São Paulo – A escolha dos melhores investimentos depende do objetivo, do prazo e do valor que o investidor tem disponível. Uma aplicação que pode ser muito boa para o longo prazo, pode ser a pior opção para o curto prazo. E um investimento muito bom para quem tem 50 mil reais, pode ser muito ruim para quem tem menos de 10 mil. Por isso, para o escolher o investimento mais vantajoso no curto prazo é preciso avaliar as opções mais indicadas de acordo com cada situação.

A primeira regra para quem tem pouco tempo para investir é evitar aplicações arriscadas e com pouca liquidez (que não permitem o resgate do dinheiro a qualquer momento).

Ao investir em aplicações com maior risco, se houver algum prejuízo no meio do caminho, haverá pouco tempo para recuperar a perda, enquanto no longo prazo é possível arriscar mais, já que com mais tempo o prejuízo pode ser compensado. Se o investidor precisar resgatar o dinheiro em pouco tempo, aplicações que não permitem o resgate imediato do dinheiro também não são boas opções.

Mesmo algumas aplicações com maior liquidez podem não ser tão boas no curto prazo. Se o investidor precisa resgatar o dinheiro em uma data específica, pode ser que quando precise do dinheiro o investimento não esteja no seu melhor momento. Nesse caso, o investidor pode até perder dinheiro, caso a aplicação tenha se desvalorizado.

É o caso do Tesouro Direto. Os títulos do governo federal pagam exatamente o que prometem se o investidor ficar com o título até o vencimento. Mas os títulos disponíveis para compra não possuem vencimento no curto prazo (o vencimento mais próximo é para 2016). Portanto, se o investimento for feito hoje e o dinheiro precisar ser resgatado no curto prazo, o investidor precisaria vender o título antes do vencimento. Ao fazer isso, o investidor fica sujeito a vendê-lo em um momento de baixa.

Veja a seguir os investimentos mais indicados por especialistas para investir em curtos períodos de tempo com pouco risco.

Em 3 meses

Para pequenas quantias (abaixo de 50 mil reais): poupança e LCI de bancos médios que remunerem acima de 90% do CDI.

Para quantias altas (acima de 50 mil reais): poupança, LCI de bancos médios e LCI de bancos grandes que remunerem acima de 90% do CDI.

No curto prazo não são indicados os investimentos em renda variável, como as ações, justamente porque seu valor oscila e os rendimentos pagos pelas empresas também variam. Esses ativos são, portanto, mais arriscados para quem não tem tempo de recuperar as perdas.

Mesmo na renda fixa (investimentos que têm sua forma de remuneração pré-definida) há poucas alternativas para o prazo de três meses. Isso porque nesse prazo de investimento, a alíquota de imposto de renda sobre o rendimento é bastante alta. Para aplicações de até 180 dias, paga-se 22,5% de imposto de renda. A alíquota passa para 20% para aplicações entre 181 e 360 dias; 17,5% entre 361 e 720 dias; e 15% para prazos superiores a 720 dias.

Por isso, o mais indicado para o prazo de três meses são as aplicações isentas de IR, como a poupança e a Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Esta última é um título emitido por instituições financeiras que tem lastro em créditos imobiliários. Ou seja, por meio da LCI, os bancos captam o dinheiro junto aos investidores para financiar empreendimentos imobiliários.

De acordo com o planejador financeiro da consultoria Dinheirama, Conrado Navarro, para valer mais a pena que a poupança, a LCI deve remunerar acima de 90% do CDI. Só que esta remuneração não é encontrada em qualquer banco se o valor investido for baixo. “O aporte mínimo de uma LCI costuma ser de 30 mil reais, e a carência costuma ser de 60 dias”, afirma Navarro.

Em bancos médios é possível encontrar LCIs que remuneram acima de 90% do CDI em três meses para pequenas quantias investidas. Os bancos grandes só começam a ter esse tipo de remuneração a partir de seis meses. No banco Sofisa Direto, por exemplo, uma LCI de três meses remunera 91% do CDI para qualquer valor investido, e o aporte mínimo é de um real.

Contudo, bancos médios são mais arriscados que bancos grandes. Para se resguardar, o investidor não deve investir mais que 70 mil reais em LCIs de uma única instituição financeira, pois este é o limite garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ainda assim, caso o banco quebre, o investidor pode ter que esperar dias ou até meses para recobrar seu investimento.

Se o investidor não quiser correr o risco de não ver seu dinheiro após três meses, a melhor opção é mesmo a poupança em um grande banco, onde esse risco de quebra é menor. A poupança também tem garantia do FGC para valores de até 70 mil reais por CPF.

Veja na tabela a comparação entre a poupança, a LCI e um CDB, que perde por sofrer a incidência de imposto de renda. As simulações consideram a Selic atual (7,25% ao ano):

Investimento Desconto de imposto de renda em três meses Valor total após três meses p/ investimento de 1.000 reais Valor total após três meses p/ investimento de 50.000 reais
Poupança Não tem R$ 1.012,94 R$ 50.616,74
LCI que pague 90% do CDI Não tem R$ 1.015,88 R$ 50.793,88
CDB que pague 90% do CDI 22,5% R$ 1.012,31 R$ 50.615,26

Repare que há uma diferença de poucos reais entre a LCI e a poupança. Por isso, talvez a poupança seja a melhor opção, já que, além de ter menos riscos, o investimento pode ser feito no banco em que o investidor já tem conta, sem que seja preciso procurar um banco que ofereça a LCI a 90% do CDI.

Além da praticidade da poupança, eventuais custos de transferência de recursos por TED ou DOC para o banco que emite a LCI podem tornar a caderneta a opção mais rentável.

Em 6 meses

Para pequenas quantias (abaixo de 50 mil reais): poupança, LFT (título do Tesouro Direto), LCI de bancos médios que remunerem acima de 90% do CDI e CDBs de bancos médios que remunerem acima de 100% do CDI.

Para quantias altas (acima de 50 mil reais): LFT (título do Tesouro Direto), LCI de bancos médios que remunerem acima de 90% do CDI; CDBs de bancos médios que remunerem acima de 100% do CDI e fundos DI com taxas de administração de no máximo 0,5% e com previsão de remuneração acima de 100% do CDI.

O imposto de renda descontado ainda é alto, mas a alíquota incidente cai para 20% se o prazo for superior a 180 dias. Por isso, novamente algumas das melhores opções de investimento são aplicações de renda fixa isentas de imposto de renda - a LCI e a poupança. Mas, com um IR um pouco menor, alguns investimentos tributados podem ser boas alternativas.

As Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) são títulos do Tesouro Direto atrelados à taxa Selic. São os títulos públicos mais conservadores, pois são os que sofrem menos oscilações de preços - notadamente aqueles que têm prazos mais curtos. Sua remuneração normalmente é bem próxima da taxa básica de juros, mesmo quando o título é vendido antes do vencimento. Perdas podem ocorrer caso o Banco Central suba a Selic acima do esperado pelo mercado. Mesmo assim, na comparação com os outros títulos, a LFT é a opção mais indicada para o curto prazo, pois é a menos volátil.

Além do IR, o investimento no Tesouro Direto sofre o desconto de uma taxa de custódia de 0,3% ao ano e uma eventual taxa de administração do agente de custódia. O ideal, portanto, é investir por meio de uma corretora que não cobre taxa de administração. Apesar do custo extra, as LFTs são mais rentáveis que a poupança.

Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) são títulos emitidos pelos bancos para captar recursos, e o ideal é que remunerem mais de 100% do CDI. Novamente, para obter essa remuneração com quantias menores em um prazo de seis meses, a saída é procurar os bancos médios. Os CDBs de bancos grandes só começam a pagar mais de 100% do CDI para prazos superiores a três anos.

Para o investimento em CDBs também existe a cobertura do FGC de até 70 mil reais por CPF, em caso de quebra do banco. Portanto, conforme já mencionado, antes de investir em um banco médio vale ponderar se é possível correr o risco de não conseguir resgatar o valor imediatamente em uma eventual falência do banco.

Já os fundos DI costumam investir em ativos atrelados ao CDI e à Selic, como as LFTs. Seu risco é baixo, o que os torna ideais para o curto prazo. Mas para serem vantajosos em relação às demais aplicações, o ideal é que a taxa de administração não ultrapasse 0,5% ao ano e que a remuneração seja superior a 100% do CDI.

Como nos fundos DI não há uma rentabilidade garantida, é preciso saber qual percentual do CDI o fundo busca pagar e observar seu histórico de rentabilidade, informações que costumam ser divulgadas pelos gestores.

Veja na tabela abaixo a comparação desses investimentos. As simulações são feitas com base na Selic atual (7,25% ao ano).

Investimento Desconto de imposto de renda Valor total em seis meses investindo 1.000 reais Valor total em seis meses investindo 50.000 reais
Poupança Não tem R$ 1.024,82 R$ 51.241,09
LCI que pague 90% do CDI Não tem R$ 1.032,01 R$ 51.600,36
CDB que pague 100% do CDI 20% R$ 1.028,49 R$ 51.424,63
Fundos DI que paguem 100% do CDI 20% R$ 1.026,49 R$ 51.324, 53
LFT 20% R$ 1.027,26 R$ 51.362,00

Como é possível observar, em seis meses a diferença entre a LCI, a poupança e as LFTs é mais significativa, sobretudo se o investimento for de 50 mil reais, faixa em que a diferença de rendimento chega a superar os 300 reais. Ainda assim, a poupança tem a vantagem da praticidade e da segurança de um banco grande; a LFT tem a vantagem de ser o investimento de menor risco de calote, pois o risco é o governo; e as LCIs e CDBs de bancos médios têm o risco da instituição financeira emissora quebrar.

Já na comparação entre a poupança, os fundos DI e as LFTs, a poupança fica muito mais vantajosa, já que ela é mais prática e a diferença de rendimento entre as três aplicações é muito pequena no prazo de seis meses. O investidor pode considerar que não vale a pena abrir mão da facilidade da poupança, por exemplo, para ganhar um pouco a mais em um fundo DI com condições mais difíceis de serem encontradas no mercado.

Para investidores com maior apetite para risco

Quem pensa em investir em um prazo de seis meses, mas não necessariamente precisará de todo o valor investido ao final do período, talvez possa correr um pouco mais de risco.

Jan Karsten, diretor do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF) sugere que esse investidor mais arrojado invista parte do dinheiro em fundos de renda fixa - índices, também chamados de fundos de inflação, ou fundos multimercados macro. Os primeiros investem em ativos de renda fixa atrelados a índices de inflação; já os segundos investem em vários tipos de ativo, tanto de renda fixa quanto de renda variável, seguindo a estratégia mais vantajosa de acordo com o momento econômico.

“Esses fundos seriam indicadosse o investidor tiver um montante alto para investir e puder correr mais riscos. Por exemplo, se ele tivesse mais de 100 mil reais e pudesse investir cerca de 50 mil reais em um fundo multimercado, porque esse tipo de fundo exige aportes mais altos”, afirma Karsten.

Ele acrescenta ainda que, no caso do multimercado, convém se informar sobre a liquidez do fundo, já que alguns deles tem baixíssima liquidez. “Há fundos em que o resgate só pode ser feito um mês depois da solicitação”, diz.

Os fundos de inflação podem ser indicados porque têm mais potencial de ganho do que fundos de renda fixa mais conservadores. No cenário atual, a inflação está com uma tendência de alta, mas ainda assim esses fundos têm riscos.

Nos primeiros meses do ano, os fundos de inflação amargaram perdas diante da possibilidade de aumento da taxa Selic para controle da inflação. Agora, o mercado já prevê que 2013 termine com uma Selic mais alta, mas a previsão para a inflação também aumentou. O cenário de incertezas torna o investimento de curto prazo em fundos de inflação mais arriscado. Contudo, se o governo conseguir controlar os preços por outros meios, esses fundos voltariam a trazer alegrias.

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