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Carros e casas | 22/08/2011 07:17

Quando o consórcio é um ótimo negócio

Participante precisa usar as regras do jogo a seu favor para que o consórcio possa se tornar a forma mais interessante de comprar um carro ou uma casa

Divulgação

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Imóveis: compra com consórcio é mais barata e demorada que com crédito bancário

São Paulo – Especialistas em finanças pessoais costumam recomendar os consórcios para quem não tem pressa em adquirir um bem, não consegue fazer uma poupança não-forçada por falta de disciplina financeira ou quer fugir dos juros altos da maioria das linhas de crédito bancário. Faz todo o sentido. O que quase ninguém alerta, no entanto, é que o participante precisa ser proativo e usar as regras do jogo a seu favor para realmente se dar bem um consórcio.

Entender em detalhes como funcionam as regras ajuda muito. O mecanismo em si é simples. É necessário contratar um banco ou uma instituição administradora que reunirá em um mesmo grupo interessados em comprar principalmente imóveis ou veículos em condições semelhantes. Todos os participantes pagam parcelas mensais. Com o dinheiro de cada uma delas, um ou mais membros do grupo poderão ser contemplados a cada 30 dias com uma carta de crédito que permitirá a compra do bem à vista.

Os felizardos são escolhidos por meio de sorteios, mas a maioria dos planos também permite que, se houver dinheiro suficiente, os participantes que ofereçam lances antecipando o maior número de prestações também sejam contemplados. O número de participantes do grupo já contemplados crescerá a cada mês, até que, ao final, todos tenham recebido sua carta de crédito.

Os consórcios são particularmente interessantes em momentos de alta dos juros porque os participantes estão isentos desses encargos. Como é o dinheiro de todos os participantes que financia a compra do bem à vista por alguns felizardos a cada mês, não há juros porque não há concessão de crédito. Por outro lado, os consorciados terão de pagar uma taxa de administração cobrada pela administradora e contribuir com o fundo de reserva constituído para cobrir perdas com participantes que já tenham sido contemplados e eventualmente deixem de pagar as parcelas.

Como essas duas taxas somadas são bem inferiores aos juros bancários, o consórcio acaba sendo viável financeiramente. “A forma mais barata de comprar um veículo ou um imóvel é à vista”, diz Mauro Calil, especialista em finanças pessoais. “O segundo jeito mais barato é o consórcio, que também é menos arriscado que o crédito imobiliário, embora muitas vezes seja necessário aguardar alguns anos até que a compra do bem seja concretizada.”

É nesse ponto que começa a ser importante usar as regras do jogo a seu favor. O participante que fica por último no sorteio certamente faz um péssimo negócio ao aderir a um consórcio. O azarado que nunca é sorteado terá de esperar muitos anos a mais do que estimava para comprar o bem desejado. Se tivesse investido as parcelas mensais em um fundo DI, uma caderneta de poupança ou outra aplicação conservadora qualquer, teria obtido juros que ajudariam a comprar o bem mais rápido ao invés de desembolsar um dinheiro extra para arcar com as taxas da administradora.

Esse é uma das explicações para que os consórcios só existam no Brasil. Ao que parece, em outros países não há muita gente disposta a arcar com todo esse ônus em caso de azar nos sorteios.

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