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Eliana Dutra explica que é essencial que a intenção de fazer o sabático seja exposta o quanto antes para que a empresa seja uma aliada do profissional durante o processo. “É diferente de falar: eu vou me divorciar de você, é mais como um: quero melhorar o casamento”. Mesmo que os chefes garantam a vaga, deve-se contemplar a hipótese de haver algumas mudanças durante o período. “O profissional deve criar uma rede de segurança. O chefe pode dizer que o emprego vai continuar lá e ele pode sair da empresa durante a viagem”, diz.
Por isso, Eliana destaca a importância de conversar com todos os stakeholders do processo: a empresa, a esposa, a família e os amigos. Como toda mudança envolve riscos, é importante que eles estejam dispostos a compartilhar alguns destes riscos também.
Planejamento financeiro
O planejamento financeiro começa somente depois que o objetivo for definido. Normalmente, o período sabático não envolve a obtenção de algum tipo de renda durante a viagem, por isso é essencial saber a duração, o custo de vida do(s) destino(s), o tipo de estadia que se pretende e se existe um curso em mente, para que os gastos sejam previstos quase com exatidão e a concentração durante o sabático não tenha que se desviar em momento algum para problemas com dinheiro.
Conrado Navarro, fundador da consultoria Dinheirama e consultor financeiro passou por um período sabático de dois anos para fazer um mestrado em Itajubá, no interior de Minas Gerais. Ele explica que pesquisou muito antes de verificar quanto reservaria por mês para o projeto. “Não adianta fazer um planejamento capenga porque você pode ter sustos nesse período, tem que tentar entender a vida que você vai levar para não ter estresse e para que seja feito exatamente o que se foi proposto”, diz.
Durante três anos, Navarro reservou por volta de 40% da sua receita para o projeto. Ele cortou gastos principalmente com lazer e com manutenção do carro - que foi trocado por um modelo mais econômico -, e também da casa. Ele se mudou de um de seus dois apartamentos, que era mais caro, para o outro, que fica em uma região menos valorizada, para reduzir o custo de vida. Durante o sabático, ele alugou os dois apartamentos para manter também uma renda durante a viagem. O custo total de seu sabático foi de 48.000 reais.
Ele orienta que o dinheiro reservado seja colocado em uma aplicação. Como o objetivo é bancar a viagem e não obter altos rendimentos, não é indicado que os valores sejam aplicados em renda variável para que não se corra o risco de sofrer prejuízos e comprometer o objetivo. Restando a renda fixa, portanto, deve-se avaliar o período disponível para o investimento. No curto prazo, até um ano, a poupança pode ser a melhor opção, e acima de um ano são mais vantajosos investimentos em Tesouro Direto, CDBs e fundos DI.
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