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Impostos | 06/01/2012 14:28

Entenda o truque do IPVA parcelado

Parcelar o imposto é bem mais desvantajoso do que parece caso a pessoa tenha dinheiro para pagá-lo à vista

Miguel Riopa/AFP

Carros

Carros: pagamento parcelado do IPVA custa bem mais do que parece

São Paulo – A cada mês de janeiro, sempre surge entre milhões de proprietários de veículos a dúvida sobre a melhor forma de pagar o IPVA. Em estados como São Paulo, por exemplo, quem paga o imposto à vista ganha um desconto de 3%. Quem tem dinheiro e o investe em renda fixa não enxerga lá muitas vantagens nessa redução de preços, já que um CDB que rende 100% do CDI - e que não é difícil de encontrar -também garante hoje uma rentabilidade bruta de quase 1% ao mês.

Para quem faz as contas, no entanto, o ganho em pagar à vista é bem maior do que parece. A ilusão matemática é criada a partir da forma como os governos estaduais apresentam o preço cheio do IPVA, o valor parcelado e o desconto – de 3% no caso de São Paulo, mas que pode chegar a 10% no Rio de Janeiro.

O número principal de um boleto de IPVA é o do valor parcelado. Essa prática é completamente diferente da praxe do varejo e de sites de comércio eletrônico, que apresentam aos consumidores que desejam comprar um eletrodoméstico o preço à vista do bem e em seguida o valor das parcelas para quem quiser financiar a compra.

Um exemplo simples ajuda a mostrar o impacto disso tudo. Imagine um carro cujo IPVA total soma 3.000 reais. O proprietário paulista poderá pagar o imposto à vista com o desembolso de 2.910 reais ou dividi-lo em três parcelas de 1.000 reais cada.

Quem optar pelas três parcelas vai desembolsar 1.000 agora em janeiro, 1.000 reais após 30 dias e mais 1.000 reais em março. O valor pago a prazo, portanto, será de 2.000 reais (já que os primeiros 1.000 reais serão desembolsados à vista). Um cálculo simples mostra que os juros efetivos embutidos nesse parcelamento são de 2,33% ao mês.

Pode não parecer muito frente aos juros cobrados pelos bancos, mas nenhuma aplicação financeira à disposição dos investidores garante esse retorno. Investimentos em renda fixa oferecem uma rentabilidade bruta inferior a 1% ao mês neste momento – e lembre-se que ainda será necessário descontar Imposto de Renda ou taxas de administração e/ou custódia.

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