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São Paulo – Na vida, há duas maneiras de ficar mais pobre: ter uma redução nominal de renda ou ver os preços subirem mais que a própria remuneração. No Brasil, a renda real tem crescido nos últimos anos porque o desemprego anda muito baixo e a maioria das categorias profissionais consegue garantir todos os anos reajustes acima da inflação. O número utilizado como parâmetro para a inflação - seja o IPCA, o IGP-M ou o INPC - é sempre uma média de variações de centenas ou milhares de preços. O problema é que alguns produtos e serviços têm aumentado muito acima da média – e são exatamente esses que nos fazem sentir mais pobres.
Segundo cálculos da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a variação da inflação na cidade de São Paulo, atingiu 23,97% nos últimos quatro anos. Isso corresponde a uma inflação pouco superior a 5,5% ao ano – algo que não chega a chocar ninguém. “A inflação em si está sob controle, mas existem alguns reajustes específicos que assustam”, afirma Rafael Costa Lima, coordenador do IPC, da Fipe.
Entre os preços que mais subiram estão os estacionamentos. A alta média nos últimos quatro anos foi de 57,42%. As tarifas dos estacionamentos estão sendo pressionadas pela falta de espaço na cidade. Os poucos terrenos disponíveis em áreas centrais foram disputados a tapa pelas empresas do setor imobiliário nos últimos anos. “O estacionamento compete com outros negócios que poderiam ser erguidos em um bom terreno”, diz Lima, da Fipe. Daí a forte alta dos preços.
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