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Falência | 25/05/2012 06:30

Os erros que empobrecem até jogadores de futebol

Gastança, maus investimentos, oportunistas e divórcios que arrasam as finanças dos atletas ensinam lições aos anônimos que têm algum patrimônio

Daniel Kfouri/Placar

O empresário Ronaldo

Quando Ronaldo procurou uma casa para morar em SP, os preços inflaram na região

São Paulo - Quase toda notícia de jogadores de futebol que vão à falência vem acompanhada de informações que levam a crer que os motivos foram exclusivamente os excessos de gastos e a vida desregrada. Em muitos casos, no entanto, a confiança na pessoa errada, mesmo em um familiar, ou os maus investimentos, como foi no caso das Fazendas Boi Gordo, se revelam os principais fatores da derrocada.

Estas situações são as mesmas que muitas vezes arruínam também outros famosos, médicos e advogados bem-sucedidos. A riqueza e a fama muitas vezes trazem consigo pessoas mal intencionadas e os conselhos negativos de aproveitadores. Desde um “amigo” que orienta um suposto bom investimento, até um corretor que aumenta o valor do imóvel ao saber que o cliente é milionário.

Segundo o gerente da empresa de consultoria alemã Schips Finanz, Hans Schips, metade dos atletas encerra a carreira na falência. Um caso que ganhou repercussão foi o do ex-atacante do São Paulo Müller, que chegou ao ponto de ir morar de favor com o também ex-jogador Pavão. Hoje, ele está atuando como comentarista em um canal de esportes e tenta recompor sua vida, mas infelizmente este não é o desfecho mais comum entre os jogadores.

Em vista disso, há um mês, William Machado, ex-capitão do Corinthians, iniciou um projeto de consultoria financeira para jogadores em parceria com a Baum Investimentos. William começou a se interessar por finanças quando entrou na faculdade de Ciências Contábeis. Por causa do futebol, ele abandonou o curso um anos antes de se formar, mas pensa em voltar para finalizar a graduação. Atualmente, ele investe em ações, imóveis e eucalipto, e está contente com o novo desafio. “O projeto de educação financeira é interessante porque o jogador terá a experiência de profissionais especializados e eu poderei fazer o intermédio, traduzindo o que for preciso”, diz.

Em entrevista a EXAME.com, William identificou quais são os principais erros que levam os jogadores a uma trajetória de falência. E a conclusão a que se pode chegar é que esses problemas valem também para quem não é famoso ou milionário, mas afetam principalmente quem tem boas condições financeiras.

Casamentos breves

Segundo William, a maior parte dos jogadores se casam muito cedo, por volta dos 22 anos. E isso, isoladamente, não seria um problema. O que acaba causando prejuízos é que muitos dos matrimônios futebolísticos terminam cedo. “Muitos se casam em comunhão total de bens e têm que passar 50% de tudo que têm à mulher”, diz.

Boa parte dos jogadores constrói o patrimônio durante a carreira, que costuma durar cerca de 14 ou 15 anos. Como eles param de jogar na faixa dos 35 anos, a cessão de metade dos recursos à ex-esposa, aliada à aposentadoria acaba sendo uma combinação fatal. O jogador acaba com uma renda mensal ínfima e é obrigado a trabalhar em funções que em nada remontam aos tempos do estrelato.

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