Pergunta do internauta: Participando de alguns cursos e vendo reportagens sobre educação financeira, vi o quanto é bom fazer a anotação dos gastos e tentar controlá-los. Também entendi a importância de quitar as dívidas mais caras. Decidi então que pegaria um empréstimo em um banco em um valor não muito alto para quitar outros débitos mais caros. Porém, o banco não liberou o novo empréstimo. Minha dúvida é se vale a pena tentar negociar com o banco as parcelas de dívidas que estão em atraso, como do carro e cartão de crédito? (Vanessa Ferreira de Almeida)

Resposta do professor Anísio Castelo Branco*

Prezada Vanessa,

Vamos responder sua pergunta passo a passo:

1) Tudo pode ser negociado: Não se desespere e não ceda à pressão dos cobradores. Diga sempre que tem um dinheiro para receber e que vai entrar em contato até o final do mês.

2) Faça a lição de casa: É muito importante conhecer as próprias finanças. Identifique todas as despesas e receitas. Dividas as despesas em fixas e variáveis. Faça o mesmo com as receitas.

O objetivo é montar as seguintes equações:

RECEITA FIXA (-) DESPESAS FIXAS = POUPANÇA

RECEITA VARIÁVEL (-) DESPESA VARIÁVEL = LAZER/DESPESAS EXTRAS

3) Defina as prioridades: É importante manter a máquina funcionando. Portanto, o dinheiro disponível, tem que seguir uma ordem natural na ora de gastar. A ordem de prioridade deve ser a seguinte:

a) Alimentação e saúde;

b) Moradia (aluguel, condomínio, luz, água, etc);

c) Educação;

d) Vestuário;

e) Lazer;

f) Bancos e outras despesas;

Respondendo a segunda parte da pergunta, podemos dizer que antes de negociar a dívida com os bancos, temos que em primeiro lugar conhecer cada tipo de dívida. Um dos maiores investimentos que um cidadão pode fazer é um curso de matemática financeira, pois é muito importante dominar pelo menos os cálculos básicos.

Em relação às dívidas com financiamento de veículos, é importante saber o saldo devedor correto no dia de negociar.

Sobre as dívidas com cartão de crédito, some os juros cobrados nos últimos três anos e peça 80% de descontos nos juros.

Por último, faça uma reunião de família e juntos decidam o que fazer. Todos devem participar: pai, mãe, tios, avós, filhos e qualquer outro que more na mesma casa. A cada um deve ser atribuída uma função específica: conseguir uma nova fonte de renda, controlar os gastos com lazer, atender as ligações do banco, e assim por diante.

*Anísio Castelo Branco é presidente do Instituto Brasileiro de Finanças, Perícias e Cálculos (Ibrafin), autor do livro “Matemática Financeira Aplicada” e professor do SENAC.

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