São Paulo – O mercado enfim já espera que a OGX, petroleira do empresário Eike Batista, entre com pedido de recuperação judicial nesta quarta ou quinta-feira. Se isso ocorrer, a negociação de suas ações (OGXP3) na Bolsa será suspensa, e quem tiver papéis em mãos não vai ter como se desfazer deles por um tempo.

Quando uma empresa entra em recuperação judicial, a negociação de suas ações em bolsa é suspensa por um período determinado pelo juiz do processo, e os acionistas devem ser pacientes.

“Depois de todo o levantamento das condições da empresa, ela deve comunicar ao mercado sua real situação. Findo o prazo dado pelo juiz, as ações voltam a ser negociadas normalmente, como qualquer outra, mas deixam de participar do Ibovespa”, explica Clodoir Vieira, consultor de investimentos da Compliance, que diz que o prazo é variável, podendo durar 30 dias ou mais.

Aluguel e opções de ações

A negociação de opções de ações da OGX também ficará suspensa no caso de uma eventual suspensão da negociação das ações. A Bolsa realizará, então, um procedimento especial de leilão destinado ao encerramento das posições, caso não haja impedimento administrativo ou judicial para realizá-lo. Caso haja, a Bolsa arbitrará o preço de encerramento das posições.

O preço resultante de um desses dois procedimentos será o parâmetro para o exercício das opções que puderem ser exercidas durante o período de suspensão, e também para a liquidação financeira das operações de aluguel de ações, para aqueles que não conseguirem devolver os papéis a seus donos.

“A arbitragem da Bolsa ocorre se houver uma distorção no mercado, como no caso de o ativo abrir a negociação com uma alta enorme, de 400%”, esclarece Clodoir Vieira.

E se a empresa entrar em liquidação?

A recuperação judicial não significa que a empresa vai acabar, pelo contrário. Seu objetivo é fazer com que a empresa supere a sua crise e suas dívidas, para que ela possa retornar mais saudável às suas atividades originais. Para isso, seus controladores apresentam um plano que deve ser apreciado pelo juiz.

Mas e se tudo der errado e a empresa precisar ser liquidada? “Se a empresa for liquidada, seus ativos serão leiloados e serão pagos, nesta ordem, os funcionários, os impostos e os credores. Em último lugar, o acionista. Este praticamente não recebe nada”, explica Clodoir Vieira.