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Para quitar dívidas ou investir, vale a pena antecipar o benefício a qualquer momento do ano
São Paulo – Você vai sair de férias e a sua empresa lhe oferece a possibilidade de adiantar a primeira parcela do seu 13º salário. Principalmente para quem ainda não tem uma longa estrada profissional ou tempo como trabalhador formal, pode ficar a dúvida: será que é uma boa antecipar? Ou é melhor deixar o 13º quieto com vistas às pesadas despesas da virada de ano? Na maioria dos casos, vale sim a pena colocar a mão nesse dinheiro o quanto antes.
A ideia do benefício é que, ao ter acesso à parte do 13º salário ainda nas férias, o trabalhador em regime de CLT possa utilizá-lo para o momento de lazer. Mas muita gente lança mão do recurso para quitar dívidas já em andamento. Quanto antes você puder se livrar dos juros altos cobrados em dívidas de curto prazo – como cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo pessoal – melhor. “Se o juro é alto, a antecipação é altamente favorável”, diz Bolívar Godinho, professor do laboratório de finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA).
Mas quem está com o orçamento saudável pode ficar com a dúvida: melhor ter logo acesso ao dinheiro ou deixá-lo “preso” para utilizá-lo nas despesas da virada de ano? Nesse caso, o critério deve ser o seu autocontrole. Se você sabe que vai torrar o dinheiro antes da hora e acabar enforcado no fim do ano, deixar de pedir a antecipação torna-se uma espécie de poupança forçada. Mas se você está disposto a ter disciplina, pegue o dinheiro o quanto antes.
“Se você consegue antecipar seis meses, você tem seis meses de rendimento em uma aplicação financeira. A rentabilidade é baixa, mas do ponto de vista financeiro é bom de qualquer jeito”, diz Godinho. Quanto mais cedo você tiver acesso ao seu 13º salário, mais tempo ele poderá render. E não se preocupe se, após o adiantamento, houver um reajuste salarial para a sua categoria profissional ou mesmo um aumento de salário por conta de uma promoção – você receberá em dezembro, junto com a segunda parcela do 13º, a quantia equivalente ao reajuste do valor antecipado.
“Ao final do ano, o empregador é obrigado a recalcular a diferença, tendo em vista que a Lei fala que o 13º deve ser pago em dezembro. Embora isso não esteja literalmente na legislação, o 13º é sempre calculado com base no salário de dezembro”, explica Fabio Medeiros, sócio da área trabalhista do escritório de advocacia Machado & Associados.
Se o objetivo for guardar o dinheiro do 13º para as despesas de fim de ano ou para qualquer outro objetivo de curto prazo, as aplicações de renda fixa mais conservadora podem ao menos gerar algum juro até lá, o que é melhor do que deixar o dinheiro parado. Já se a ideia for integrar o 13º salário à sua estratégia de investimentos de médio ou longo prazo – por exemplo, para comprar um carro dali a dois anos ou aplicar para a aposentadoria – a poupança será mais leve quanto mais o tempo puder trabalhar a seu favor.
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