São Paulo – A OGX, petroleira do empresário Eike Batista, entrou com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira, no fim do dia. Como de praxe em casos como esse, suas ações (OGXP3) serão retiradas de todos os índices de que fazem parte, como o Ibovespa, e a negociação ficará suspensa, mas só até as 11 horas desta quinta-feira. Depois disso, os papéis voltarão a ser negociados normalmente. Com preço da ação a 17 centavos, o que o investidor deve fazer? Vender ou permanecer com a ação, uma vez que aparentemente não há mais nada a perder?

A suspensão da negociação das ações da OGX por ora será bem breve. A partir das 11 horas, ela será liberada e voltará a ocorrer normalmente. Nada impede, é claro, que volte a haver suspensões por decisão judicial. Mas, segundo André Moraes, analista do Rico, home broker da Octo Investimentos, isso deve ocorrer apenas em questão de meses, e não de dias, conforme os últimos casos semelhantes.

Para Moraes, ficar ou sair depende muito de quanto o investidor pagou pela ação. “Se o sujeito comprou a quatro, cinco, dez, 15 ou 20 reais, por exemplo, ele tem muito pouco a perder, então não tem por que vender a ação agora. Para esse investidor só sobrou algo como 3% do capital investido. A própria OGX tem muito pouco a perder agora.”, acredita.

Alguém que tenha comprado as ações a 5 reais, por exemplo, e segurado o investimento até agora, viu seus papéis desvalorizarem 96,6%. Assim, esse investidor poderia esperar para ver se essa recuperação judicial realmente consegue reerguer a empresa e recuperar ao menos um pouco o preço das ações. O retorno à máxima histórica num horizonte visível seria tremendamente improvável, mas a perda do investidor poderia ser minimizada.

Na opinião do analista do Rico, vender agora seria mais aconselhável para quem já comprou a ação por um preço de centavos. “Se o investidor comprou a 30 centavos e perdeu só metade do capital investido ele pode considerar vender, pois ainda sobrou metade do investimento”, diz.

A recuperação judicial

A recuperação judicial não significa que a empresa vai acabar, pelo contrário. Seu objetivo é fazer com que a empresa supere a sua crise e suas dívidas, para que ela possa retornar mais saudável às suas atividades originais. Para isso, seus controladores apresentam um plano que deve ser apreciado pelo juiz.

Mas e se tudo der errado e a empresa precisar ser liquidada? Nesse caso, seus ativos serão leiloados e serão pagos, nesta ordem, os funcionários, os impostos e os credores. Em último lugar, o acionista, que pode não receber praticamente nada.