As negociações que poderiam resultar na fusão entre os frigoríficos Marfrig e Bertin, originando a maior empresa do ramo no Brasil, terminaram. Segundo o diretor executivo do Bertin, Fernando Falco, em lugar da operação, a companhia deverá focar em um plano para praticamente dobrar sua capacidade de abate - das atuais 12 mil cabeças por dia para 21 mil - em cinco anos. O plano deve custar à Bertin cerca de 3 bilhões de reais.

"A fusão não está sendo discutida atualmente. Estamos concentrados principalmente em crescimento orgânico", disse Falco durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira (12/8). Segundo a Bloomberg, o diretor de relações com investidores do Marfrig, Ricardo Florence, preferiu não comentar sobre o assunto na coletiva.

Os produtores de carne no Brasil consideraram fusões depois de enfrentarem, em 2008, o pior dos últimos 10 anos, com várias companhias indo à falência, segundo o Moody's Investors Service. O Marfrig anunciou que estava em negociação com o Bertin em maio de 2009.

Controle
Segundo apurado pelo Portal EXAME em julho, o maior entrave à concretização da fusão entre os frigoríficos estava relacionado à disputa pelo controle acionário. O Bertin demonstrava a intenção de deter o controle acionário da nova empresa. A exemplo do impasse entre Sadia e Perdigão que deu origem à Brasil Foods, a família Bertin - que detém cerca de 70% do conglomerado - não aceitaria perder o controle em uma eventual fusão.

A fusão resultaria em uma empresa que seria líder em abates no país. Juntos, os dois frigoríficos teriam capacidade de abate diário superior a 35 mil animais por dia, o que deixaria o atual líder JBS - Friboi - cuja capacidade está acima de 26 mil bois - na segunda posição.

Na Bovespa, as ações ordinárias da Marfrig (MRFG3) eram negociadas, às 1h27 horas em alta de 1,83%, a 16,16 reais. Já o Ibovespa operava em alta de 0,54%, aos 56.891 pontos.

Resultados
A Marfrig divulgou, na última terça-feira (11/08), seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2009, os quais corresponderam às perspectivas dos analistas principalmente com relação à receita líquida, que chegou a 2,4 bilhões de reais no período, 6,8% superior ao alcançado no trimestre anterior. A performance pode ser atribuída ao bom desempenho das vendas no mercado interno.

Os resultados financeiros da Marfrig, de acordo com analistas da Brascan Corretora, foram beneficiados pela valorização do real frente ao dólar. Como a companhia possui mais de 70% de seu endividamento em dólar, o efeito de apreciação da moeda brasileira gerou variação cambial ativa de 502,6 milhões de reais, fazendo com o resultado financeiro fechasse positivo em 371,8 milhões de reais no segundo trimestre.

Por outro lado, a valorização da moeda provocou resultado operacional considerado fraco, segundo análise da corretora SLW, pois as margens de exportações da Marfrig foram afetadas.

Para os próximos trimestres, os analistas da Brascan esperam uma recuperação contínua na rentabilidade da empresa, com o crescimento das exportações.