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Julio Ortiz Neto, da Rio Bravo: a procura por fundos e títulos imobiliários têm sido grande
São Paulo – Virou tendência no mundo todo que os bancos criem divisões especializadas em atender pessoas com patrimônio superior a 1 milhão de reais. Dentro do chamado private banking, o cliente tem acesso a uma orientação personalizada para lhe auxiliar na difícil tarefa de decidir como e onde investir o próprio dinheiro. No Brasil, não é diferente. Segundo dados da Anbima (a associação de bancos e fundos de investimento), o setor de private banking cresceu 26% nos últimos 12 meses e já é responsável pela administração de quase 400 bilhões de reais.
Não é novidade para ninguém que a maior parte desse dinheiro esteja aplicada em renda fixa. Nos últimos 12 meses, entretanto, ficou clara a tendência de uma migração ainda maior de recursos para esses títulos e fundos, com os gestores e os investidores tirando proveito do aumento da taxa básica de juros da economia brasileira. Fundos imobiliários e de previdência aberta foram outros dois produtos que atraíram a atenção dos milionários e se destacaram em crescimento. Na entrevista abaixo, o diretor de private banking da Rio Bravo, Julio Ortiz Neto, explica para onde o dinheiro tem caminhado:
EXAME.com - Os investimentos em fundos imobiliários cresceram 220,9% nos 12 últimos meses e alcançaram 3,091 bilhões de reais. Por que a procura por esse produto foi a que mais cresceu?
Julio Ortiz - A grande vantagem dos fundos imobiliários é que o investidor não precisa pagar Imposto de Renda sobre as receitas com aluguéis se comprar quotas negociadas em bolsa de fundos com mais de 50 quotistas e onde os quotistas não detenham mais de 10% do patrimônio total. Essa é uma vantagem muito grande em relação à opção de comprar um imóvel como investimento. Nesse caso, a renda com aluguel é tributada em até 27,5%, de acordo com a tabela do Imposto de Renda. Os fundos imobiliários também permitem que o investidor se aproprie da atual fase de valorização dos imóveis. Nós lançamos o fundo Rio Bravo Renda Corporativa no ano passado em que cada quota foi negociada por 1,35 real. Hoje as quotas valem 1,70 real na bolsa.
Acredito que o setor de fundos imobiliários ainda vai crescer muito porque se trata de um instrumento financeiro adequado para obter uma boa renda com risco moderado. Nos Estados Unidos, os fundos imobiliários e de renda fixa possuem praticamente o mesmo patrimônio. Não estou dizendo que um dia isso também vai acontecer aqui. As distâncias ainda são enormes. Mas uso esse dado para mostrar o potencial de crescimento dos fundos imobiliários nos próximos anos. As pessoas estão começando a perceber isso. Muita gente liga aqui em busca de ajuda para investir no produto.
EXAME.com – No que mais os clientes andam bastante interessados?
Ortiz – Também sentimos um grande aumento de procura por LCI [Letras de Crédito Imobiliário] e LH [Letras Hipotecárias]. São de títulos lastreados por créditos imobiliários que têm imóveis como garantia. A grande vantagem também é a isenção de Imposto de Renda. Os papéis são emitidos pelos bancos como forma de financiar a concessão de crédito imobiliário. O produto funciona de forma parecida com o CDB. O próprio banco recompra o papel se o cliente precisar de liquidez. A diferença é que o investimento mínimo necessário para investir em LCI é mais alto. Então é um produto que não serve para todos os investidores, mas se encaixa no perfil do cliente de private banking.
EXAME.com – Quando alguém deve escolher uma LCI e quando é melhor optar por um fundo imobiliário?
Ortiz – A principal diferença é que o fundo permite que o investidor se aproprie da valorização dos imóveis se ela vier a ocorrer – lógico que também há o risco de o imóvel se desvalorizar. Já a LCI é um título de crédito. O investidor recebe a remuneração dos créditos imobiliários.
EXAME.com – Os números da Anbima mostram que houve uma migração de recursos de ações para a renda fixa dentro da indústria de private banking num período que muita gente esperava que houvesse crescimento da renda variável no Brasil. O que aconteceu?
Ortiz - Acho que a expectativa de crescimento do mercado acionário ainda existe. O patrimônio investido em ações no Brasil dá 12% ou 13% do total enquanto nos EUA chega a 40%. O problema é que os juros estão em alta no Brasil, o que estimula as pessoas a aproveitar o retorno da renda fixa. Com o aumento da Selic de 8,75% para 12% ao ano, por que alguém vai correr risco? Nós olhamos para os fundamentos da bolsa brasileira e achamos que está mais para barata do que para cara. O problema é que ninguém sabe o que vai acontecer no curto prazo. Aconselhamos o investidor a entrar somente se ele tiver tempo para esperar que os retornos apareçam.
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Jose
COM A SELIC A 12% E O MERCADO DE ACOES QUE SUBIU MAIS DE 600% NOS ULTIMOS ANOS FAZENDO EMPRESAS BRASILEIRAS...
30.05.2011 | Ler comentário completo |
Finanças Inteligentes
Cuidado para não confundir renda fixa com fundo imobiliário. O mercado está panfletando demais os FIIs...
30.05.2011 | Ler comentário completo |