Dúvida do internauta: Tenho um plano de previdência PGBL Renda Fixa, com taxa de administração de 1,5% ao ano. Aproximadamente 100 mil reais do saldo são isentos de imposto de renda. Tendo em vista a baixa rentabilidade que esses planos vêm apresentando, faz sentido sacar essa parcela isenta de IR do saldo e investir no Tesouro Direto, que vem oferecendo taxas acima de 5% ao ano, mais correção da inflação, mesmo levando em conta que nesse caso incidiria o IR? Em caso afirmativo, seria recomendável fazer este movimento de uma só vez, ou de forma parcelada, em quatro ou cinco etapas?

Resposta de Fernando Meibak*:

As elevações das taxas de juros dos títulos de longo prazo observadas no primeiro semestre, especialmente as das Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), provocaram impactos negativos na performance dos fundos de previdência. Insisto sempre em dizer que essas "perdas" são aparentes, pois decorrem de processo de marcação a mercado da carteira do fundo.

A partir de junho, o mercado desses títulos melhorou, com a redução das taxas dos papéis - o que resulta em rentabilidades positivas. Em minha visão, as taxas desses títulos estão elevadas. Acho menos provável agora uma piora do quadro geral que leve a uma nova alta das taxas. Não seria, portanto, um bom momento para sair dos fundos de previdência.

Não considero o seu custo de 1,5% ao ano uma taxa baixa. Há produtos de previdência no mercado com taxas próximas a 1% ao ano. Você pode avaliar, inclusive, as vantagens de fazer uso do mecanismo da portabilidade para migrar seu investimento para outra instituição com custos menores.

Por outro lado, gosto muito do sistema Tesouro Direto, que apresenta custos muito favoráveis. Será possível você operar com custos totais entre 0,5% a 0,8% ao ano via alguma corretora ou distribuidora. Pesquise no site do Tesouro a tabela com o ranking de custos das instituições. Ou seja, comparado à sua taxa de administração atual, você poderá ter ganhos de 0,7% a 1% ao ano sobre o patrimônio - o que no longo prazo é muito relevante.

Você precisa estar atento, entretanto, a aspectos tributários, pois se estiver num regime de imposto regressivo com alíquota ainda elevada pode ser mais interessante adiar a saída do fundo (veja quando vale a pena abandonar seu plano de previdência).

Desconhecemos produtos que tenham uma parcela do investimento isenta de imposto de renda. Se um dia for migrar para os títulos do Tesouro Nacional, mais do que fazer em etapas, o importante será evitar que o dinheiro fique parado entre o resgate do fundo e a compra dos títulos, pois se você ficar alguns dias desinvestido e as taxas dos títulos caírem, você incorrerá em perdas irrecuperáveis.

*Fernando Meibak é sócio da consultoria Moneyplan, ex-diretor de gestão de investimentos do ABN-Amro Real e HSBC Brasil e autor do livro “O Futuro Irá Chegar! Você Está Preparado Financeiramente para Viver até os 90 ou 100 Anos?”.

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Tópicos: Aposentadoria, Planos de previdência, Renda pessoal, Tesouro Direto, Aplicações financeiras