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São Paulo - Se um bom desconto é chamariz para qualquer venda, o produto parece ainda mais atrativo quando chega com toda comodidade na casa do consumidor. Contando com esse apelo, quadrilhas anunciam itens a preço de banana na internet, tornando as ofertas irresistivelmente acessíveis. De equipamentos eletrônicos a passagens aéreas, verdadeiros negócios da China multiplicam-se nos buscadores e propagandas virtuais. O que o comprador não sabe é que pode terminar com o carrinho de compras vazio e um rombo na conta bancária. Ao submeter os dados do seu cartão de crédito em um site falso, ele terá as informações copiadas e usadas indiscriminadamente por um fraudador. Afinal, de posse do número, data de validade e código de segurança do cartão, é possível fazer compras no nome de qualquer pessoa.
A sofisticação das técnicas empregadas pelos criminosos virtuais é a outra face da diversificação do comércio eletrônico. Estudo realizado pela CyberSource Corporation estima que só na América do Norte o prejuízo causado pelas fraudes em transações online ficou entre 3 bilhões e 4 bilhões de dólares em 2009, ou 1,2% da receita gerada por e-commerce nos Estados Unidos e Canadá. Não há dados disponíveis no Brasil, mas os desvios de contas bancárias apurados pela Polícia Federal fornecem um bom retrato da situação. Das 26 operações conduzidas de 2001 até o ano passado, apenas seis tratavam da clonagem física de cartões. O restante envolvia fraudes cibernéticas.
Para a Associação Brasileira de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs) a popularidade desse tipo de golpe também se apoia na impossibilidade de clonar os chips que foram introduzidos nos cartões de crédito e débito ao longo dos últimos anos. Hoje, mais de 60% das transações no Brasil são feitas com o dispositivo e praticamente todos os terminais estão preparados para ler esse tipo de cartão. "As antigas tarjas magnéticas não deixaram de existir, até porque nem todos os países estão envolvidos na migração para essa tecnologia e os cartões internacionais ficariam inutilizáveis. Mas se um cartão chipado for copiado no Brasil, a compra não será efetuada", afirma Henrique Takaki, coordenador do comitê de segurança da Abecs.
Em um cenário de maior segurança para os negócios presenciais, o anonimato e vastidão da internet forjam o ambiente propício para o aumento dos golpes virtuais. O que não faltam são estratégias para obter informações dos mais incautos. Uma das táticas mais conhecidas é o envio de e-mails que se passam por comunicados de bancos e órgãos oficiais. As mensagens solicitam o recadastramento dos clientes a partir da inserção de dados atuais, mas a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) alerta que as instituições financeiras nunca enviam esse tipo de pedido por e-mail. Os fraudadores também costumam anexar arquivos executáveis em mensagens com assuntos variados. O repertório vai de slides religiosos a cartões com declarações amorosas. No fim das contas, a curiosidade pode levar o usuário a instalar programas que permitirão aos criminosos captar senhas digitadas mais tarde no acesso ao home banking.
Para se precaver de ter o limite do cartão de crédito estourado sem se dar conta, o consumidor deve ficar atento aos programas de navegação utilizados na internet. As versões atualizadas dos browsers (como o Internet Explorer ou o Firefox) geralmente incorporam melhorias nos mecanismos de segurança. Takaki, da ABECS, aponta que o segredo é desconfiar sempre - seja de e-mails com remetentes desconhecidos ou de páginas com ofertas muito baratas. "Os primeiros resultados no Google também não garantem sites confiáveis. Alguém pode pagar para ter um link dentro da lista preferencial e, por isso, o ideal é optar por endereços já reconhecidos no mercado", completa.
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