São Paulo - A despeito das suspeitas de bolha, o mercado de imóveis usados na cidade de São Paulo registrou valorização superior à variação da inflação nos últimos três anos, segundo pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP).

De acordo com os dados da entidade, os preços médios de casas e apartamentos usados na cidade aumentaram 20,6% entre 2011 e 2013, enquanto a média da inflação - composta por índices como IPCA, INPC, ICV e IGP-M - foi de 19,39% no mesmo período.

O levantamento considerou oito tipos de imóveis: casas e apartamentos de um, dois, três e quatro dormitórios. Dentre eles, três perderam para a inflação entre 2011 e 2013: apartamentos de um dormitório (+8,08%), apartamentos de três dormitórios (+14,49%) e casas de um dormitório (+12,79%).

Os apartamentos de quatro dormitórios tiveram a maior valorização no período, com alta de 30,75%, seguidos pelas casas de três dormitórios (+28,71%).

Veja na tabela a seguir as valorizações registradas de 2011 a 2013, segmentadas por tipo de imóvel.

Tipo do imóvel Um dormitório Dois dormitórios Três dormitórios Quatro dormitórios
Apartamentos +8,08% +24,13% +14,49% +30,75%
Casas +12,79% +23,9% +28,71% +23,83%

Fonte: Creci-SP

Segundo o Creci-SP alguns fatores descartam a possibilidade de queda substancial nos preços dos imóveis usados em São Paulo, afastando a hipótese de bolha especulativa.

Entre eles, foram destacados: o maior rigor dos bancos na concessão de financiamentos; a fiscalização do Banco Central sobre as operações de crédito; e a ausência de processos que transformem o crédito imobiliário em ativos usados para compras de outros imóveis, sem existência de lastro real, como ocorreu na crise do subprime nos Estados Unidos, em 2008. 

Por região 

A pesquisa também mostrou a variação nos preços dos imóveis usados por região, dividindo a cidade em cinco zonas:

Zona A - Alto da Boa Vista, Alto de Pinheiros, Brooklin Velho, Campo Belo, Cidade Jardim, Higienópolis, Itaim Bibi, Jardim América, Jardim Anália, Jardim Franco, Jardim Europa França, Jardim Paulista, Ibirapuera, Moema, Morro dos Ingleses, Morumbi, Real Parque, Pacaembu, Perdizes, e Vila Nova Conceição. 

Zona B - Aclimação, Alto da Lapa, Bela Vista, Alto de Santana, Brooklin, Cerqueira César, Chácara Flora, Alto da Lapa, Consolação, Granja Viana, Indianópolis, Jardim Guedala, Jardim Marajoara, Jardim Paulistano, Jardim São Bento, Jardim São Paulo, Paraíso, Pinheiros, Planalto Paulista, Pompéia, Sumaré, Sumarezinho, Vila Clementino, Vila Madalena, Vila Mariana, Vila Olímpia. Vila Sônia;

Zona C - Aeroporto, Água Branca, Bosque da Saúde, Barra Funda, Butantã, Cambuci, Chácara Santo Antônio, Cidade Universitária, Horto Florestal, Ipiranga (Museu), Jabaquara, Jardim Bonfiglioli, Jardim Prudência, Jardim Umuarama, Lapa, Mandaqui, Mirandópolis, Moóca, Santa Cecília, Santana, Santo Amaro, Saúde, Tucuruvi, Vila Alexandria, Vila Buarque, Vila Leopoldina, Vila Mascote, Vila Mazzei, Vila Romana, Vila Sofia, Tatuapé;

Zona D - Água Rasa, Americanópolis, Aricanduva, Belém, Bom Retiro, Brás, Butantã (periferia), Campo Grande, Campos Elíseos, Carandiru, Casa Verde, Centro, Cidade Ademar, Cupecê, Freguesia do Ó, Glicério, Imirim, Itaberaba, Jaçanã, Jaguaré, Jardim Miriam, Liberdade, Limão, Pari, Parque São Domingos, Penha, Pirituba, Rio Pequeno, Sacomã, Santa Efigênia, Sapopemba, Socorro, Tremembé, Veleiros, Vila Alpina, Vila Carrão, Vila Formosa, Vila Guilherme, Vila Maria, Vila Matilde, Vila Medeiros, Vila Prudente;

Zona E - Brasilândia, Campo Limpo, Cangaíba, Capão Redondo, Cidade Dutra, Ermelino Matarazzo, Grajaú, Guaianases, Itaim Paulista, Itaquera, Jardim Ângela, Jardim Brasil, Jardim São Luis, Lauzane Paulista, M’Boi Mirim, Parelheiros, Pedreira, Santo Amaro (periferia), São Mateus, São Miguel Paulista, Vila Arpoador, Vila Curuçá, Vila Indiana, Vila Nova Cachoeirinha. 

Casas

As casas foram o destaque de valorização da pesquisa. 

Na segmentação por zona e por tipo de imóvel, as casas com quatro dormitórios da Zona D tiveram a maior valorização da cidade entre 2011 e 2013. A alta foi de 53,85%, uma elevação do preço médio de 392.163,56 reais em 2011 para 603.333,33 reais em 2013.

Casas com três dormitórios na Zona C tiveram a segunda maior alta (+47,8%), com elevação do preço médio de 362.411,76 reais para 535.630,77 reais.

Foram seguidas pelas casas de quatro dormitórios na Zona C (+43,27%), com alta no preço médio de 513.398,45 reais para 735.555,56 reais; e pelas casas de quatro dormitórios na Zona B (+42,23%), de 610.852,55 reais para 868.833,33 reais.

Dentre os 20 segmentos de casas analisados, divididos por região e dormitórios, apenas duas tiveram queda nos preços: as casas de um e três dormitórios na Zona E.

No primeiro caso, a queda foi de 21,17%, com redução do preço médio de 214.734,67 reais em 2011 para 101.500,00 reais em 2013. no segundo, a redução foi de 1,61%, puxando o preço médio de 194.040,40 reais para 190.925,93 reais.

Apartamentos

Dentre os apartamentos, a maior valorização foi verificada entre os de quatro dormitórios na Zona A: alta de 35,73% e elevação do preço médio de 1.176.605,59 reais em 2011 para 1.597.000,00 reais em 2013.

Em seguida, as maiores altas foram de: 35,72% (elevação de 331.623,38 para 450.092,31), para apartamentos de dois dormitórios na Zona B; 35,17% (elevação de 368.672,04 reais para 498.347,83 reais), para apartamentos de quatro dormitórios na Zona D; e 34,18% (de 507.264,15 para 680.686,27 reais), para apartamentos de três dormitórios na Zona B.

Dos 20 tipos de apartamentos pesquisados, apenas dois tiveram queda. Os apartamentos de três dormitórios na Zona E (-8,47%), com queda no preço médio de 156.666,67 reais para 143.400,00 reais, e os apartamentos de três dormitórios na Zona A (-8,64%), com redução no preço médio de 821.343,14 reais para 750.367,65 reais.

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