São Paulo – Manter um carro por 10 anos em vez de trocá-lo depois de cinco anos, pode gerar uma economia de milhares de reais, o valor suficiente para comprar um carro 0K popular. A consultoria automotiva Jato Dynamics elaborou um estudo a pedido de EXAME.com comparando os custos para manter um carro por 10 anos, ou por 200.000 quilômetros, e qual seria o custo caso o mesmo veículo fosse trocado depois de 5 anos, ou aos 100.000 quilômetros. O resultado mostrou que ficar com o mesmo carro por mais tempo pode levar o motorista a economizar mais de 26.000 reais, sem considerar a economia em não comprar o segundo carro.

Nas tabelas abaixo podem ser observados os resultados do estudo elaborado pelo Gerente de Atendimento da Jato Dynamics, Milad Kalume Neto para quatro carros: Fiat Palio, Honda Civic, Toyota Corolla e Volkswagen Gol. No estudo, 10 anos de uso correspondem a um total de 200.000 quilômetros rodados, o equivalente a 20.000 quilômetros por ano. E a troca depois de cinco anos equivale ao uso do carro até os 100.000 quilômetros, também rodando 20.000 quilômetros por ano.

  Honda Civic LXL 2013, motor 1.8, quatro portas = R$ 69.990 Toyota Corolla XEI 2013, motor 2.0, quatro portas = R$ 71.630
Custos do proprietário Mantendo o carro por 10 anos  (R$) Comprando um novo Civic depois de cinco anos (R$) Mantendo o carro por 10 anos (R$) Comprando um novo Corolla depois de cinco anos (R$)
Depreciação 56.040 70.828 58.400 72.776
Seguro 13.934 20.937 17.221 25.270
Revisões e manutenção 35.517 31.402 33.192 28.856
Impostos (Licenciamento + DPVAT + IPVA) 14.105 22.601 14.286 23.093
Pneus 7.370 6.700 7.370 6.700
Custo total 126.967 152.468 130.470 156.695
Economia ao manter o carro por 10 anos 25.141 26.225
  Fiat Palio Economy 2013, motor 1.0, duas portas = R$ 23.290 Volkswagen Gol 2013, motor 1.0, duas portas = R$ 24.291
Custos do proprietário Mantendo o carro por 10 anos (R$) Comprando um novo Palio depois de cinco anos  (R$) Mantendo o carro por 10 anos  (R$) Comprando um novo Gol depois de cinco anos  (R$)
Depreciação 15.242 22.218 16.058 22.250
Seguro 13.789 18.763 15.691 21.514
Revisões e manutenção 24.319 19.658 21.543 17.934

Impostos (Licenciamento + DPVAT + IPVA)

6.260 8.590 6.523 8.892
Pneus 4.136 3.760 4.663 4.238
Custo total 63.746 72.989 64.478 74.828
Economia ao manter o carro por 10 anos 9.243 10.350

Metodologia do estudo

Kalume explica que foram usados para o estudo os preços dos veículos sugeridos pelas montadoras sem qualquer acessório e opcional. O item “revisões e manutenção” contempla os valores das revisões e das peças que, teoricamente, seriam trocadas no período, de acordo com os manuais de uso das concessionárias, além dos gastos com as respectivas mãos de obra incluídas nos serviços. Os impostos contemplam licenciamento, o DPVAT e o IPVA. E foram considerados os pneus originais do veículo para a troca.

A Jato Dynamics faz estimativas de depreciação em no máximo cinco anos. Assim, para calcular a depreciação entre o 5º e o 10º, Kalume usou como base o valor médio de depreciação encontrado para veículos semelhantes existentes 10 anos atrás. “Este parâmetro é uma extrapolação para se encontrar o valor da depreciação, não seria 100% aceitável para um estudo científico. Mas, como colocamos os quatro veículos sob a mesma base, não teremos tantas divergências nos valores finais”, explica Milad Kalume.

Por que comprar um carro novo sai mais caro?

Como se pode notar, um dos maiores custos ao longo dos anos é a depreciação do carro. A depreciação corresponde à diminuição do valor dos carros, resultante do desgaste pelo uso. O gerente da Jato Dynamics explica que a depreciação nos primeiros anos é mais acentuada, sendo a do primeiro ano a maior de todo o período. “É aquilo que costumamos falar: ‘o carro sai da concessionária e já desvaloriza cerca de 20%’”, diz. Isso pode explicar por que a depreciação é menor quando o mesmo carro é mantido por 10 anos.

Kalume também explica que os impostos são mais carros para carros novos. “No Brasil paga-se mais imposto pelos veículos mais novos; é ilógico, mas é o que encontramos no nosso sistema”, diz. O DPVAT, que é o seguro obrigatório e o licenciamento, ambos cobrados anualmente, não variam de acordo com o carro e o tempo de uso, apenas com o estado. Já o IPVA é cobrado anualmente e varia entre 1% e 6% sobre o valor de mercado do veículo, dependendo do estado. Assim, ao longo dos anos, o imposto vai diminuindo conforme é reduzido o valor de mercado do carro. Por isso, os impostos em carros novos acabam mais caros.

A mesma lógica vale para os seguros. Conforme Kalume explica, como o valor do seguro é definido sobre o preço do carro – já que em caso de sinistro a seguradora paga a cobertura correspondente ao valor de cada veículo – com o passar dos anos, o valor tende a diminuir. Enquanto na compra de um novo carro, o valor será cobrado proporcionalmente ao preço do veículo novo e, portanto, será mais alto.

Vale ressaltar que o estudo é hipotético. Se o carro sofrer um acidente, por exemplo, e o motorista precisar acionar o seguro, no ano seguinte o perfil de risco do motorista se modificará e isso pode implicar em aumento do valor cobrado pela seguradora. Nesse caso, mesmo que o valor de mercado do carro sofra uma redução, o valor do seguro pode aumentar.

Daniel Mosardo, dono da corretora de seguros DM Five, explica ainda que algumas seguradoras não diminuem o valor do seguro no primeiro ano, mas apenas depois de dois ou três anos. “A seguradora pode cobrar por exemplo 5% do valor do carro pelo seguro, mas no outro ano, quando o valor do carro diminui, ela continua cobrando a mesma taxa, mesmo que a porcentagem de 5% sobre o valor do carro diminua com a depreciação do veículo. Quando a seguradora não diminui o valor depois de algum tempo, nós tentamos até mesmo trocar de seguradora para tentar um preço melhor”.

A manutenção e as revisões são os únicos gastos que são maiores se o consumidor ficar com o mesmo carro durante 10 anos, em vez de trocá-lo depois de cinco anos. A economia, no entanto, não é tão significativa, são cerca de 4.000 reais de diferença no caso dos quatro carros simulados.

Kalume explica que a diferença não é tão grande pois parte dos itens do carro são trocados anualmente, seja no carro novo ou no carro com mais tempo de vida, como o filtro de ar, o filtro de combustível, os limpadores de para-brisa e outros. No entanto, obviamente, existem alguns gastos com manutenção que podem ser necessários em um carro com oito anos de uso e não o são em um carro com três ou quatro anos de uso. Itens como embreagem, amortecedores, por exemplo, dependendo do tipo de uso do carro, podem ser trocados apenas depois de cinco anos de uso.

Importante destacar também que os gastos com revisões e manutenções foram baseados nas trocas de itens e revisões de acordo com a peridiocidade sugerida pelos manuais de cada carro. Mas, dependendo do modo como o motorista usa o veículo e os locais onde ele costuma dirigir, os custos com manutenção podem variar. “Uma dirigibilidade mais agressiva pode gerar mais custos para o carro, enquanto um motorista mais prudente pode postergar alguns de seus gastos. E um carro que é usado na cidade, por exemplo, terá mais desgaste do que um carro usado em uma cidade do interior. Uma cidade com trânsito leva o motor a trabalhar enquanto o carro está parado, por exemplo, e isso gera um desgaste maior do óleo e do motor”.

Por fim, os gastos com pneus são os únicos que não se alteram, seja para um carro usado por mais tempo, quanto para um carro mais novo. Isto porque, o desgaste ocorre segundo o nível de uso e não com a vida útil do carro.

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