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Preparando os filhos na prática
Para educar as crianças na prática, os especialistas são unânimes ao dizer que a melhor forma de introduzir os conceitos financeiros é por meio do uso de elementos lúdicos. Mãe de dois filhos, Celina Macedo conta que, desde que as crianças tinham dois anos de idade, os conceitos de dinheiro e trocas já eram trabalhados em casa. "A partir dos dois anos as crianças já entendem que uma compra é uma espécie de troca para se conseguir as coisas. Quando eu brincava de 'vendinha' com a minha filha, eu dizia que ela poderia comprar apenas uma comidinha, e não duas", explica a educadora.
Outra dica que pode ser aplicada desde cedo: não deixar os filhos ganharem sempre em jogos e brincadeiras, justamente para entenderem que nem sempre se ganha na vida. Os pais que não têm esse cuidado podem fazer com que os filhos encarem a perda de forma muito mais dura.
Aos cinco ou seis anos os pais já podem pedir que o filho compre pães na padaria e traga o troco. Esta pode ser uma boa forma de avançar mais um passo na relação da criança com o dinheiro. Aos seis anos também é possível introduzir a semanada, mais fácil de ser administrada do que o dinheiro dado mensalmente. Com o tempo, pode-se passar à quinzenada e, finalmente, à mesada.
“Deve ficar claro para a criança que o dinheiro é parte do orçamento da família. Mesmo que a família tenha condições de dar uma boa mesada, o valor deve ser definido de acordo com a necessidade de uma criança daquela idade - que pode ser apenas o lanche da escola - e não com a condição da família”, afirma Celina.
Quando a criança já tiver um maior nível de organização, ela pode ser incentivada a anotar todos os seus gastos em um caderninho, para criar o hábito de fazer um orçamento e controlar os gastos. “Isso é muito importante para as crianças mais abastadas. Quando se tem muito dinheiro é mais complicado ensinar que o dinheiro serve para alguma coisa. Firmando-se objetivos, o dinheiro ganha um significado", explica a educadora.
De forma lúdica é possível ensinar até mesmo conceitos como o investimento em ações. Como exemplo, Celina conta como seu marido, o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e consultor de financeiro do Itaú, Jurandir Macedo, ensinou a filha do casal a investir em ações.
"Nossa filha queria um cofrinho, e Jurandir perguntou se ela não queria ser dona de uma empresa. Ela achou o máximo e disse que queria ser dona da Kibon. De tempos em tempos, ele levava os sorvetes para ela e dizia que eram seus dividendos", conta Celina. Quando a menina ficou gripada, o pai parou de entregar os sorvetes. A filha questionou-o sobre os dividendos. "Ele explicou que, no inverno, as crianças estão gripadas e que, por isso, a empresa estava vendendo menos. Por isso não estava distribuindo dividendos. Nossa filha disse, então, 'Acho que cometi um erro. Eu deveria ter comprado uma empresa de chocolate, que todo mundo come o ano inteiro", conclui Celina.
Para crianças de famílias que têm grandes investimentos em bolsa, ou que possivelmente irão gerir negócios, introduzir os conceitos dessa forma acaba tornando o assunto interessante e atrativo. “Famílias com muito dinheiro costumam dar boas noções de educação financeira aos filhos desde pequenos", afirma Jurandir Macedo, marido de Celina.
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