São Paulo – Na primeira reunião do Copom em 2013, o Banco Central manteve a taxa Selic em 7,25% ao ano nesta quarta-feira. Isso significa que não há alterações no rendimento da caderneta de poupança e nas demais aplicações de renda fixa atreladas à taxa básica de juros e ao CDI, como fundos DI, alguns títulos do Tesouro Direto e os CDBs. Para o mercado, esse patamar de Selic veio pra ficar: de acordo com o último Boletim Focus, 2013 deve terminar com essa taxa de juros.

Ou seja, se esta previsão se concretizar, os rendimentos das aplicações atreladas à taxa de juros, que são as mais seguras e que podem ser resgatadas a qualquer momento sem perdas, ficarão assim até o fim deste ano:

Prazo de investimento Velha poupança* Nova Poupança* CDB 90% do CDI Fundo DI com taxa de 1,0% a.a. Tesouro Direto**
6 meses 3,04% 2,51% 2,48% 2,37% 2,64%
12 meses 6,17% 5,07% 5,20% 5,00% 5,54%
18 meses 9,39% 7,71% 8,18% 7,89% 8,72%
24 meses 12,72% 10,41% 11,08% 10,73% 11,83%
25 meses 13,28% 10,86% 11,92% 11,56% 12,73%

(*) A TR foi considerada zero, pois varia de acordo com a data de aniversário da aplicação e, atualmente, a taxa média mensal tem se aproximado de zero.
(**) Foi considerado o investimento por meio de corretoras que não cobram taxa de administração para aplicações no Tesouro Direto

As rentabilidades da tabela estão líquidas de Imposto de Renda, cobrado a todas as aplicações de renda fixa, com exceção da poupança. É por isso que a caderneta, mesmo sob as novas regras que a remuneram em 70% da Selic mais TR, chega a render mais que as demais aplicações nos prazos mais curtos, quando incide sobre os rendimentos da renda fixa uma alíquota de IR maior. Agora você pode calcular o rendimento dessas aplicações por meio da calculadora comparadora de rentabilidades de EXAME.com, elaborada pelo professor da FGV Samy Dana.

Mesmo que a taxa de juros não se mantenha intocada por mais um ano, é possível que o Banco Central faça pequenos ajustes para cima ou para baixo ao longo desse período. O que, na prática, não muda muita coisa para o pequeno investidor. Trata-se, aparentemente, de uma era de juro mais baixo e razoavelmente estável, em que convém observar certos pontos na hora de investir em renda fixa.

Um deles são os custos dos investimentos, na forma da taxa de administração de fundos e do Tesouro Direto, por exemplo. Isso porque dependendo do prazo, a cobrança de IR e as taxas cobradas para investir podem se tornar bem pesadas sobre uma rentabilidade bruta tão modesta quanto 7,25% ao ano.

A poupança não tem custos nem sofre a incidência de IR. Mas, no momento, CDBs devem pagar mais de 90% do CDI para serem mais vantajosos que a poupança, em função do imposto de renda. Já os fundos DI precisam cobrar no máximo 0,6% ao ano para serem mais vantajosos que a poupança em qualquer prazo.

Pelo mesmo raciocínio, para que as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) sejam mais vantajosas que a poupança em qualquer prazo, é preciso que a corretora não cobre mais que 0,3% ao ano de taxa de administração. Algumas chegam a “cobrar” taxa zero. Mas para quem está disposto a deixar o dinheiro aplicado por mais de um ano, a corretora pode cobrar uma taxa de até 0,7% ao ano que o Tesouro Direto mantém sua vantagem sobre a poupança. Isso porque o Tesouro Direto já tem um custo fixo, a taxa de custódia de 0,3% ao ano, cobrada pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). A taxa de negociação de 0,1% foi abolida no início deste ano, deixando o Tesouro Direto mais rentável.

Outros títulos do Tesouro perdem seu maior atrativo

O Tesouro Direto oferece ainda outros dois tipos de títulos públicos: as NTN-Fs e LTNs são prefixadas, isto é, acordam uma taxa de juros a ser paga no momento da compra; já as NTN-Bs têm uma parte da remuneração prefixada e outra parte pós-fixada atrelada à inflação pelo IPCA.

Para quem compra esses títulos e os mantém até o vencimento, investir neles é apenas outra forma de investir em renda fixa. No primeiro caso, já sabendo a rentabilidade final, independentemente da taxa de juros; no segundo caso, protegendo o patrimônio da inflação. Contudo, esses títulos se valorizam bastante quando a Selic está em queda, sendo possível lucrar com sua venda antes do vencimento.

De fato, esses títulos tiveram grandes ganhos desde que o ciclo de cortes na Selic começou. No ano passado, foi uma NTN-B a aplicação que mais se valorizou, com alta de quase 50%. Porém, quem investir neles agora, provavelmente não verá os mesmos ganhos com valorização durante um bom tempo. Com estabilidade na taxa de juros, os títulos prefixados tornam-se mais vantajosos para quem quer carregá-los até o vencimento, sabendo exatamente quanto vai ganhar. E as NTN-Bs mantêm, como sempre, a vantagem de sempre pagar uma rentabilidade pré-acordada acima da inflação.

A boa notícia para esses títulos é que, se não houver mais cortes na Selic por um bom tempo, os novos títulos ofertados ao mercado não terão taxas prefixadas ainda menores. Se antes do início da queda dos juros ainda era possível encontrar NTN-Bs que pagavam mais de 5% ao ano acima da inflação, hoje em dia não dá para encontrar NTN-Bs que paguem mais do que 4% ao ano de juro real, e isso para prazos bem longos. A má notícia é que, se os juros também não subirem por um bom tempo, não serão ofertados novos títulos com taxas prefixadas mais altas para prazos mais curtos.

Matéria atualizada em 15/07/2013 às 11h22

Tópicos: CDB, Juros, Copom, Fundos de investimento, Fundos DI, Aplicações financeiras, Investimentos pessoais, Poupança, Renda fixa, Selic, Estatísticas, Indicadores