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Combustível | 07/06/2011 07:30

Carro com gás é só para quem roda muito

Para quem se encaixa no perfil, economia costuma ser radical; mas é bom ficar atento às limitações

Divulgação

Carro sendo abastecido com Gás Natural Veicular, o GNV

Conversão de preço salgado só compensa mesmo para quem roda mais de 100 km por dia

São Paulo – Apesar da recente e sustentada queda nos preços dos combustíveis, a alta do etanol e da gasolina no início de ano levou os brasileiros a reconsiderarem o Gás Natural Veicular (GNV) como alternativa para economizar na hora de encher o tanque. A entressafra da cana acabou, mas altas futuras não devem ser descartadas – o próprio ministro de Minas e Energia Edison Lobão já prevê que o desabastecimento ocorra novamente no ano que vem.

Nesse cenário de incertezas, resta a dúvida de quem ainda tem um carro movido por um combustível líquido: vale a pena convertê-lo para rodar com gás natural? Levando em conta que o GNV é mais eficiente que a gasolina e o etanol, seus preços com certeza estão vantajosos. De acordo com levantamento semanal da ANP, na semana encerrada em 4 de junho, o preço do GNV no Brasil ficou em 1,629 real em média, frente a 2,792 reais da gasolina e 1,939 do etanol. Mas existem outros custos e poréns envolvidos, que devem ser observados por quem pensa em adotar o novo combustível.

GNV não é para todo mundo

Isso não significa que seja impossível adaptar certos tipos de veículos. A princípio, qualquer carro pode ser convertido para rodar com GNV. O problema é que o custo do kit gás é elevado, podendo variar entre 2.000 e 7.000 reais, dependendo da geração do equipamento e do modelo do veículo. Para que a conversão compense, é preciso que ela se pague num tempo razoável. De nada adiantará, por exemplo, se o carro for trocado antes de se cobrirem os custos de adaptação.

“Se o sujeito roda uns 80 km por dia, já não vale a pena”, diz o professor de engenharia mecânica da FEI, José Roberto Coquetto. Ele mesmo gastou 2.500 reais para adaptar seu Kadett 1.8, pois roda nada menos que 200 km por dia. “Eu parcelei o equipamento em seis vezes, mas não tirei um centavo do bolso. Apenas com a economia de combustível eu consegui pagar”, conta ele.

O ideal é que o motorista rode pelo menos uns 100 km por dia útil – ou pouco mais de 2.000 km por mês. Nesse caso, com a atual média do preço do GNV a 1,629 real, um equipamento de 3.000 reais se paga em cerca de 8 meses. Ou seja, o perfil do motorista deve ser o de alguém que mora longe do trabalho, viaja muito de carro ou mesmo que dependa do veículo para trabalhar, como taxistas e vendedores.

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