São Paulo – O novo ano se inicia com novos projetos, e um deles pode ser cursar uma faculdade ou pós-graduação. Alguns cursos em instituições conceituadas podem custar bem caro, mesmo para profissionais qualificados em início de carreira. Nesses casos, um empréstimo educacional, como o Programa de Financiamento Estudantil do governo federal (FIES), pode ser uma saída interessante e de baixo custo.

O FIES é a linha de crédito mais barata existente no mercado para quem quer cursar uma graduação. A taxa de juros é de apenas 3,4% ao ano, uma pechincha para esse tipo de financiamento. Mas para obter o crédito, é preciso atender a uma série de requisitos, sendo o principal deles a renda familiar.

O financiamento mínimo é de 50% do valor do curso, apenas quando as mensalidades corresponderem a uma quantia entre 20% e 40% da renda bruta per capita familiar. É possível financiar até 75% caso o peso das mensalidades no orçamento fique entre 40% e 60% da renda bruta per capita familiar; e 100% se o valor ultrapassar os 60%.

Mas isso não significa que o FIES é destinado apenas para o segmento de baixa renda. Um jovem que se sustente sozinho, em início de carreira, com renda bruta mensal de 3.000 reais, poderia tentar um financiamento de 75% do valor de uma segunda faculdade que custasse 1.500 reais por mês. O mesmo vale para as famílias. Uma mensalidade de 1.000 reais em uma boa faculdade corresponde a 50% da renda bruta per capita de uma família com quatro pessoas e renda mensal de 8.000 reais.

Pague a faculdade só depois de formado

Também é exigido que o estudante esteja matriculado em um curso participante do programa e bem avaliado pelo MEC. Alunos formados no Ensino Médio a partir de 2010 deverão, ainda, ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Não é preciso ter concluído o processo de matrícula, pois a taxa de inscrição também entra no financiamento.

Além da taxa de juros baixa, outra grande vantagem do FIES é a forma de cobrança das parcelas. Durante o curso, o estudante paga um valor máximo de 50 reais a cada três meses, referente ao pagamento dos juros. Após a conclusão do curso, o estudante continua pagando a mesma quantia a cada três meses durante um período de 18 meses, que utilizará para recompor seu orçamento. Encerrada a carência, o saldo devedor será parcelado em até três vezes o período financiado, mais 12 meses. Ou seja, se foram financiadas mensalidades por quatro anos, o devedor tem até 13 anos (3 X 4 mais 1 ano) para amortizar sua dívida.

Com essas condições, um curso de quatro anos, com semestralidade de 6.000 reais e 100% de financiamento sairá por 68.000 reais, menos de uma vez e meia o valor total do curso sem financiamento - nada mau para quem quer dar uma turbinada na carreira. Mas para aproveitar essas condições, é preciso também ter até dois fiadores, com renda bruta mensal de pelo menos duas vezes o valor da mensalidade. Ou então optar pela fiança solidária, em que grupos de três a cinco participantes do FIES se comprometem como fiadores uns dos outros.

As inscrições no FIES podem ser feitas em qualquer época do ano por meio do site do programa.

Vagas podem diminuir em 2012

Para este ano, é possível que o número de vagas destinado a alunos do FIES seja reduzido. Isso porque as instituições de ensino privadas alegam que o governo ainda deve repasses do programa, da ordem de 500 milhões de reais. De acordo com a Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), algumas instituições chegaram a se endividar por conta desse débito.

A entidade mantém conversas com o MEC para regularizar a situação, e acredita que ela se deva a um problema de gestão, não de falta de verbas. Se nada for resolvido até o dia 13 de janeiro, data em que será realizado um fórum do setor, o mais provável é que a entidade recomende às faculdades o corte de algumas vagas.

“Acredito que as escolas continuarão aceitando alunos do FIES. O provável é que a nossa orientação seja para que elas aceitem apenas o número de alunos suficiente para usar os repasses para abater os impostos. Não mais do que isso, para não agravar o endividamento das escolas”, explica Amábile Pacios, presidente da FENEP. Ela ressalta, no entanto, que acatar a orientação será uma escolha da instituição de ensino.

Outras alternativas de financiamento

Quem não se encaixa nos critérios de renda do FIES ou deseja financiar uma pós-graduação conta com outras opções, geralmente bem mais caras. É possível contratar um empréstimo em um banco privado, em um correspondente bancário, ou mesmo na própria universidade.

A Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) é uma que oferece crédito a alunos de graduação que comprovem necessidade financeira. É possível financiar de 20% a 100% do valor da graduação, que só começará a ser pago a partir do sexto ano de curso, sem juros, mas com correção pelo IGP-M. No ano passado, por exemplo, o índice acumulou alta de 5,09%. No Insper-SP, o MBA pode ser parcelado em até 30 vezes ao juro um pouco salgado de 1,2% ao mês.

Outra forma de financiar cursos de graduação e pós é por meio de empresas como a Ideal Invest, correspondente bancária dos bancos ABC Brasil, Paulista e Sofisa. A empresa oferece a linha de crédito PRAVALER, que financia até 100% do valor dos cursos de 260 instituições de ensino, em pelo menos o dobro do tempo. Os juros variam de zero – nas instituições que usam o programa para ocupar vagas ociosas – a 1,99% ao mês, mais correção anual pelo IPCA.

Financiar cursos de pós-graduação, principalmente em bancos privados, pode ser ainda mais caro. Em se tratando de pós, certamente é melhor esperar um pouco mais e poupar o valor necessário para quitá-la sem empréstimo, em vez de levar em conta a parcela que cabe no bolso. No Santander, por exemplo, correntistas podem financiar até 100% do valor da pós em instituições parceiras em até 36 meses e juro de 1,95% ao mês.

O Bradesco é o banco que oferece o empréstimo mais caro. Lá o crédito educativo é uma modalidade de Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Os cursos de MBA ou outras modalidades de pós-graduação podem ser financiados em até 24 meses, com juro de 2,89% ao mês - nada menos que 40,76% ao ano. Para financiamentos de 25 a 48 meses, os juros chegam a 3,27% ao mês, ou 47,13% ao ano.

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