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Mais importante do que não pôr os ovos na mesma cesta é saber cuidar das cestas
São Paulo – Diversificar, ou “não colocar os ovos na mesma cesta”, como enuncia o lugar-comum do mercado, é um dos mecanismos dos investidores para ganhar um diferencial de rentabilidade e reduzir os riscos da carteira. Mas isso só até certo ponto. Feita da forma incorreta, a diversificação pode até elevar os riscos sem aumentar a rentabilidade, ou mesmo reduzir a lucratividade da carteira. Na melhor das hipóteses, a diversificação além do recomendável torna-se inútil e apenas aumenta o estresse do investidor.
Não é que existam limites rígidos para diversificar. Mas estudos em finanças já mostraram que não adianta pulverizar demais os investimentos. E mais: o investidor pode pensar que está diversificando, quando na verdade não está. Veja a seguir os principais erros na diversificação que levam o investidor a comprometer sua rentabilidade ou liquidez:
A pulverização pode sair cara
Todo investimento tem um custo. Pulverizar demais as aplicações multiplica esses custos, o que acaba corroendo a rentabilidade. Quanto mais você pulveriza a sua carteira, menores são as quantias aplicadas em cada produto financeiro. Para quem tem pouco dinheiro e aplica em fundos, isso pode ser particularmente nocivo. Fundos com tíquete menor tendem a ter taxas de administração mais altas que aqueles com tíquete maior. Portanto, pode valer mais a pena aplicar 10.000 reais num bom fundo com uma taxa baixa do que investir 1.000 reais em cinco fundos diferentes e caros.
Outro exemplo é a pulverização dos recursos por diferentes instituições financeiras. Nesse caso, as despesas serão com as transferências de recursos e com a manutenção de todas essas contas. Prefira contas isentas de taxa e instituições que ofereçam diferentes tipos de produtos financeiros, como Tesouro Direto, fundos e títulos de crédito privado (como CDBs e debêntures), além das ações.
A redundância pesa no bolso
Muitas vezes o investidor pensa que está diversificando e não está; pior, está jogando dinheiro fora. Por exemplo, quem investe no Tesouro Direto e em um fundo de renda fixa conservadora simultaneamente está cometendo uma tremenda redundância. Esses fundos aplicam basicamente em títulos públicos, e cobram uma taxa de administração por isso.
As taxas de administração do Tesouro Direto variam de zero a 1% ao ano, mais uma taxa de custódia de 0,3% ao ano e uma taxa de 0,1% a cada negociação. A taxa de administração média de fundos de renda fixa conservadora é de 0,89%, segundo a Anbima, mas há fundos em que essa taxa chega aos 3% ou 4% ao ano. Para aplicações conservadoras, especialistas acreditam que o melhor é não pagar mais do que 1% ao ano no total. Como se vê, com os custos listados acima, aplicar em um fundo e no Tesouro Direto pode facilmente ultrapassar essa marca.
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