São Paulo – Para investir no Tesouro Direto, é preciso se cadastrar em uma corretora ou banco habilitado para compra dos títulos. Como as corretoras cobram diferentes taxas de administração para realizar o investimento e em alguns casos não cobram taxa alguma, é preciso observar qual delas traz mais vantagens ao investidor.

Veja a seguir os principais critérios, em ordem de importância, para escolher sua corretora. 

1) Prefira corretoras não cobrem taxa de administração

Atualmente, as taxas cobradas pelas corretoras variam de 0 a 2%. Apenas cinco corretoras não cobram taxa de administração para o investimento no Tesouro Direto: CGD Investimentos (antiga Banif), Socopa, investBolsa/Spinelli, Easynvest/Título Corretora e Tullet Prebon Brasil.

Veja a tabela com as taxas cobradas por cada corretora para investir no Tesouro Direto.

“Com a taxa de juros em baixa e o menor rendimento das aplicações, fica evidenciado mais que nunca o custo do investimento”, afirma André Massaro, especialista em finanças pessoais da MoneyFit. Em outras palavras, com o menor rendimento de alguns títulos Tesouro Direto, que foram prejudicados pela queda da taxa Selic, se as taxas forem altas, o rendimento que já não está tão alto fica ainda menor. 

Por isso, as corretoras que não cobram taxas são as melhores para se investir no Tesouro Direto, levando em consideração o fator mais importante atualmente, que é o custo. Mas é claro que se uma outra corretora tiver uma pequena taxa de administração, mas oferecer muitas outras vantagens (como as citadas abaixo), vale pesar qual delas é a melhor.

É importante ressaltar que a corretora apenas faz a custódia do investimento, por isso mesmo elas são chamadas de agentes de custódia. Os títulos públicos comprados são mantidos na CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia) em uma conta que fica no nome do investidor. E todas as corretoras são fiscalizadas pelo Banco Central e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 

Por isso, o investidor pode procurar a corretora com menor custos, sem se preocupar se essa instituição tem riscos de quebrar ou não. Se a corretora falir, os recursos investidos não são perdidos. O investidor precisa apenas abrir uma conta em outra corretora e pedir a transferência da custódia para a nova instituição.

Vale lembrar também que mesmo sem taxa de administração, o investidor precisa pagar a taxa de custódia à BM&FBovespa, que é de 0,3% ao ano. E a taxa de negociação, de 0,1%, que era cobrada até o ano passado, foi extinta neste ano.

2) Observe se apesar da ausência de taxas você não terá gastos com DOCs

Não adianta pensar na corretora mais barata e esquecer de verificar se ao investir nela você terá gastos com DOC para transferir o dinheiro do seu banco para a corretora. 

O DOC, no entanto, só interfere em casos muito específicos. Como em muitos casos o cliente tem direito à realização de um ou mais DOCs por mês de graça, ou não tem cobrança de DOC para todas as transações online, esse custo não se aplica ao investimento no Tesouro Direto. Verifique junto ao seu banco se você tem direito a DOCs gratuitos. Se sim, pule para o próximo tópico de número 3.

E algumas corretoras permitem a transferência de recursos via boleto bancário. A Spinelli, por exemplo, não tem conta em bancos de varejo, mas permite o depósito via boleto bancário. Se a corretora escolhida tiver essa opção, mais uma vez a questão do DOC não se aplica. 

Mas se o investidor não tiver direito a DOCs gratuitos e escolher uma corretora que não tenha conta no mesmo banco que o dele nem ofereça a opção de boleto, devem ser feitos alguns cálculos.

Considere a seguinte simulação: Corretora A, que não cobra taxa de administração, mas tem custos com DOC. Corretora B, que cobra taxa de administração de 0,5% ao ano, mas tem conta no banco do cliente. 

Se forem investidos 500 reais na corretora A, considerando que o DOC seja de 8 reais, é como se o investidor pagasse uma taxa de 1,6% sobre os 500 reais. Se os mesmos 500 reais forem investidos na corretora B, o investidor pagará no ano 2,50 reais de taxa. Nesse curto prazo e para esse valor, portanto, a corretora que tem taxa de administração, mas não tem DOC, é a melhor opção.

Se os mesmos 500 reais forem investidos durante quatro anos, a situação muda. Na corretora A, haverá o DOC de 8 reais. Mas na corretora B, se a cada ano são cobrados 2,50 reais de taxa de administração (ignorando-se os rendimentos da aplicação e desconsiderando novos aportes), em quatro anos serão pagos 10 reais. Assim, no longo prazo vale mais a pena investir na corretora que terá DOC, mas é isenta de taxa de administração. 

Segundo o consultor financeiro Beto Veiga, é possível concluir que: para valores acima de 1.600 reais, a taxa de 0,5% ao ano será de 8 reais, portanto ela se equipara ao custo do DOC. Mas, em um prazo superior a um ano, com mais uma cobrança de 0,5%, ou seja, com mais 8 reais, a corretora A, isenta de taxa, já vale mais a pena.

3) Veja se a corretora tem a opção de compra programada

Algumas corretoras têm a opção de programar a compra de títulos, fator que pode ser muito relevante para quem planeja fazer aportes regulares. Das instituições que não cobram taxa de administração, a única que não permite a compra programada é a Tullet Prebon Brasil.

A lista das corretoras que têm essa opção pode ser encontrada no site do Tesouro.

4) Estude qual corretora tem o melhor atendimento

Depois de observar as corretoras com menores custos e com a opção de compra programada, pensar em qual delas tem um atendimento melhor pode ser o critério de desempate.

Uma boa referência para descobrir quais corretoras têm o melhor atendimento pode ser o ranking da CVM de reclamações de clientes. Infelizmente, o ranking mais recente é o do segundo semestre de 2011. Ele pode ser acessado pelo site da CVM, clicando no menu esquerdo da página em: proteção e educação ao investidor>boletim semestral. 

“Hoje não faltam recursos, fóruns e opiniões de clientes para buscar referência sobre as corretoras”, afirma Massaro. Ele diz que o fato de a corretora não cobrar taxa de administração não quer dizer que o atendimento será pior, e a corretora mais cara também não será necessariamente a que tem o melhor atendimento. “Às vezes a corretora não cobra taxas no investimento no Tesouro Direto apenas para atrair mais clientes e depois vender para eles outros produtos”.

Beto Veiga endossa a opinião de Massaro. Ele conta que investe no Tesouro Direto por meio de duas instituições, uma com e outra sem taxa de administração. Veiga garante que não há diferenças entre elas com relação ao atendimento ao cliente. 

Um bom atendimento também não significa que o cliente receberá orientações sobre qual é o melhor título para comprar, quando é o melhor momento de resgatar os recursos ou se o o investimento deve ser levado até o vencimento ou não. “É quase impossível achar uma corretora que preste assessoria sobre qual título é bom para o investidor que só aplica no Tesouro Direto. A corretora faz isso para quem investe em ações e paga. Para ter essa assessoria, apenas com consultores financeiros que são pagos para isso”, diz.

O melhor atendimento pode ser, portanto, o da corretora que tem maior agilidade para responder a alguma solicitação, para resolver algum problema dentro do sistema ou daquela que oferece informações sobre o mercado e conteúdos educacionais. “No primeiro contato já é possível perceber se você está sendo bem atendido e se a corretora tem um bom atendimento”, completa Veiga.

5) Observe se a corretora é um agente integrado ou não e se isso faz alguma diferença

Algumas instituições possuem seus sistemas integrados ao Tesouro Direto, elas são chamadas de agentes integrados. A diferença entre elas é que na instituição integrada, o investidor pode consultar seus extratos e fazer a compra e venda de títulos diretamente pelo site da corretora. E quando a instituição não é integrada, o investidor precisa fazer as operações e consultas pelo próprio site do Tesouro Direto. 

Conforme Veiga explica, com os agentes integrados há mais facilidade, por exemplo, na hora de resgatar o valor investido de um fundo para aplicar no Tesouro Direto, já que é possível fazer a operação no mesmo ambiente. “No caso de um banco que é agente integrado, o investidor retira o dinheiro da conta e no mesmo ambiente faz a aplicação no Tesouro. É um detalhezinho na hora da operação, que na verdade importa mais a quem opera com ações, que prefere essa facilidade de estar no mesmo ambiente”, diz.

Veja a tabela das instituições que são agentes integrados e quais são as taxas cobradas por cada uma delas. 

6) Observe como funciona a plataforma de negociação da corretora 

A compra e venda dos títulos do Tesouro Direto é feita pela plataforma de negociação das instituições (o chamado home broker), quando elas são agentes integrados. Por isso, a qualidade do home broker pode ser mais um elemento para a escolha da melhor corretora.

Esse não é um critério primordial, mas pode ajudar o investidor se ele estiver na dúvida entre duas instituições que têm o mesmo custo. “Em alguns sites a página demora horas para carregar, as informações não são intuitivas e você encontra várias opções de investimento, mas o Tesouro Direto fica escondido na plataforma. Se os custos forem iguais, é claro que isso pode ajudar no desempate”, diz Veiga. 

Segundo ele, algumas corretoras permitem que o investidor faça um teste drive e conheça a plataforma de negociação antes de investir. 

7) Pese se você tem um ótimo motivo para investir em uma corretora mais cara

Os custos devem ser o principal critério de escolha da corretora. Mas, se houver algum ótimo motivo para investir em outra corretora, obviamente, ele não deve ser ignorado.

"Às vezes o investidor já tem um relacionamento antigo com alguma corretora, ou então a corretora oferece vantagens em outros produtos se ele fizer o investimento no Tesouro Direto com ela. Mas, resumindo, para escolher uma outra corretora que não seja aquela que tem o melhor custo o investidor precisa de um ótimo motivo", diz Massaro. 

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