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Opinião | 25/01/2012 14:21

Para Freakonomics, só educação financeira não adianta

Autor de um dos livros de economia de maior sucesso dos últimos anos não acredita que as pessoas possam evitar problemas com dinheiro apenas com alfabetização financeira

João Sandrini, de
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Divulgação

Stephen J. Dubner, coautor de "Freakonomics"

Stephen J. Dubner, coautor de "Freakonomics": só educação financeira não é suficiente para que as pessoas tomem as decisões corretas

São Paulo – Lançado em 2005, “Freakonomics” se transformou rapidamente em um dos livros de economia mais lidos e vendidos da década passada. A mistura de estatística aplicada com textos ágeis para comprovar a relação improvável entre diversos fatos fez tanto sucesso que a dupla de autores, o jornalista Stephen J. Dubner e o economista Steven D. Levitt, decidiu abrir uma consultoria e criar subprodutos, como um DVD, um site, um blog e outro livro.

No mais recente programa de rádio disponível no blog, Dubner entrevista duas especialistas em finanças sobre a importância da educação para livrar as pessoas de enrascadas com dinheiro. A conclusão, pouco óbvia como sempre, é que somente estudos e leituras não adiantam e que as pessoas, infelizmente, precisam ser protegidas, de alguma maneira, do risco de se meterem em problemas financeiros.

O depoimento mais contundente é de Lauren Willis, professora de direito da Loyola Law School Los Angeles. Para ela, dar apenas um pouco de educação financeira para as pessoas pode deixá-las com a sensação de que já estão em condições de tomar sozinhas complexas decisões financeiras. O excesso de confiança pode levar uma pessoa geralmente prudente a assumir riscos desnecessariamente.

A professora afirma que não há estudos nem evidências de que as pessoas que estudaram um pouco de finanças foram capazes de tomar melhores decisões que as demais. Ensinar matemática em profundidade para a população, por outro lado, faria uma enorme diferença. “Há estudos que comprovam que quem tem conhecimentos matemáticos toma melhores decisões financeiras, mas não há evidências que alguém que saiba a diferença entre uma ação e um título de dívida faria algo melhor só porque isso lhe foi ensinado.”

Ela vai além. “É como se começássemos a ensinar todo mundo um pouco de medicina para que as pessoas comecem a ser seus próprios médicos. (...) Isso não é somente ineficiente como também reforça a cultura de culpar o próprio consumidor [pelos seus reveses]”, afirma. Para Lauren, o consumidor não pode começar a procurar problemas nele mesmo quando foi incentivado a investir na bolsa, perdeu dinheiro e não anteviu essa possibilidade.

A professora afirma que as pessoas precisam reconhecer que os produtos financeiros costumam ser realmente complexos, ainda que muitos deles sejam bons. Quem não tem capacidade de optar pelo produto correto para seu perfil e necessidades deveria consultar conselheiros financeiros que estejam aptos a assessorá-lo e que sejam isentos e não recebam comissões de corretoras ou fundos para vender determinados produtos.

Comentários (3)  

pobretão de vida ruim

Não adianta mesmo, só ver o pessoal comprando micos querendo ficar milionário.. http://vidaruimdepobre...

29.01.2012 | Ler comentário completo |  

Willer Alves da Silva Cruz

"Quem não tem capacidade de optar pelo produto correto para seu perfil e necessidades deveria consultar...

26.01.2012 | Ler comentário completo |  

Ronaldo Domingos

Prezados, me perdoem, mas o título da matéria é "Para Freakonomics, só educação financeira não adianta...

25.01.2012 | Ler comentário completo |  

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