Nubank lança programa de recompensas. Vale a pena?

Liberação para clientes acontecerá de forma gradual nas próximas semanas. Taxa de conversão em recompensas será de cerca de 1 centavo por 1 real gasto

São Paulo – Após uma fase de testes que durou quase um ano, a opção de aderir ao programa de recompensas do Nubank será liberada a partir desta terça-feira (1º) de forma gradual para toda a base de clientes do cartão de crédito roxo. O processo irá durar algumas semanas.

Chamado de Rewards, o programa permite acumular pontos que nunca expiram e, com eles, eliminar da fatura do cartão despesas com passagens, hotéis (inclusive hostels), corridas do Uber, compras no site da Amazon no Brasil e mensalidades da Netflix e serviços de streaming de música, como Spotify.

Apesar de a cada 1 real gasto os usuários do Rewards acumularem um ponto, a taxa de conversão dos pontos em recompensas será de 1 centavo por real, aproximadamente.

Para usar os pontos para pagar qualquer mensalidade da Netflix será necessário acumular 2.600 pontos. Ou seja, gastar 2.600 reais no cartão. Para conseguir pagar gastos de até 30 reais na Amazon, serão necessários 3 mil pontos.

Já para ‘apagar’ despesas com corridas de até 25 reais no app Uber, será necessário acumular 2.500 pontos. Para pagar qualquer mensalidade de serviços de streaming de música, serão necessários 2 mil pontos. Para ‘apagar’ passagens aéreas e hotéis, se o usuário acumular 20 mil pontos, consegue pagar uma passagem ou diária que custe 200 reais.

Em todos os casos, não será possível utilizar os pontos de forma parcial: se, por exemplo, a compra na Amazon foi 40 reais, os pontos não poderão ser utilizados. Na Netflix, é possível abater uma mensalidade básica e uma familiar com a mesma quantidade de pontos. Portanto, quanto mais próximas do limite determinado no programa forem as compras, maior será a vantagem para o consumidor.

Veja abaixo a tabela de taxa de conversão completa do Rewards:

Benefícios Pontos necessários
Mensalidade do Netflix 2.600
Viagens de Uber de R$ 10 a R$ 25 2.500
Compras de até R$ 30 na Amazon Brasil 3.000
Mensalidade de serviço de streaming de músicas 2.000
Passagens aéreas e diárias em hotéis 1% dos pontos acumulados. Uma passagem de R$ 200 poderá ser apagada com 20 mil pontos

Pelo app, o cliente pode acompanhar o acúmulo de pontos, que são creditados instantaneamente após cada compra, sem a necessidade de esperar o fechamento da fatura para monitorar a pontuação acumulada. É possível usar os pontos a qualquer momento para “apagar” contas tanto da fatura atual quanto de anteriores a partir da adesão ao programa – neste último caso, o valor “apagado” será incluso como crédito na próxima fatura.

Para participar do Rewards, será cobrada uma taxa de anuidade de 190 reais, ou 19 reais por mês. O serviço será opcional: quem quiser continuar a não pagar anuidade no cartão e qualquer outra tarifa, basta não aderir ao programa.

Todos os clientes terão 30 dias grátis para testar o Rewards, e é possível cancelar a assinatura a qualquer momento pelo próprio app.

Fintech buscou flexibilidade e transparência

O foco do Nubank, diz Cristina, foi permitir que o usuário tenha a liberdade de escolher como, onde e quando quer usar seus pontos, sem ficar preso a parcerias com companhias aéreas específicas ou com medo de os pontos expirarem.

A fintech também buscou mais transparência ao simplificar o processo de acúmulo de pontos convertendo os pontos em reais, ao contrário de outros programas de fidelidade do mercado, cuja referência é o dólar. “Dessa forma, o usuário não fica confuso sobre qual cotação será utilizada, se a do dia da compra ou a do fechamento da fatura, e nem precisa esperar a fatura fechar para saber quantos pontos já acumulou”, explica Cristina.

Programa é indicado para quem tem gastos altos no cartão

O próprio Nubank aponta que o programa faz sentido para clientes que gastam mais de 1.600 reais por mês no cartão de crédito. Isso porque esse valor é o mínimo para receber ao menos o valor gasto com a anuidade de volta após 12 meses.

A fintech disponibilizou uma simulação de quais recompensas o usuário do programa pode conseguir conforme o valor gasto por mês no cartão.

Contudo, não basta ter 190 reais de volta após um ano. Para compensar o pagamento da anuidade, o ideal é que os benefícios sejam maiores do que o valor pago. Ou seja, para a adesão ao programa valer realmente a pena, os gastos no cartão devem se aproximar de, pelo menos, 2 mil reais por mês. Mas Renata Pedro, coordenadora de pesquisas da associação de consumidores Proteste, aponta que quem tem gastos maiores e rendas mais altas têm à disposição programas que oferecem mais pontos. “Há cartões que dão até 2,3 milhas a cada ponto acumulado e, em alguns, os pontos não expiram. Mas, logicamente, cobram uma anuidade maior por isso”.

Clientes que participaram da fase de testes do Rewards se dizem decepcionados com o programa de pontos. Enquanto uns citam a taxa de conversão baixa, outros apontam que a cobrança de anuidade vai contra os valores que a marca pregou desde a sua criação. O restrito leque de opções de troca também foi um ponto negativo, segundo os usuários.

Confrontada com estes depoimentos, Cristina Junqueira ressalta que “não há almoço grátis”. “Precisamos cobrar a taxa para fazer algo diferente do que se vê no mercado. Não queríamos oferecer benefícios inúteis e pontos que expiram”. A executiva diz que a taxa cobrada no Rewards ainda está aquém da média do mercado, que, cita, fica entre 300 reais e 450 reais por ano.

Mas existem cartões de crédito que não cobram anuidade e têm taxas semelhantes à cobrada pelo Rewards, como o Santander Free e o BB Ourocard, analisa Renata, da Proteste. “No Santander Free, caso o usuário gaste cerca de 100 reais por mês, não há cobrança de anuidade. Além disso, em ambos os cartões os pontos são convertidos em milhas, que costumam ser mais vantajosas na hora de comprar passagens”.

Mas, como pontos negativos, nos cartões do BB e Santander os cartões os pontos expiram após dois anos. “Mas ainda é possível dar uma sobreviva a estas milhas transferindo os pontos para programas de milhagem antes do vencimento”, diz Renata. Mas, ao transferir os pontos para um programa de milhagem, o viajante fica refém dos preços praticados neste programa. “O programa de pontos do Nubank pode valer a pena em caso de passagens promocionais, nas quais os pontos podem ser semelhantes aos da quantidade de milhas que seria necessária para a compra”, analisa.

Cristina ressalta que a fintech divulgou apenas uma primeira versão do programa de pontos. A ideia é que, conforme mais pessoas façam a adesão ao programa, maior seja o poder de barganha de taxas de conversão da fintech. O objetivo é que estas taxas possam ser menores no futuro, e que o programa ofereça mais opções para troca de pontos. “Mas queremos continuar a oferecer benefícios que realmente façam sentido para o usuário do cartão. Queremos qualidade, não quantidade”, diz a executiva.

Não há, a princípio, expectativa de parceria com programas de milhagem para transferência de pontos do Rewards, diz Cristina. “Queremos dar flexibilidade aos clientes. Não está no nosso radar”. Sobre se há planos para segmentar cartões e, dessa forma, cobrar anuidades menores para quem tem gastos mensais menores, Cristina não descarta a possibilidade. “Mas hoje quem tiver Nubank Platinum ou Gold terá exatamente os mesmos benefícios que os outros usuários”.