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Renda fixa | 29/04/2011 11:47

Caderneta de poupança virou péssimo negócio

Com a taxa básica de juros em 12% ao ano, correntistas dos principais bancos brasileiros possuem opções bem melhores de investimento com baixo risco

Sede do Banco Central, em Brasília

Banco Central: com aumento da Selic, poupança virou carta fora do baralho

São Paulo – A caderneta de poupança tem uma enorme importância econômica e social no Brasil. A aplicação é a principal fonte de financiamento para dois importantes setores da economia, o imobiliário e o agropecuário. A maior parte dos 384 bilhões de reais depositados em poupança nos bancos brasileiros precisam obrigatoriamente ser utilizados para a concessão de financiamentos à compra ou construção de imóveis ou à produção agrícola. Investimento mais popular do Brasil, a caderneta também é relevante por ser o único meio de poupança de dezenas de milhões de brasileiros.

Para o investidor que está mais preocupado com a rentabilidade da carteira, entretanto, nada disso importa. O fato é que a poupança se transformou em um péssimo investimento neste momento porque há outras opções de baixo risco que oferecem melhor rentabilidade. Quem escolhe a caderneta recebe um retorno anual de 6,17% mais TR (taxa referencial). O investidor não conhece o valor da TR quando aplica o dinheiro – trata-se de uma taxa pós-fixada calculada a partir de uma fórmula definida pelo Banco Central. Considerando a TR de 0,86% da última quarta-feira (27/04), o retorno anual da poupança seria equivalente a 7,08%. Esse percentual vai todo para o bolso do aplicador, já que ele não precisa pagar taxa de administração ao banco e está, por lei, isento de Imposto de Renda.

Apesar dos incentivos, o rendimento líquido anual de 7,08% é inferior ao de diversas aplicações. Os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) de cinco dos principais bancos brasileiros, por exemplo, batem esse percentual – ainda que a comparação entre as duas aplicações não seja tão simples. Em troca de um depósito a prazo de 1.000 reais com um prazo inferior a seis meses, o investidor conseguiria obter um ganho de ao menos 80% do CDI – ou o equivalente a 9,43% ao ano (veja a tabela abaixo).

 

Banco Rentabilidade prometida Aplicação Ganho bruto anual Retorno líquido mínimo (considerando o atual CDI de 11,79% ao ano e Imposto de Renda de 22,5% sobre os ganhos) Ganho sobre a poupança (considerando a taxa atual de retorno da caderneta de 7,08%)
Bradesco 80% do CDI para aplicações entre R$ 1.000 e R$ 9.999,99, mas rentabilidade progressiva para valores maiores R$ 1.000 9,43% 7,31% ao ano 0,23%
Itaú CDB Plus 80,5% do CDI para aplicações de até 180 dias, mas rentabilidade progressiva à media que o prazo aumenta R$ 1.000 9,49% 7,36% 0,28%
HSBC CDB DI 80% do CDI, mas retornos maiores à medida que o volume aplicado aumenta De R$ 2.000 a R$ 15.000 9,43% 7,31% 0,23%
Santander 80% do CDI para aplicações de até 180 dias, mas rentabilidade progressiva à media que o prazo aumenta R$ 1.000 9,43% 7,31% 0,23%
Banco do Brasil 81% do CDI, mas com ganhos maiores para aplicações mais longas ou volumosas R$ 1.000 9,55% 7,40% 0,32%

O que dificulta a comparação com a poupança é que esse percentual não chega integralmente ao bolso do investidor. O Imposto de Renda come entre 15% e 22,5% dos ganhos, dependendo do prazo da aplicação (conforme a tabela abaixo). O importante é que, mesmo se tiver de arcar com a maior alíquota de IR, o investidor ainda sai ganhando se optar pelo CDB. Alguns investidores já perceberam isso, e a poupança deve ter neste ano o primeiro ano de captação líquida negativa desde 2005, segundo apontam os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central.

 

Imposto de Renda no resgate da aplicação Alíquota de IR
De até 180 dias 22,50%
De 181 dias até 360 dias 20%
De 361 dias até 720 dias 17,50%
Após 720 dias 15%

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