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Ensino superior | 30/07/2010 10:36

Crédito educativo ajuda estudante a cursar faculdade dos sonhos

As linhas de financiamento de cursos superiores ainda não se popularizaram no Brasil, mas os alunos já têm acesso a diversas opções com juros interessantes

Aula do curso de Administração no IBMEC

O financiamento estudantil é uma porta de entrada para instituições de ensino renomadas

São Paulo - "Livros tão caros, tanta taxa pra pagar/ Meu dinheiro muito raro alguém teve que emprestar", cantou Martinho da Vila em 1969. O samba é antigo, mas o desafio para quem pretende concluir um curso superior que não cabe no bolso continua. Felizmente, agora, até as mais conceituadas universidades particulares já aceitam - ou até oferecem - uma modalidade de crédito ainda jovem no Brasil: o financiamento educacional.

Entre as principais linhas de crédito, o financiamento educacional foi a última a "pegar" no Brasil. A modalidade se tornou mais conhecida no fim da década de 90, quando foi instituído o Programa de Financiamento Estudantil (Fies), subsidiado pelo governo federal. Mas o acesso a empréstimos para bancar os estudos não se restringe apenas aos estudantes de baixa renda, priorizados pelo Fies. As mensalidades de muitos cursos de graduação e pós em instituições renomadas podem pesar bastante no bolso, mas já é possível financiá-las em bancos e empresas privadas ou até mesmo na própria universidade.

Normalmente, as linhas de crédito educativo permitem ao estudante financiar até 100% do valor da faculdade, estendendo o prazo de pagamento das mensalidades por anos após a conclusão do curso. Durante o período de estudos, as prestações são mais leves, ficando mais caras depois que o beneficiário se forma e, em tese, já está empregado. Além dos juros, são pagos também Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e correção monetária, como em qualquer outro empréstimo. Atualmente o Fies tem, de longe, as melhores condições do mercado: juros de 3,4% ao ano - a mais baixa nessa modalidade de crédito - e prestações iniciais de até 50 reais por trimestre até 18 meses após a conclusão do curso.

As taxas de juros em bancos privados e correspondentes bancários costumam ser bem mais salgadas. Algumas linhas, como a da empresa Ideal Invest, a maior do setor de crédito educativo privado, saem mais caras, apesar de ainda serem competitivas quando comparadas aos juros de outros tipos de financiamentos. Por exemplo, alguém que decida financiar 100% de um curso de Direito no IBMEC-RJ, a uma mensalidade de 1535 reais, poderá pagar em 10 anos, mas o valor final chega a custar quase duas vezes o valor total do curso. Uma faculdade de mesmo valor financiada pelo Fies não sairia por mais de uma vez e meia o custo do curso sem financiamento.

Mas o crédito educativo privado pode ser a saída para quem não atende aos critérios de renda do Fies ou para quem pretende financiar cursos de pós-graduação. Quem já tem uma instituição de ensino em mente também pode, muitas vezes, contar com boas condições de financiamento na própria faculdade. Na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), por exemplo, o aluno não paga juros, apenas correção monetária pelo IGP-M.

Crédito não é bolsa

É importante lembrar que o financiamento estudantil é diferente de bolsa de estudo. O financiamento é um empréstimo como qualquer outro, voltado para quem não pode arcar com o valor integral das mensalidades no momento em que cursa a faculdade. No futuro, com uma suposta melhora de renda, porém, o valor deve ser devolvido com juros. Quem simplesmente não tem condições financeiras de pagar pelos estudos pode pleitear uma bolsa na própria instituição, já que muitas delas dispõem dessa facilidade.

Outra saída é o Programa Universidade para Todos (ProUni), também subsidiado pelo governo federal, que concede bolsas de 50% e 100% em instituições privadas credenciadas para estudantes com renda familiar per capita de até três salários mínimos por mês e que tenham cursado o ensino médio em escola pública ou com bolsa integral em escola particular. Nesse programa, a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também é utilizada como critério para distribuir as bolsas. As inscrições podem ser feitas sempre no início e no fim do ano pelo Portal ProUni.

O mercado de crédito educativo no Brasil movimenta hoje cerca de 7 bilhões de reais, mas ainda tem muito que se popularizar. No estado de São Paulo, por exemplo, apenas 6,9% dos estudantes de instituições particulares utilizam algum tipo de financiamento. E se considerarmos que, em todo o país, apenas 13,7% dos jovens entre 18 e 24 anos estão no ensino superior - taxa que ultrapassa os 30% em países como Argentina, Chile e México - mercado para crescer é o que faltará. Principalmente quando se leva em conta que cerca de 90% das instituições de ensino superior brasileiras são particulares.

Conheça os detalhes sobre as diferentes formas de financiamento estudantil:

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