Dúvida do internauta: Invisto em previdência privada há 32 anos e hoje, com 53 anos, já posso me aposentar para passar a receber os recursos. Parte do meu saldo, em torno de 300 mil reais, são resgatáveis, e o restante é destinado para o pagamento dos rendimentos vitalícios. Só que se eu resgatar esses 300 mil reais, terei uma redução de aproximadamente 1.500 reais do meu rendimento vitalício. Vale mais a pena deixar essa quantia aplicada na previdência para não reduzir os rendimentos mensais, ou resgatar essa parte e aplicar em outro produto? No segundo caso, o que seria mais interessante?

Resposta de Fernando Meibak*:

O principal fator de custo do seu plano, o de taxa de administração, já foi incorrido ao longo do tempo. Se você já é elegível à utilização do benefício vitalício, requeira imediatamente.

Eu precisaria conhecer mais detalhes do seu plano. O benefício vitalício é vantajoso em alguns casos, pois o risco de você viver bastante tempo é coberto pelo plano. Em geral, entretanto, as seguradoras embutem esse risco no programa, que define os aportes necessários para determinados benefícios de renda vitalícia.

Se o plano é de renda não reversível a um beneficiário (o cônjuge, por exemplo), no caso de você vir a falecer cedo, os pagamentos cessarão e toda a reserva acumulada não irá para beneficiários. Ou seja, o risco de vida funciona dos dois lados, se você viver pouco ou muito.

No caso da segunda pergunta, recomendo o resgate dos 300 mil reais. Você pode comprar uma Nota do Tesouro Nacional-Série B, no Tesouro Direto, que paga juros semestrais. Você tem 53 anos e poderá viver bastante tempo. Compre um título longo, por exemplo o vencimento de 2045 ou 2050. Os juros estão próximo de 5,8% mais o IPCA. O momento é muito favorável para esse tipo de investimento. Num cenário de IPCA de 5% ao ano, representará uma rentabilidade mensal de 2.640 reais aproximadamente, muito melhor que os 1.500 reais que deixará de ter.

*Fernando Meibak é sócio da consultoria Moneyplan, ex-diretor de gestão de investimentos do ABN-Amro Real e HSBC Brasil e autor do livro “O Futuro Irá Chegar! Você Está Preparado Financeiramente para Viver até os 90 ou 100 Anos?”.

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