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Câmbio | 16/05/2012 13:30

Como a alta do dólar afeta o investidor

Dólar mais alto pressiona a inflação e prejudica empresas com alto endividamento em moeda estrangeira

O dragão ainda não foi domado

Inflação é um dos efeitos sinistros da alta do dólar para o investidor

São Paulo – Esperado para fechar o ano a 1,80 real, segundo as previsões do mercado, o dólar ultrapassou os dois reais nesta terça-feira, alcançando o maior patamar desde julho de 2009. Os temores em relação às eleições gregas e à deterioração do cenário econômico internacional fizeram a moeda americana disparar nos últimos dias, ao mesmo tempo em que derrubou as bolsas pelo mundo e zerou os ganhos do Ibovespa no ano.

Para o investidor individual, os efeitos da alta do dólar se farão sentir numa maior pressão inflacionária, mas desta vez as empresas exportadoras talvez não sejam tão beneficiadas. “Em teoria, empresas como Vale, Petrobras, companhias de papel e celulose se beneficiariam, mas a menor demanda e a queda do preço das commodities neutralizam esse efeito”, diz Alexandra Almawi, economista da Lerosa Investimentos.

Uma alta da inflação, por sua vez, reduziria o retorno do investidor, o que vem se somar a uma taxa de juros que deve ainda ver queda neste ano e uma Bolsa que passa por uma má fase. O mercado já elevou suas perspectivas de inflação para o ano, prevendo uma alta para o IPCA de 5,22% e para o IGPM de 5,57% ao final de 2012.

Para o economista Sidnei Moura Neme, diretor executivo da corretora NGO, especializada em operações no mercado cambial, a alta recente do dólar só vai afetar mais diretamente o investidor que tem ativos atrelados ao dólar, o que não é o caso da maioria dos investidores pessoa física. Em relação à inflação, Neme admite que a situação é preocupante, e reforça que os investidores precisarão sair da zona de conforto para conseguir mais rentabilidade.

“O mercado está agora descobrindo as letras de crédito imobiliário, que são papéis de renda fixa bem rentáveis e isentos de IR. Os fundos imobiliários também podem ser interessantes”, observa o economista.

Pessimismo para a Bolsa

Para a Bolsa, o cenário parece mesmo nebuloso. “A Bolsa neste momento é um ambiente conturbado. É um investimento de risco e tende a atrair uma quantidade menor de capital. Falta a capacidade para enxergar o que pode ocorrer num prazo mais longo, devido às dúvidas em relação ao cenário internacional”, diz Márcio Cardoso, diretor da Título Corretora.

Um relatório divulgado pelo Santander nesta terça-feira, quando a Bolsa zerou seus ganhos no ano, reconhecia que as ações poderiam estar descontadas, mas recomendava a redução da exposição do investidor à renda variável.

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