São Paulo - O banco no qual você mantém sua conta-corrente não é sua única opção para obter crédito. Ainda que você esteja habituado a resolver qualquer problema financeiro com seu gerente, ao buscar alternativas é possível economizar um bom dinheiro.

É o que têm mostrado alguns sites que oferecem empréstimos com juros reduzidos, como o Lendico, que inicia sua operação no Brasil nesta quarta-feira (15). A plataforma, que foi criada na Europa, oferece crédito pessoal a juros que variam entre 33% e 55% ao ano. 

A título de comparação, dentre os bancos grandes - Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, HSBC, Itaú e Santander - as taxas médias praticadas nessa mesma linha de crédito, também chamada de Crédito Pessoal ao Consumidor (CDC), partem de 59,98% ao ano (Caixa) e chegam a 92,15% ao ano (Bradesco). 

As taxas reduzidas podem gerar certa desconfiança, mas ao conhecer o que está por trás da operação da Lendico é possível entender como o site consegue oferecer o crédito com juros mais baixos. 

O site tem uma parceria com o banco BMG, que é quem de fato fornece o dinheiro para os empréstimos. Assim, o Lendico funciona como um correspondente bancário.

As duas principais sacadas do site são: o custo operacional reduzido, já que tudo funciona online; e o processo de seleção dos clientes para os quais os créditos são concedidos. 

"Como não temos loja física, nossos custos são muito mais baixos do que os custos de competidores que têm lojas físicas, como os bancos", diz Marcelo Ciampolini, fundador da Lendico no Brasil.

Ele afirma que a Lendico também concede crédito apenas para clientes com risco de default (calote) inferior a 5%, enquanto alguns bancos chegam a aceitar clientes com risco de default de até 70%.

"Os bancos têm na carteira bons e maus pagadores, de alta e de baixa renda e hoje um bom pagador paga pelo mau pagador. Para fechar a conta, o banco acaba penalizando os bons pagadores cobrando juros mais altos", diz o fundador da Lendico.

Ciampolini também explica que o CDC não é uma linha ostensivamente usada pelo banco BMG, assim a carteira de clientes desse tipo de empréstimo será formada majoritariamente por clientes da Lendico, que passam pela seleção mais rígida de default. Ao formar uma carteira com menos risco, portanto, o banco consegue oferecer taxas de juros menores.

Outro site que tem funcionado nessa linha e também tem aparecido como alternativa aos bancos grandes é o Geru, que pratica taxas de juros que variam entre 25% e 80% ao ano (veja a matéria completa sobre o site).

Como funciona

Para solicitar o empréstimo, o interessado deve acessar o site da Lendico, que estará no ar a partir desta quarta-feira (15). Em seguida, é preciso preencher um formulário com informações pessoais, profissionais e dados sobre seus hábitos financeiros.

Ao fazer a solicitação do empréstimo, então o cliente deve aguardar a resposta do banco BMG sobre a aprovação do crédito. Caso o valor seja aprovado, é realizada uma verificação da documentação do pedido e, se tudo estiver regular, o dinheiro é depositado diretamente na conta do tomador.

O limite mínimo de valor dos empréstimos é de 2.500 reais e o limite máximo é de 35 mil reais. A dívida pode ser parcelada em12, 18 ou 24 meses e, segundo o fundador do site, em breve devem passar a ser disponíveis também os prazos de 30 e 36 meses.

Como o prazo máximo de pagamento da dívida é de dois anos, é importante checar se as parcelas da dívida caberão no orçamento, já que com menos tempo as prestações serão maiores. Caso as parcelas sejam muito altas, pode valer mais a pena buscar o empréstimo nos bancos grandes, que apesar de praticarem juros maiores, podem oferecer prazos mais longos.

Em outras palavras, pode ser melhor encarar os juros mais altos, mas podendo desfrutar de um prazo maior, do que economizar nos juros inicialmente e pagar juros e multas lá na frente pela impossibilidade de arcar com os pagamentos das parcelas.

Também é preciso observar qual é o Custo Efetivo Total (CET) da operação, que além da taxa de juros, inclui outros custos envolvidos no empréstimo, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O CET é que mostra qual será a taxa paga pelo empréstimo de fato.

De acordo com Ciampolini, a Lendico não cobra nenhuma taxa administrativa.

Consignado ainda é muito mais vantajoso

Ainda que as taxas de juros praticadas pela Lendico sejam menores do que as praticadas pelos bancos grandes no CDC, ainda assim a linha de crédito consignado é uma opção mais vantajosa para quem busca empréstimos. 

Como no crédito consignado as parcelas da dívida são descontadas diretamente da folha de pagamento do devedor, os bancos têm mais segurança de que receberão o pagamento em dia e assim os juros são reduzidos, o que leva a modalidade de crédito a ser uma das mais baratas do mercado.

Os juros cobrados em bancos grandes no crédito consignado para funcionários de empresas privadas variam de 29% a 43% ao ano. Já para aposentados e pensionistas do INSS, os juros variam entre 26% e 29%; e para funcionários públicos variam entre 22% e 30% (confira quais bancos oferecem os empréstimos consignados mais baratos).

Nesta semana, inclusive, o governo ampliou o limite do valor emprestado nos consignados de 30% para 35% do salário do devedor, sendo que os 5% adicionais devem ser destinado obrigatoriamente para bancar despesas contraídas no cartão de crédito (confira as mudanças propostas pela medida).

Como a única linha de crédito oferecida pela Lendico é o CDC - que por não ter garantias tem taxas mais altas que o consignado - o empréstimo oferecido pelo site faz mais sentido para tomadores que não têm acesso ao crédito consignado.

Cuidado para que o endividamento não se arraste

Seja com o crédito consignado ou qualquer outro, é muito importante ficar atento para que a dívida seja quitada o quanto antes. Ainda que no atual cenário de crise muitas famílias estejam se endividando por não ter outra saída para arcar com suas despesas, é importante se organizar para superar a situação.

Um estudo realizado pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), entre maio de 2014 a maio de 2015, mostra que a maioria dos brasileiros (62,7%) volta a ficar inadimplente um ano depois de quitar os débitos. Já 35,9% voltaram a ter o nome sujo apenas três meses depois de sanar as pendências financeiras.

Veja três dicas para interromper o ciclo do endividamento de uma vez por todas.

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