São Paulo – Nos próximos dois anos, brasileiros que não têm o costume de alugar imóveis para temporada esperam conseguir inquilinos para suas próprias casas por preços nada módicos. A Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo de 2014 já levam os moradores de locais próximos aos estádios de futebol a anunciar pela internet a locação de seus imóveis. Os valores que os locadores esperam ganhar – por enquanto estimados e abertos a negociação – chegam a ultrapassar os 30.000 reais, por períodos que variam de alguns dias a um mês.

O enfermeiro Robert Sales, que não é marinheiro de primeira viagem, está prestes a fechar contrato com um grupo de dez pessoas – entre brasileiros de vários estados e estrangeiros - que desejam alugar sua casa em Taguatinga (DF). O objetivo é locar o imóvel por cinco dias durante a Copa das Confederações, no ano que vem, por 1.500 reais a diária, um total de 7.500 reais.

Para a Copa do Mundo, Sales espera receber algo em torno de 25.000 reais para sete dias. “Não tenho preferência por perfil de locatário, mas gostaria que fosse estrangeiro, para mostrar a hospitalidade do povo brasileiro”, diz. Há cinco anos o enfermeiro aluga a casa de três quartos – que não é sua residência – para eventos, como churrascos, aniversários e festas de empresas. O imóvel fica dentro de um condomínio fechado e tem 400 metros quadrados que incluem piscina e churrasqueira. Sua distância do estádio Mané Garrincha, sede da abertura da Copa das Confederações e de sete partidas da Copa do Mundo, é de 20 quilômetros, de 20 a 30 minutos de carro.

Já quem mora praticamente colado aos estádios pensa em locar a própria residência durante os eventos esportivos. É o caso de Aline Queiroz, que mora no bairro de Cajazeiras, em Fortaleza, a quinze minutos a pé do Estádio Castelão, onde ocorrem seis partidas da Copa de 2014. Ela está de mudança para outro apartamento na região, mas pretende alugar pela primeira vez seu atual imóvel para até dez pessoas.

“Tive essa ideia porque sei que já está havendo procura nessa região. Conheço gente que trabalha em corretora, e até uma vizinha minha já recebeu uma ligação de pessoas à procura de imóveis próximos ao estádio”, explica Aline, que ainda não fixou o preço, mas quer pedir um valor “dentro da média do mercado”.

Em Belo Horizonte, o mesmo movimento ocorre entre os moradores dos arredores do Mineirão, sede de seis partidas da Copa do Mundo. O servidor público Paulo Lima pretende alugar seu apartamento na Pampulha, a 20 minutos a pé do estádio, pela primeira vez. O preço ainda está aberto a negociação, mas Lima acredita que os aluguéis para a Copa do Mundo vão girar entre 30.000 e 40.000 reais.

Com um texto em inglês, Henrique Aiala anuncia na web seu apartamento recém-reformado a oito minutos de carro do Mineirão. O valor pedido está em dólar, mas o jovem de 32 anos diz que não faz diferença se o locatário for brasileiro ou estrangeiro. “Eu penso em alugar por algo de 10.000 a 15.000 dólares, mas só vou ter certeza quando chegar mais perto do evento”, diz Aiala, que deve ficar na casa dos pais enquanto os locatários estiverem no imóvel.

Tome precauções

Quem quiser aproveitar a oportunidade deve se lembrar de proteger seu imóvel. Afinal, alugar a própria casa, mobiliada, para pessoas estranhas que vão ficar por um curto período de tempo em clima de festa pode ser uma boa fonte de dor de cabeça. Quem já tem o costume de alugar por temporada dá a lição.

Robert Sales, que vai locar sua casa em Taguatinga, só fecha negócio com contrato, onde relaciona todos os móveis e utensílios da casa. Antes e depois da estadia dos locatários, faz uma vistoria na casa e fotografa todos os itens. Para se proteger de eventuais danos, o enfermeiro fez um seguro residencial, tanto para a construção, quanto para o conteúdo da casa – móveis e aparelhos eletrônicos. “Se houver algum furto, que é a ocorrência mais comum, o banco repõe”, explica Sales.

Os seguros residenciais costumam ter bom custo-benefício, não chegando a custar nem 1% do valor do imóvel. Outra forma de se proteger contra grandes danos à propriedade é pedir um cheque caução, que ficará como garantia para o proprietário e é devolvido ao final do contrato caso nada de errado aconteça.

Quem aluga para temporada pode também pedir um sinal, que costuma ser de metade do valor do aluguel, antes do período de locação. A outra metade é paga no dia da entrega das chaves. É um direito de quem aluga para temporada – isto é, por períodos de até 90 dias – pedir o pagamento adiantado. O locatário, por sua vez, também deve tomar seus cuidados e visitar o imóvel antes de fechar negócio. Ou pelo menos analisar fotos recentes. “Um dos rapazes que vai alugar para a Copa das Confederações mora em Brasília e foi visitar a casa. Ele gostou do que viu, por isso resolveu fechar negócio”, conta Robert Sales.

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