São Paulo - A governança corporativa vale a pena para o investidor. Estudo com as dez ações que mais subiram nos últimos dez anos mostra que os papéis, em sua maioria empresas de segunda linha, menos conhecidas, tiveram um ganho médio de 4.014%, mais de 17 vezes os 229,58% registrados pelo Índice Bovespa. “Isso significa que se você tivesse colocado R$ 1 mil em cada empresa no dia 30 de agosto de 2003 e esperado até 30 de agosto de 2013, teria hoje R$ 411.410,00″, diz o consultor de investimentos Clodoir Vieira, da Compliance, autor do estudo, em reportagem publicada pela Revista RI deste mês.

Se tivesse colocado os mesmos R$ 10 mil no Ibovespa, teria obtido R$ 32.958. Se a aplicação fosse nos juros do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), o ganho seria próximo do do índice, R$ 32.452, observa o consultor.

Dos dez papéis com maior alta no período, apenas duas – CCR e Cia Hering - estão no Índice Bovespa. Mas todas se destacam por serem antigas e por adotarem boas práticas de governança corporativa e políticas claras de valorização de seus papéis.

Entre elas estão a Schulz, com ganho de 6.144,59%, Iochpe Maxion, com 5,908,70%, Banese, com 5,790,24%, Hotéis Othon, com 4,704,80% e Cia Hering, com 3.529,24%. Fazem parte da lista também Coelba, CCR, Alpargatas Dimed e Geração Panapanema, esta última com ganho de 2.496,62%.

“De modo geral, mesmo a maioria sendo de segunda linha, essas ações foram valorizadas por causa do reconhecimento de seus planos de expansão e sua estrutura profissional”, afirma Clodoir Vieira. Dentre as empresas que se destacam, as ações do Hotéis Othon apresentaram grande valorização devido às especulações em torno dos eventos esportivos dos próximos anos. Já a Dimed é responsável pela rede gaúcha de farmácias Panvel.

Melhorias na governança corporativa, reestruturações de comando e operações são fatores comuns na gestão dessas companhias, observa Telmo Schoeler, sócio-diretor da Strategos. Segundo o especialista, o valor de uma ação resulta de variáveis mercadológicas e outros fatores, como emoção. “Poucos são os que percebem a verdadeira extensão do tema e as suas bases de sustentação”, afirma.

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