São Paulo – Se alguém acertar sozinho as seis dezenas da Mega da Virada, que serão sorteadas nesta noite, levará para casa 230 milhões de reais, o maior prêmio da história das loterias da Caixa. Essa bolada rende cerca de 1.000.000 de reais por mês em uma aplicação conservadora e de alta liquidez. E o dono de uma fortuna como essa não vai precisar se preocupar com dinheiro nunca mais.

A título de curiosidade, EXAME.com simulou a rentabilidade de 230 milhões de reais em quatro tipos de aplicações seguras – conservadoras e com alta liquidez – considerando a taxa de juros básica da economia atual (Selic) de 7,25% ao ano. A simulação é hipotética, e não está levando em conta a rentabilização de rendimentos que tenham permanecido aplicados.

Poupança

A caderneta de poupança atualmente remunera 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR), que atualmente é igual a zero. Não há carência para os resgates e não há incidência de imposto de renda, independentemente do prazo. A aplicação é segura, mas o investidor deve se lembrar de que, no caso de quebra do banco, só receberá de volta até 70.000 reais, que é a quantia assegurada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Por isso, é aconselhável investir em bancos diferentes, e dar preferência para os bancos grandes.

Taxa mensal (%) Taxa anual (%) Rendimento líquido em um mês (R$)
0,41% 5,03% 941.808,29

Certificados de Depósitos Bancários (CDB)

Os CDBs pagam um percentual do CDI, que é uma taxa de juros que se aproxima bastante da Selic, e sofrem incidência de imposto de renda sobre os rendimentos. Para quem tem alguns milhões de reais em mãos não é difícil conseguir 100% do CDI ou mais nem mesmo em grandes bancos.

O problema é que o limite de proteção, no caso de quebra do banco, é o mesmo da poupança: 70.000 reais por CPF. Isto é, se uma pessoa tiver mais de 70.000 reais aplicados em poupança e CDB em um mesmo banco, em caso de falência, a quantia que passar desse valor será perdida. Até 70.000 reais é possível encontrar CDBs que paguem 100% do CDI ou mais em bancos médios.

EXAME.com simulou os rendimentos mensais obtidos com CDBs que pagam 100%, 105% e 110% do CDI para diferentes prazos. Quem abre mão da liquidez diária e espera ao menos dois anos, pagará a menor alíquota de IR – 15% – obtendo o maior rendimento.

CDB 100% do CDI

Prazo Alíquota de IR Rendimento líquido em um mês (%) Rendimento líquido em um mês (R$)
Até 180 dias 22,5% 0,45% 1.042.716,32
Entre 181 e 360 dias 20,0% 0,47% 1.076.352,34
Entre 361 e 720 dias 17,5% 0,48% 1.109.988,35
A partir de 721 dias 15,0% 0,50% 1.143.624,36

CDB 105% do CDI

Prazo Alíquota de IR Rendimento líquido em um mês (%) Rendimento líquido em um mês (R$)
Até 180 dias 22,5% 0,48% 1.094.852,14
Entre 181 e 360 dias 20,0% 0,49% 1.130.169,95
Entre 361 e 720 dias 17,5% 0,51% 1.165.487,76
A partir de 721 dias 15,0% 0,52% 1.200.805,57

CDB 110% do CDI

Prazo Alíquota de IR Rendimento líquido em um mês (%) Rendimento líquido em um mês (R$)
Até 180 dias 22,5% 0,50% 1.146.987,96
Entre 181 e 360 dias 20,0% 0,51% 1.183.987,57
Entre 361 e 720 dias 17,5% 0,53% 1.220.987,18
A partir de 721 dias 15,0% 0,55% 1.257.986,79

Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) são semelhantes aos CDBs, pagando um percentual do CDI e com garantia do FGC de até 70.000 reais. Contudo, seus rendimentos são isentos de IR para qualquer prazo. Elas nem sempre podem ser resgatadas a qualquer momento, podendo haver carência.

Remuneração (% do CDI) Taxa mensal (%) Taxa anual (%) Rendimento líquido em um mês (R$)
90% do CDI 0,53% 6,50% 1.210.896,38
95% do CDI 0,56% 6,88% 1.278.168,40
100% do CDI 0,58% 7,25% 1.345.440,42

Tesouro Direto

O Tesouro Direto oferece as aplicações mais seguras que existem, os títulos públicos, garantidos pelo governo. Existem diversos tipos de títulos, mas aqui a simulação foi feita com o mais conservador deles, a Letra Financeira do Tesouro (LFT). Ela pode ser resgatada a qualquer momento antes do vencimento sem perda da rentabilidade, sempre às quartas-feiras, quando o Tesouro Nacional realiza os leilões dos títulos. Há incidência de imposto de renda sobre os rendimentos e de uma taxa obrigatória de custódia de 0,3% ao ano.

A partir desta quinta-feira, a taxa de negociação de 0,1% a cada compra de título não será mais cobrada. A corretora por meio da qual o investidor opera também pode cobrar uma taxa de administração, mas existem corretoras que não fazem essa cobrança. Também existe um limite de compra de títulos de 1.000.000 de reais mensais. Abaixo, EXAME.com simulou a rentabilidade das LFTs para 1.000.000 de reais e para 230 milhões de reais, se a limitação não existisse. Foram simulados diferentes prazos, considerando uma corretora que não cobre taxa de administração.

Aplicação de 1.000.000 de reais

Prazo Alíquota de IR Rendimento líquido em um mês (%) Rendimento líquido em um mês (R$)
Até 180 dias 22,5% 0,43% 4.339,80
Entre 181 e 360 dias 20,0% 0,45% 4.479,79
Entre 361 e 720 dias 17,5% 0,46% 4.619,79
A partir de 721 dias 15,0% 0,48% 4.759,78

Aplicação de 230 milhões de reais

Prazo Alíquota de IR Rendimento líquido em um mês (%) Rendimento líquido em um mês (R$)
Até 180 dias 22,5% 0,43% 998.153,82
Entre 181 e 360 dias 20,0% 0,45% 1.030.352,34
Entre 361 e 720 dias 17,5% 0,46% 1.062.550,85
A partir de 721 dias 15,0% 0,48% 1.094.749,36

Não é aconselhável gastar 1.000.000 de reais todo mês

Para o educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos, autor de diversos livros sobre finanças pessoais, mais recursos são ainda mais difíceis de gerir. Por isso, o primeiro passo de quem ganha milhões de reais como prêmio de loteria deveria ser buscar o auxílio de um educador financeiro ou até mesmo de um psicólogo. “Essa pessoa passará a viver em outra realidade”, diz Domingos.

Ele lembra que as pessoas tendem a levar para um novo patamar de renda os mesmo maus hábitos de quando ganhavam menos. Com mais recursos, vêm mais despesas e um padrão de vida mais alto, e não é difícil perder toda a fortuna com gastos tolos e dívidas. Segundo Domingos, o rendimento mensal não deve ser totalmente consumido. “O ganhador de uma loteria deve usar no máximo 50% do valor aplicado para viver. No caso do ganhador da Mega da Virada, seu padrão de vida deve se adequar a 500.000 reais por mês”, aconselha.

Ele explica que, como a simulação é feita sem levar em conta a inflação ao longo dos anos, em 20 anos o sortudo poderia estar pobre de novo se gastasse, todos os meses, seu rendimento de 1.000.000 de reais. Deixando 500.000 reais do rendimento aplicados, essa quantia continua rentabilizando e realimentando sua reserva financeira. A simulação anterior é hipotética, e não está levando em conta a rentabilização de rendimentos que tenham permanecido aplicados.

*Matéria atualizada às 16h04

Tópicos: Caixa, Bancos, Empresas, CDB, Investimentos pessoais, LCI, Loterias, Mega-sena, Poupança, Aplicações financeiras, Tesouro Direto