São Paulo – Ganhar dinheiro pode estar mais difícil, mas existe espaço e oportunidade mesmo para quem investe por conta própria no cenário econômico atual. A chave, diz o sócio-fundador da gestora Rio Bravo Paulo Bilyk, está nos ativos que gerem renda para o investidor, que deve manter a perspectiva de longo prazo e um giro baixo de carteira.

Para Bilyk, os ativos que se destacam para o investidor individual são as ações quem pagam bons dividendos, os fundos imobiliários e os títulos e fundos de crédito privado, menos impactados pela crise econômica e oferecendo oportunidades de ganhos constantes e interessantes quando consideradas as perspectivas de manutenção da taxa Selic em patamares baixos.

“Em momentos de maior pujança econômica, é mais apropriado se expor a empreendimentos com bom potencial de crescimento, mesmo quando eles ainda não estão gerando lucros. Esse tipo de ação aumentou muito a participação na Bolsa brasileira nos últimos anos, como é o caso das empresas X ou as companhias de desenvolvimento imobiliário. Mas com as limitações à atividade econômica brasileira, a desaceleração da China e a crise mundial, esse tipo de papel ficou arriscado. Por isso, é melhor aumentar a proporção dos ativos geradores de renda no portfólio”, explica Bilyk.

É claro que uma parte do portfólio deve se manter em ativos de renda fixa conservadora, preferencialmente no Tesouro Direto ou em fundos com taxas inferiores a 1% ao ano. Com uma Selic a 8,5%, a renda fixa, mesmo pós-fixada, ainda é vantajosa no Brasil, e também é essencial manter a liquidez.

Giro de carteira

“Alto giro de carteira não é coisa para investidor pessoa física”, dispara o sócio da Rio Bravo. De acordo com ele, o caminho para o investidor individual fazer seu patrimônio efetivamente crescer, não importando o volume de seus investimentos, é realmente a visão de longo prazo. “O investidor fica tentado a gerar ganhos rápidos, mas tem pouca capacidade financeira para as perdas que vão ocorrer no curto prazo. Os custos de girar muito a carteira são altos, e seria preciso gerar um excesso de ganhos para haver compensação. Todas as séries históricas mostram que isso a pessoa física não consegue fazer”, diz.

Bilyk explica que o investidor deve avaliar o portfólio como um todo e observar onde está a liquidez. Ao comprar uma ação ou um fundo de ações, o investidor não deveria ter um horizonte menor que algo entre três ou cinco anos, diz. “Para quem não tem tempo de cuidar de perto dos investimentos, então, pode ser melhor comprar um bom fundo, de baixo custo, que tenha um bom gestor. Talvez até diversificar entre dois ou três gestores”, opina.

Ações defensivas

Depois de uma ligeira recuperação no início do ano, o Ibovespa já acumula uma queda de 5% em 2012 e de quase 14% desde o início de 2008. As ações defensivas, que pagam bons dividendos e são menos afetadas pela conjuntura econômica internacional, despontaram nesse período e passaram a ser bastante recomendadas pelas corretoras desde que o mercado voltou a sofrer.

Segundo Paulo Bilyk, até empresas que vêm apanhando, como as siderúrgicas, a Vale e bancos como Itaú e Bradesco, são papéis de qualidade nesse quesito, pagadores regulares de dividendos e atualmente a um bom preço. “Há muito tempo o Brasil vivia um Bull Market, interrompido pelo ‘chacoalhão’ de 2008. As pessoas têm dificuldade de aceitar que os preços não sobem sempre. Mas são estes os bons momentos de se montar uma carteira de renda variável. É num momento como esse que você compra a um preço mais atrativo. A Bolsa brasileira não performa bem há anos, mas as compras devem ser feitas de forma gradual, consistente e duradoura, com vistas a pelo menos os próximos cinco anos”, diz.

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Fundos imobiliários

Melhor que comprar imóveis residenciais, cuja perspectiva de valorização está agora bem reduzida, Bilyk aconselha a investir em fundos imobiliários que já estejam gerando renda com aluguéis – ou que passem a gerar renda em um futuro próximo. Os fundos imobiliários investem primordialmente em grandes imóveis comerciais e corporativos, gerando renda para o investidor pessoa física em forma de aluguéis isentos de IR. Apenas a valorização da cota é tributada, como em qualquer outro fundo de investimento.

Os fundos são temáticos. Alguns investem em apenas um imóvel; outros, numa carteira diversificada. Há fundos de shopping centers, hospitais, lajes corporativas, de galpões e indústrias e até de recebíveis imobiliários, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). “É bom diversificar entre pelo menos três fundos, para não ficar exageradamente colado ao ciclo de uma única indústria. As lajes corporativas estão mais voltadas para as empresas, os shoppings estão mais expostos a consumo, fábricas e galpões podem ter apenas um inquilino”, explica Bilyk.

Leia mais: 9 passos para escolher um fundo imobiliário.

Crédito privado

Na renda fixa, é possível buscar mais rentabilidade nos fundos de crédito privado, mas para aplicar nesse tipo de fundo é preciso conhecer bem os ativos que compõem a carteira. Dependendo dos papéis, o risco desse investimento pode ser maior do que o risco da renda variável, pois em caso de calote do mutuário, o investidor fica a ver navios. “O investidor deve saber se o fundo investe em ativos mais seguros – de classificação de risco AAA, AA ou A – ou de mais alto risco. Quanto maior o risco, maior o prazo da carteira e menor a liquidez”, diz Paulo Bilyk.

Fundos de crédito privado costumam ter liquidez mais baixa, e Paulo Bilyk afirma que o sucesso do investimento é maior quando o cotista tem condição de aguardar para colher seus frutos. O sócio da Rio Bravo recomenda ainda evitar fundos caros e preferir aqueles em que gestão, administração e custódia não estejam concentradas na mesma instituição. “Quando há mais de uma instituição envolvida, elas debatem permanentemente entre si sobre o valor de mercado dos ativos”, explica.

Quem quiser correr menos risco, deve preferir os fundos que invistam em papéis de rating mais alto. A diversificação da carteira do fundo, porém, é um item fundamental para garantir o mínimo de segurança. Fundos que investem primordialmente em papéis emitidos pelo próprio gestor devem ser evitados. “O investidor deve se certificar que não haja conflitos de interesses. Além disso, os fundos não devem ser complicados, envolvendo outras transações que não simplesmente comprar e segurar o crédito, como operações com derivativos em volume importante”, completa Bilyk.

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