São Paulo – Pelo segundo mês seguido, o Ibovespa, principal índice de referência da Bolsa, teve o melhor resultado do ranking de investimentos mensal. Puxados pela alta do índice, os fundos que investem em ações que distribuem bons dividendos (lucro das empresas que são repassados aos acionistas) apareceram na segunda melhor posição do balanço. E a terceira maior rentabilidade do mês foi apresentada pela Nota do Tesouro Nacional série B (NTN-B) com vencimento em 2050, título do Tesouro Direto que paga ao investidor uma taxa de juro pré-fixada mais a variação da inflação.

Veja na tabela a seguir as performances das aplicações financeiras e dos indicadores de mercado em outubro e no acumulado do ano.

Aplicação Desempenho em outubro Desempenho no ano Fechamento em
Ibovespa 3,66% -10,98% 31/10/2013
Fundos de ações dividendos* 2,09% 0,47% 25/10/2013
NTN-B (vencimento em 15/08/2050)* 2,05% -18,92% 31/10/2013
Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX) 1,93% -9,77% 30/10/2013
NTN-F (vencimento em 01/01/2023)* 1,55% -4,56% 31/10/2013
Fundos de ações Ibovespa Ativo* 1,45% -1,74% 25/10/2013
Fundos de ações livres* 1,31% 2,76% 25/10/2013
LTN (vencimento em 01/01/2017)* 1,14% --- 31/10/2013
LFT (vencimento em 07/03/2014)* 0,81% 6,60% 31/10/2013
IGP-M (estimativa do Banco Central) 0,80% 5,78% 25/10/2013
Fundos de Renda Fixa* 0,79% 5,5% 25/10/2013
NTN-F (vencimento em 01/01/2014)* 0,78% 5,61% 31/10/2013
LTN (vencimento em 01/01/2014)* 0,78% 5,57% 31/10/2013
Fundos referenciados DI* 0,77% 6,5% 25/10/2013
Selic* 0,73% 6,55% 29/10/2013
CDI* 0,72% 6,41% 29/10/2013
LFT (vencimento em 07/03/2017) 0,64% 6,49% 31/10/2013
Fundos Multimercados Juros e Moedas* 0,62% 3,54% 25/10/2013
IPCA (estimativa do Banco Central) 0,57% 5,83% 25/10/2013
Poupança antiga 0,51% 5,18% 28/10/2013
Poupança nova* 0,51% 4,59% 28/10/2013
NTN-B (vencimento em 15/05/2015)* 0,47% 2,95% 31/10/2013
NTN-B Principal (vencimento em 15/05/2015)* 0,45% 2,73% 31/10/2013
Fundos Multimercado Multiestratégia* 0,41% 3,71% 25/10/2013
Fundos Multimercado Macro* 0,35% 5,21% 25/10/2013
Fundos de ações Small Caps* -0,57% -8,74% 25/10/2013
NTN-B Principal (vencimento em 15/05/2035)* -1,02% -23,87% 31/10/2013
Dólar comercial -1,85% 7,11% 30/10/2013
Ouro -4,04% -15,13% 30/10/2013

Fontes: Banco Central, BM&FBovespa, Tesouro Nacional e Anbima.
(*) Últimos 30 dias até a data de fechamento
(**) Expectativa de inflação para o ano de 2013.

Renda Fixa

Entre as aplicações de renda fixa, que são mais conservadoras e possuem sua forma de remuneração definida previamente, as Notas do Tesouro Nacional série B com vencimento em 2050 tiveram o melhor resultado no mês de outubro. 

Segundo Conrado Navarro, sócio-fundador do blog Dinheirama, a perspectiva de alta da taxa de juro básica da economia, a Selic, foi a responsável pelo bom desempenho da NTN-B no mês. “Com a perspectiva de alta da Selic e da inflação, como a NTN-B tem seu pagamento atrelado a esse retorno de juro e da inflação, é natural que a NTN-B de longo prazo se beneficie. Como novamente o mercado fala que os juros podem chegar a dois dígitos em dezembro é natural que a renda fixa volte a ser atraente e que as aplicações de renda fixa se destaquem no ranking”, diz.

As NTN-Bs são títulos bastante indicados para quem investe com foco na aposentadoria, já que elas oferecem sempre um rendimento acima da inflação. Especialistas têm recomendado a compra desse título por causa da atratividade das suas taxas, que estão próximas aos 6% (saiba qual NTN-B comprar para investir para a aposentadoria). 

A Nota do Tesouro Nacional série F (NTN-F) - que remunera o investidor com uma taxa de juro anual que é pré-fixada - figurou como a segunda melhor aplicação do ranking dentre as aplicações de renda fixa. “A alta da NTN-F se encaixa no mesmo contexto da NTN-B. A renda fixa como um todo subiu como reflexo da perspectiva de alta dos juros, que resgata a confiança do investidor”, afirma o sócio-fundador do Dinheirama. 

Renda variável

Investimentos em renda variável também mostraram sinais de recuperação neste mês, puxados pela alta da Bolsa. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, encerrou outubro com valorização de 3,66%, registrando sua quarta alta mensal consecutiva e o melhor resultado do balanço de investimentos de outubro. 

Entre os fatores que puxaram a alta do índice se destacam a expectativa de mais ganhos em novembro com a saída da OGX do índice e o otimismo com a Petrobras. E para Conrado Navarro, também contribuíram para a alta a mudança da metodologia do Ibovespa - que dará menos vazão a empresas muito negociadas, mas que possuem baixo volume financeiro e pesam no índice, como a OGX - e o anúncio do banco central americano (FED), de que os estímulos econômicos não serão retirados tão cedo, o que tranquilizou as bolsas internacionais.

Os fundos de dividendos, que investem em ações que costumam distribuir mais dividendos (lucros) aos acionistas, ocuparam a segunda posição do ranking.

As ações boas pagadoras de dividendos (lucros das companhias que são repassados aos acionistas) geralmente são de empresas líderes de mercado ou que atuam em segmentos com demanda estável. Por essas características, são ações defensivas, que não sofrem como aquelas mais influenciadas pelo cenário macroeconômico. Além disso, são empresas com baixa necessidade de reinvestimento, o que garante uma maior capacidade de repassar lucros aos acionistas.

“É bem natural que com a recuperação da Bolsa e com as melhores perspectivas os investidores voltem a buscar a renda variável. E as empresas que pagam bons dividendos são uma boa porta de entrada porque são companhias mais sólidas”, comenta Navarro.

O desempenho dos fundos imobiliários, medido pelo Índice de Fundos de Investimento Imobiliário, também está entre os melhores do mês. “Os fundos imobiliários, que têm ativos negociados em Bolsa, também se aproveitam dessa retomada do Ibovespa. Eles estavam apresentando resultados ruins, mas quando o investidor volta a retomar sua confiança no mercado de renda variável, ele volta a investir em produtos que não pareciam tão interessantes antes”, diz o sócio-fundador do Dinheirama. 

Veja no vídeo a seguir quais são as melhores aplicações de baixo risco atualmente, segundo Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas:

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