São Paulo – As ações da Petrobras fecharam em alta de 5,30% nesta segunda-feira, depois que a estatal arrematou a exploração do campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, junto com outras quatro empresas. Sem concorrência, o consórcio conseguiu levar o campo de 1,5 mil km2 com a proposta de pagamento mínimo previsto no edital do leilão: 41,65% do lucro em óleo para a União. Mas essa disparada no preço dos papéis da Petrobras representa a salvação do acionista?

Em 2013, o preço das ações preferenciais da petroleira (PETR4) praticamente não se moveu: em 18,76 reais estava no último pregão de 2012, em 18,88 reais fechou nesta segunda, após a recente recuperação. Em 12 meses houve queda de 9,32%, e em três anos, a desvalorização foi de 15,26%.

Com uma dívida líquida de mais de 175 bilhões de reais ao fim do segundo trimestre e um gigantesco plano de investimentos de 237 bilhões de dólares pela frente, a Petrobras ainda vem sofrendo com o controle estatal sobre os preços dos combustíveis. O temor que cercava o leilão do campo de Libra – do qual a Petrobras é operadora exclusiva, já contando com 30% do consórcio vencedor logo de saída – era de que a estatal fosse onerada ainda mais.

Ocorre que, além dos 30% obrigatórios, a Petrobras ficou com uma parcela de apenas 10% no consórcio, o equivalente a 40% no total. O restante ficou com Shell (20%), Total (20%) e as chinesas CNPC (10%) e CNOOC (10%). “Foi uma boa surpresa a participação da Shell e da Total com 20% cada uma. Do custo de 15 bilhões de reais do bloco de Libra, a Petrobras só terá de arcar com 6 bilhões de reais. O mercado esperava que fosse mais”, diz André Moraes, analista do Rico, home broker da Octo Investimentos, justificando a alta desta segunda.

Para ele, a perspectiva para a empresa e suas ações, ao menos no curto prazo, é boa, uma vez que a participação menor que o esperado não deve impactar tão negativamente no endividamento da companhia.

Pelo lado da exploração, as perspectivas para a empresa também são boas, segundo relatório do Brasil Plural assinado por Andrew Muench e Diana Stuhlberger. Com extração diária estimada em 1,4 milhão de barris de petróleo por dia, Libra pode fazer com que o Brasil pule da 13ª para a sétima posição no ranking dos maiores produtores do mundo, com uma produção diária de 2,14 milhões de barris por dia.

Pelos cálculos do Brasil Plural, a receita líquida anual da empresa pode pular dos atuais 280 bilhões de reais para até 340 bilhões de reais em 2016, sem contar o pré-sal. Já o lucro bruto pode aumentar em 24 bilhões de reais nos próximos quatro anos, caso a agenda prevista pela empresa seja cumprida, diz o relatório.

O leilão de Libra também deve impactar as ações da Petrobras positivamente no longo prazo. A corretora Ativa, por exemplo, já recomenda os papéis da companhia nas suas carteiras de longo prazo há bastante tempo, por acreditar que a companhia tem um portfólio bem interessante e que a reserva do pré-sal tem potencial para aumentar muito a produção. “Libra trouxe um volume estimado entre oito e 12 barris de petróleo, o que é muito grande”, diz o analista Marcelo Torto.

Na opinião dele, o arremate do campo de Libra foi bom para a ação principalmente em três pontos: a participação de 40%, pouco mais do que o mínimo obrigatório que o mercado já esperava, o que não vai representar um peso adicional para a estatal; o fato de apenas o percentual mínimo ser pago à União, o que significa que o consórcio terá a maior rentabilidade possível no negócio; e a participação da Shell e da Total, duas empresas que aumentam as chances de uma cooperação técnica mais forte com a Petrobras, em comparação ao que ocorreria se fossem apenas as duas chinesas.

Apesar de a Petrobras ainda ter problemas pela frente, Torto acredita que no médio e longo prazo a perspectiva é positiva. “A produção de óleo e gás deve voltar a crescer no quarto trimestre, e ao longo de 2014 devemos ver um crescimento mais significativo da produção da empresa”, observa.