 (NTN-B Principal) -0,09% 7,93%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2017 (NTN-F) -0,71% 6,71%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 (NTN-B) -2,18% -0,05%
Ibovespa -3,35% -9,89%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTN-B) -3,42% -1,58%
Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix) -3,98% 4,73%
Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B Principal) -4,05% -8,47%

Fontes: Anbima, Banco Central, BM&FBovespa e Tesouro Nacional

(*) O desempenho mensal se refere aos últimos 30 dias até a data de fechamento.

(**) Expectativa de inflação para o mês de setembro e para o ano de 2015, segundo o Boletim Focus do Banco Central.

Os rendimentos de todos os fundos da tabela são referentes ao dia 24 de setembro. As expectativas sobre o IGP-M e o IPCA foram fechadas no dia 25 de setembro. Já os dados sobre as poupanças nova e antiga e ouro BM&F são relativos ao dia 29. A variação do CDI foi fechada no dia 28. As rentabilidades do dólar, títulos públicos, Selic Ibovespa e Ifix tiveram como base o fechamento do dia 30.

Renda Fixa

Os fundos de investimentos referenciados DI registraram a maior rentabilidade dentre as aplicações de renda fixa, que são aquelas que têm sua forma de remuneração definida no início da aplicação.

Esse tipo de fundo aplica em títulos públicos, bancários e outros para acompanhar as variações da taxa DI, que é definida a partir das taxas praticadas entre bancos na negociação de Certificados de Depósito Interfinanceiro (CDI). Como os bancos usam a taxa Selic como parâmetro para definir os juros praticados nos CDIs, as taxas DI e Selic tendem a apresentar um comportamento muito semelhante.

Assim, como a taxa Selic está em um patamar elevado, aos 14,25% ao ano, os fundos atrelados à taxa DI tendem a se destacar.

O Tesouro Selic, título público vendido pela plataforma online de negociação Tesouro Direto, apresentou a segunda melhor rentabilidade da renda fixa. Esse título paga ao investidor a variação da taxa Selic durante o período do investimento. Portanto, diante do alto patamar da taxa básica de juros, também tem sido visto como uma alternativa de investimento atraente.

Vale lembrar que o Tesouro Selic é a opção mais conservadora dentre os títulos públicos. Enquanto outros títulos do Tesouro podem gerar prejuízos ao investidor se forem vendidos antes do vencimento, o Tesouro Selic sempre paga a variação da taxa Selic e apenas pode ter um pequeno ágio ou deságio se for vendido antes do prazo (conheça os riscos dos títulos públicos e saiba quais deles são mais seguros).

Conforme pode ser observado na tabela, alguns títulos públicos com taxas prefixadas apresentaram rentabilidade negativa no mês, como é o caso do Tesouro Prefixado e do Tesouro IPCA+. Isso ocorre porque esses títulos sofrem o efeito da chamada marcação a mercado.

De forma bem simplificada, isso acontece quando o investidor tem na mão um título que paga uma determinada taxa e a expectativa sobre os juros básicos da economia no futuro sobe. Como o título que o investidor tem em mãos paga uma taxa inferior à expectativa dessa taxa no futuro, seu papel fica desvantajoso. 

Assim, quando é feita a marcação a mercado, que mostra o preço justo daquele título no presente, o resultado é negativo e o investidor pode ter prejuízo ao vender o título. No entanto, se esses títulos forem levados até o vencimento, eles pagam exatamente a rentabilidade prevista no início do investimento.

“Quando a situação da economia é mais estável, os investidores vão para os títulos prefixados porque a expectativa é que os juros caiam, então o melhor a fazer é prefixar essa taxa que está alta. Já quando a economia está indo mal, as pessoas vão para os pós-fixados, como o Tesouro Selic, já que a tendência é que os juros subam”, diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

Dentre os títulos públicos mostrados na tabela, atualmente estão disponíveis para compra: o Tesouro Selic 2012, o Tesouro IPCA+ 2019 (NTN-B Principal), Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 (NTN-B), Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTNB) e Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B Principal).

Renda variável

Os investimentos de renda variável – que são aqueles que não têm sua forma de remuneração pré-definida – apresentaram os melhores resultados do balanço de investimentos de setembro, puxados principalmente pelo dólar e pelo ouro, que registraram altas expressivas.

De acordo com André Perfeito, a forte alta do dólar tem duas razões centrais. A primeira é a crise política que eleva o risco do país. “A permanência da crise política joga pressão sobre o ajuste fiscal e isso bate na questão da classificação de risco do país”, diz.

Como a crise política dificulta a tarefa de ajuste das contas do governo, as chances de que outras agências de classificação de risco sigam a Standard & Poor’s e retirem o grau de investimento do pais, são grandes. Essa possível perda do grau de investimento gera uma desvalorização do real à medida que mostra que o país não é mais visto como um bom pagador e, portanto, o risco de sua moeda é alto.

O segundo movimento que explica a valorização do dólar, segundo o economista-chefe da Gradual, é relacionado à possibilidade de elevação dos juros básicos da economia norte-americana. “Como a expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos foi muito comentada durante o mês, o dólar subiu”, diz.

Isso acontece porque os Estados Unidos são tidos como a economia mais segura do mundo. Assim, quando o país acena com um juros maiores – atualmente os juros dos EUA estão na faixa de 0,25% ao ano – investidores tendem a migrar recursos para o país, afinal nada melhor do que investir o dinheiro em um país com baixíssimo nível de risco e que, ainda por cima, pode oferecer juros um pouco mais atraentes.

Já o ouro é um investimento que costuma se valorizar em momentos de incerteza, como o atual. Por ser um ativo que possui lastro, ele é visto como uma reserva de segurança. “O ouro é uma reserva de valor muito forte e quando ele sobe é um péssimo sinal, pois mostra que as pessoas estão indo para o mais elementar dos investimentos para proteger seu patrimônio porque o grau de insegurança é alto”, comenta André Perfeito.

Os fundos de investimento multimercado macro registraram o terceiro melhor resultado do mês, com alta de 3,49%. Esse tipo de fundo aposta em diferentes estratégias para tentar obter o melhor rendimento, investindo em títulos públicos, moedas e na renda variável, de acordo com o que o cenário macroeconômico aponta como mais interessante.

O motivo para a forte alta dos fundos multimercados no mês, segundo Perfeito, seria o bom proveito que os gestores desses fundos têm feito da alta do dólar.

Esses fundos costumam investir em derivativos, instrumentos que garantem ao investidor o direito de vender ou comprar um ativo por um determinado valor em uma data futura. Assim, os gestores podem ter comprado contratos futuros de dólar, que os permitiram, por exemplo, fixar a compra da moeda por um valor de 3,50 reais para depois vendê-la pelo valor de mercado, de 4 reais, obtendo lucros.

Dentre os piores resultados do balanço aparece o Ibovespa, principal termômetro do comportamento da bolsa brasileira. O índice fechou o mês com baixa de 3,36%.  De maneira resumida, é possível dizer que a bolsa caiu pelos mesmos fatores que fizeram o dólar subir: crise política e aumento do pessimismo em relação à situação da economia brasileira.

Confira, no vídeo a seguir, por que os fundos multimercados têm brilhado durante a crise: