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Ações | 21/03/2012 07:31

As lições de um jovem investidor de R$ 8 bilhões

José Carlos Magalhães, da Tarpon, diz que a bolsa não é mais a melhor forma de ganhar dinheiro no Brasil – apesar de ainda ser mais lucrativa que imóveis e renda fixa

EXAME

José Carlos Magalhães, da Tarpon

José Carlos Magalhães, da Tarpon, em foto de 2006: melhores oportunidades no Brasil são em private equity

São Paulo – Se existe algum investidor brasileiro que personifica a máxima de que para ganhar muito dinheiro é preciso pensar grande, essa pessoa é José Carlos Magalhães, da gestora de recursos Tarpon. Zeca, como é conhecido, foi o fundador de uma das maiores gestoras brasileiras de fundos de ações e private equity em 2002, quando tinha apenas 23 anos de idade. A empresa que começou com um capital de 1 milhão de dólares de amigos e familiares hoje administra 8 bilhões de reais. Entre suas tacadas mais ousadas, estão as tentativas de comprar o controle da Acesita e da Sadia – ambas fracassadas. Mesmo sem ter conseguido fechar os dois negócios da vida, Zeca não tem do que se queixar. O fundo de ações da Tarpon acumula uma rentabilidade de 32,5% ao ano desde que foi aberto em maio de 2002.

Nos próximos anos, o gestor acredita que a bolsa não será tão rentável e que as melhores oportunidades estarão fora do mercado acionário, em investimentos de private equity. Leia a seguir os principais trechos de palestra feita por Zeca na Casa do Saber, em São Paulo, na noite de segunda-feira:

A bolsa não será tão rentável quanto no passado

Em 2002, quando a Tarpon foi criada, era possível comprar uma empresa pelo equivalente a três vezes o lucro anual. Naquela época, era só comprar, sentar e esperar. O Brasil ainda tem muitos investimentos interessantes. Mas achamos que as melhores oportunidades já não estão na bolsa. Os preços das ações não são mais tão baixos quanto antigamente. Não estou dizendo que as ações são um mau negócio. Achamos que bolsa pode subir entre 12% e 15% ao ano. Na verdade, é algo muito bom quando comparado ao que deve render o CDI [principal referência para investimentos em renda fixa] ou os imóveis.

Se a pessoa for capaz de identificar as empresas e setores que irão crescer mais nos próximos anos, pode ter um resultado ainda melhor. O PIB deve ter uma expansão anual entre 3% e 3,5%. Mas vai ter empresas que crescem zero e outras que crescem 30%. O investidor que fizer seu trabalho direito vai conseguir algo próximo de 20% ao ano.

Outra convicção que temos é que as melhores oportunidades estão nas empresas privadas que ainda não chegaram à bolsa. Na área de private equity, investimos com a mesma filosofia, com apenas uma diferença: somos proativos e vamos atrás das boas oportunidades. Vários bancos de investimento vão até a Tarpon apresentar negócios nessa área. Mas achamos que para encontrar os melhores, é preciso bater perna pelo país.

Concentre-se nos negócios em que há confiança

A Tarpon investe em várias empresas. Entre elas, estão Brasil Foods, ETH, Cyrela, Daycoval, Coteminas, Celesc, Marisa, Morena Rosa, Omega Energia Renovável, Direcional Engenharia, Cremer, Gerdau e AGV Logística. O peso de casa uma no portfólio depende do nível de confiança que temos no sucesso do negócio.

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