São Paulo – Os preços iniciais do iPhone 5, anunciados no site da Apple, são de 199 dólares pela versão 16 GB, 299 dólares pela de 32 GB e 399 dólares a de 64 GB. Para quem conseguir resistir à euforia em torno do aparelho, ou não fizer questão por já ter um celular semelhante, e quiser investir os valores do novo iPhone, os retornos podem ser de mais de 10.000 reais, o equivalente à entrada de um carro, no longo prazo. 

Segundo o consultor financeiro Mauro Calil, com o valor de tabela do iPhone 5 mais barato, de 199 dólares é possível investir em cerca de 85% das aplicações disponíveis no mercado. “Em um investimento de dois anos, não é difícil encontrar aplicações menos agressivas que rendam 0,5% ao mês com um valor de 199 dólares”, afirma.

Abaixo são apresentadas simulações de rendimentos obtidos ao investir o valor de um iPhone em diferentes aplicações, em um prazo de dois anos. Para a comparação, os valores usados são os anunciados pela Apple, uma vez que os preços que serão praticados no Brasil ainda não foram divulgados. Ainda que os valores do iPhone vendidos aqui normalmente superem os valores do smartphone nos Estados Unidos, usando valores mais baixos é possível avaliar quais seriam as aplicações possíveis, mesmo que o comprador conseguisse adquirir o celular pelo seu valor de tabela.  

E para facilitar a análise, as simulações consideram o câmbio do dólar a 2 reais e as aplicações utilizam como base a taxa Selic atual, a 7,5%.

iPhone na poupança

A poupança, por exemplo, com a taxa Selic a 7,5% rende ao mês 0,42%. O equivalente a um rendimento de 11,20% em um prazo de dois anos. Com 400 reais iniciais (vamos usar esta aproximação do o valor do iPhone de 199 dólares para facilitar as simulações), o valor retornado seria de 42,68 reais. As vantagens da poupança são que o investimento é isento de Imposto de Renda e o valor pode ser resgatado a qualquer momento. No entanto, para prazos acima de seis meses, seu rendimento perde para o de outras aplicações, no atual patamar da taxa básica de juros. 

IPhone em CDBs

Tomando como exemplo um CDB que pague 80% do CDI, se o Iphone de 400 reais for “aplicado”, o investidor teria um rendimento de 10,13%, ou um retorno de 40,51 reais. Já se o CDB pagar 90% do CDI, o rendimento em dois anos seria de 11,47% e o retorno seria de 45,89 reais. Com 100% do CDI, o rendimento seria de 12,84% e o montante totalizaria 451,36. Esses seriam os rendimentos obtidos, já descontando o Imposto de Renda, que no prazo de dois anos é tributado à alíquota de 17,5%.

Vale observar que existem bancos grandes que permitem a aplicação em CDB com valores mínimos de 100 reais, mas nestes casos a remuneração pode não superar uma remuneração acima de 90% do CDI. Como no caso do HSBC e Santander, que permitem aportes mínimos de 100 reais, mas remuneram a 80% do CDI. O mais comum é que os bancos grandes tenham valores mínimos de investimento em CDB de 500 reais e 1.000 reais. Já no Banco Sofisa, que é um banco médio, por exemplo, é possível investir a partir de 1 real e ter taxas de 100% do CDI.

iPhone em fundos de renda fixa

O investimento do valor do iPhone em fundos de renda fixa também é outra opção para quem quer mais segurança no investimento. Existem fundos que aceitam baixos aportes iniciais, a partir de 50 reais. Porém, para pequenas quantias, as taxas de administração são mais altas. Para aplicações inferiores a 1.000 reais, a taxa média cobrada, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), é de 2,46% ao ano. No Itaú, por exemplo, o valor mínimo de investimento é de 100 reais, mas a taxa de administração é de 2,5%.

Com a taxa média de 2,46%, um investimento de 400 reais em um fundo de renda fixa, em um prazo de dois anos, teria rendimento de 7,32%, já descontado o IR. Seria o equivalente a 29,12 reais em dois anos.

O investimento fica pouco atrativo com a taxa de administração de 2,46%, como é possível observar. Por isso, especialistas orientam que para ser vantajoso, o fundo não tenha uma taxa superior a 1%, neste cenário de juros baixos. O mais comum é que as taxas menores que 1% sejam válidas para aplicações com valores superiores a 1.000 reais, mas algumas instituições têm taxas reduzidas também para aplicações a partir de 500 reais, como a Porto Seguro Investimentos, que a partir deste valor tem taxas de 1%. 

Considerando, por exemplo, que fossem investidos 600 reais - o valor aproximado do iPhone de 32 GB, sugerido pela Apple - , com uma taxa de administração de 1%, o rendimento no prazo de dois anos do fundo de renda fixa seria de 9,81%, ou 58,85 reais, líquidos de IR.

iPhone em renda variável

Os investimentos em renda variável não têm sua remuneração definida no momento da aplicação, por isso não é possível fazer uma simulação que represente a real rentabilidade que a aplicação teria. Para comparar o rendimento para estas aplicações, serão usadas a seguir referências sobre a rentabilidade passada dos investimentos. No entanto, vale ressaltar que a simulação é meramente ilustrativa, uma vez que na renda variável um investimento que rendeu 500% nos últimos cinco anos, pode nos próximos anos se desvalorizar 50% e é impossível prever com exatidão sua rentabilidade futura.

iPhone em fundos imobiliários

Arthur Vieira de Moraes, especialista em fundos imobiliários, acompanha diariamente o rendimento de mais de 50 fundos. “Com apenas 2,07 reais já é possível fazer um investimento em um fundo imobiliário. E pode-se dizer que ao menos 50% dos fundos negociados em bolsa poderiam ser comprados com até 400 reais”, explica.

Recentemente, a bolsa lançou um índice que mede a rentabilidade média da indústria de fundos imobiliários, o IFIX. O índice é composto por 44 fundos e em dois anos (entre 30 de dezembro de 2010 e 31 de dezembro de 2011) rendeu 45,73%.

Segundo Moraes, a corretagem cobrada neste tipo de investimento é negociada entre investidores e corretoras, por isso não é possível definir o valor médio cobrado. Algumas cobram valores fixos e outras se baseiam em uma tabela de referência, segundo a qual investimentos de até 498 reais têm taxa de 2%. Partindo daí, para uma operação de 400 reais seriam pagos 2% de corretagem (8 reais) mais até 0,074% de emolumentos para fundos cotados em bolsa ( 0,30 real), um total de 8,30 reais em encargos.

Fora a rentabilidade que o investidor teria apenas com a valorização das suas cotas, os fundos imobiliários também distribuem proventos, na maioria dos casos mensais, que são provenientes das rendas dos empreendimentos, como com aluguéis. “Normalmente os fundos hoje estão pagando 0,60% de proventos”, diz Moraes. Considerando que os proventos fossem reinvestidos, em dois anos, além da rentabilidade de 45,73% se somaria a rentabilidade dos proventos, de 14,4% (0,60% x 24 meses). Seria uma rentabilidade total de 60,13% em dois anos.

Os mesmos 400 reais, portanto, investidos em um fundo imobiliário, poderiam retornar ao investidor 240,52 reais. Subtraindo os 8,30 reais de taxas, o investimento retornaria 232,22 reais de lucro.

iPhone em ações

O investimento em ações já é indicado para um investidor mais agressivo. E para investidores menos experientes, o ideal seria que o investimento fosse feito no longo prazo. Mais uma vez, nesta comparação vale a máxima de que a rentabilidade passada não garante rendimento futuro, mas, para efeito de comparação, vamos usar o retorno do Ibovespa nos últimos dois anos, que é o principal índice de referência da bolsa. Do dia 13 de setembro de 2010 ao dia 13 de setembro de 2012, o índice teve uma desvalorização de 8,92%.

Isto é, 400 reais investidos em bolsa nos últimos dois anos fariam o investidor perder 35,68 reais. No entanto, novamente vale lembrar que este cálculo é ilustrativo. Algumas ações renderam bem mais do que isso e outras menos no mesmo período.

Para fazer uma comparação mais palpável, vamos simular o investimento em uma das ações mais negociadas em bolsa, a Ambev (AMBV4), que teve ótimos resultados nos últimos anos.

Para comprar pequenas quantidades de ações, o investidor deve recorrer ao mercado fracionário, no qual as ações são vendidas por unidades - o mais comum é que sejam vendidos lotes de 100 ações. O diretor técnico da Apogeo, Paulo Bittencourt, ressalta que para um investimento no mercado fracionário, o investidor deve buscar uma corretora e pedir que ela mantenha o papel da ação no agente custodiante e não na bolsa. “Se o investidor não pretende negociar em um curto espaço de tempo, no ato da compra ele deve pedir que a ação fique guardada no agente custodiante, para que ela não fique custodiada na bolsa. Se a ação ficar custodiada na bolsa, a corretora pode cobrar uma taxa de custódia de 5 a 10 reais por mês. Em um ano seriam menos 120 reais”, explica.

A única desvantagem de não manter a ação custodiada em bolsa é que o investidor não conseguirá vender a ação imediatamente se assim desejar. Quando a ação está no agente custodiante, ao dar uma ordem de venda, a operação pode demorar de 3 a 5 dias, segundo explica Bittencourt. Mas, mantendo a ação no custodiante, o investidor teria que arcar apenas com a taxa de corretagem, que pode variar de acordo com a corretora. “É algo como 10 ou 15 reais por operação”, diz o diretor da Apogeo.

A ação da Ambev pelo último fechamento (dia 13 de setembro), estava cotada a 76,78 reais. Do dia 13 de setembro de 2010 ao dia 13 de setembro de 2012, a ação se valorizou 109,80%. Com o investimento do iPhone de 400 reais, o rendimento em dois anos seria de 439,20 reais, menos os 15 reais cobrados pela corretagem, o investidor ganharia 424,20 reais.

Se a comparação for feita nos últimos 10 anos (do dia 13 de setembro de 2002 até o dia 13 de setembro de 2012), a ação da Ambev rendeu 1.194%. Neste prazo, o retorno dos 400 reais seria de 4.461 reais, já subtraída a taxa de corretagem (a 15 reais). Se o investimento fosse maior ainda, como no valor do iPhone de 64 GB, por 800 reais, o rendimento seria de 9.552 reais. Somado ao valor investido inicialmente (800 + 9.552 reais), o valor total do investimento em 10 anos seria de 10.352 reais.

Vale ressaltar que este é um caso muito específico, de uma ação que teve uma ótima performance na bolsa e que o investimento também poderia sofrer prejuízos, principalmente em prazos mais curtos, como dois anos.

Mauro Calil faz uma analogia para mostrar que no caso de um investimento do valor de um iPhone pode ser possível investir na bolsa com risco zero. “Se você toma uma cerveja, você perdeu esse dinheiro. Mas se você salva o dinheiro da cerveja, investe na bolsa e a bolsa quebra, você perdeu o dinheiro sim, mas ele já estava perdido, ele seria usado para comprar a cerveja de qualquer forma, então o risco é zero”. A mesma comparação pode valer para o iPhone, segundo ele explica, porque se o valor for investido e não for usado para comprar o celular, por mais que o investidor tenha prejuízos, o dinheiro já sofreria prejuízos com a depreciação do celular, portanto, supostamente o risco seria nulo. 

Tópicos: Investimentos pessoais, iPhone, Smartphones, Celulares, iPhone e iPad, iPhone 5, Renda pessoal