São Paulo – Levantamento realizado por EXAME.com com 25 corretoras mostrou que no primeiro semestre de 2013 a carteira recomendada de ações com a melhor performance foi a da Ágora Corretora - que pertence ao Banco Bradesco -, com alta de 2,80% no período. O segundo melhor desempenho foi obtido pelo portfólio da BI&P Indusval & Partners Corretora, com valorização de 2,03%. E a Geração Futuro teve a terceira melhor rentabilidade, fechando o semestre com alta de 0,40%.

A primeira metade do ano foi um período difícil para a bolsa. O Ibovespa, principal índice de referência do mercado de ações brasileiro, fechou o semestre com queda de 22,14%, sendo que apenas no mês de junho a desvalorização foi de 11,31%.

A lista de fatores que contribuíram para a queda é extensa, mas para citar apenas alguns, podem ser relacionados: a derrocada das empresas de Eike Batista; a perspectiva de rebaixamento da classificação do Brasil pela agência Standard & Poors; a queda nos preços de commodities; os protestos no país, que têm gerado reações do governo que afetam as empresas; e a deterioração das contas públicas. Além de fatores internacionais, como a possível redução dos estímulos do banco central norte-americano, a crise na Europa e o fraco crescimento na China.

Diante desse quadro, apenas três carteiras fecharam o semestre no azul. Na tabela abaixo podem ser obervados os desempenhos das corretoras mês a mês e no acumulado do ano. E na próxima página estão os comentários das corretoras que lideraram o ranking sobre as estratégias que as levaram a superar o desempenho do resto do mercado. 

No levantamento são mostradas as rentabilidades divulgadas pelas corretoras e aquelas calculadas pela equipe de EXAME.com. As diferenças, na maior parte dos casos, são de algumas casas decimais, o que pode ter ocorrido por conta de algum arredondamento por parte das corretoras na divulgação dos desempenhos. Confira o ranking das rentabilidades acumuladas no semestre, com base nos percentuais divulgados pelas 25 corretoras:

Corretora Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Rendimento divulgado Rendimento calculado
Ágora/ Bradesco 5,40% 2,10% -2,00% 2,10% 2,40% -6,70% 2,80% 2,87%
BI&P Indusval & Partners Corretora 3,95% 1,66% -2,19% 5,84% -1,14% -5,66% 2,03% 2,03%
Geração Futuro -1,46% -1,75% 3,80% 0,35% 4,30% -4,57% 0,40% 0,38%
BTG Pactual 6,10% -1,90% 1,40% 1,90% -2,10% -6,10% -1,20% -1,13%
Spinelli 3,61% -3,15% 2,51% -0,63% -0,22% -3,33% -1,40% -1,40%
Walpires Corretora 2,85% -1,38% -1,45% 1,47% 1,23% -5,03% -2,31% -2,49%
Pax 0,26% 3,22% -1,38% 0,49% -0,77% -5,62% -3,93% -3,95%
Fator 1,36% 1,10% 1,03% 0,53% -0,57% -9,05% -5,87% -5,88%
Concórdia 0,16% 1,92% -0,11% 0,76% -0,28% -8,84% -6,59% -6,60%
Quantitas 0,80% -2,10% -3,15% 1,99% 1,54% -6,11% -7,07% -7,07%
BB Investimentos -0,32% -0,34% -1,12% 0,77% 0,43% -7,77% -8,31% -8,31%
HSBC 0,70% -3,18% -0,83% 1,64% -1,80% -6,22% -9,36% -9,50%
Rico -0,92% -0,38% 3,45% -0,63% -2,07% -9,39% -9,52% -9,97%
Um Investimentos 0,29% -0,22% 0,59% 0,63% -1,78% -9,68% -10,26% -10,14%
Geral Investimentos* -- -1,88% -0,22 -1,30% -1,75 -5,35% -10,54% --
Citi Corretora 3,80% -2,20% -2,60% -0,30% -2,60% -7,10% -10,70% -10,80%
Socopa 0,40% -5,88% 3,71% -1,60% -2,43% -5,22% -10,82% -10,82%
Souza Barros 3,40% -1,54% -0,55% -5,34% -1,46% -6,92% -12,08% -12,09%
Ativa -0,75% -0,53% 1,41% 0,76% -3,68% -9,79% -12,42% -12,35%
XP Investimentos 1,20% 1,70% -3,30% -2,50% -2,20% -8,67% -14,34% -13,33%
Planner 1,23% -0,11% -2,72% 0,40% -3,34% -11,02% -15,06% -15,06%
Santander -0,75% -5,15% -0,94% 1,73% -0,87% -9,93% -15,29% -15,30%
Omar Camargo -0,23% -1,42% -4,58% -0,58% -0,91% -8,45% -15,35% -15,36%
Solidez* -- -0,34% -0,91% 1,80% -6,12% -10,27% -15,76% -
Alpes / Wintrade 1,76% -6,31% -5,38% -0,55% 0,04% -10,02% -19,24% -19,24%

Fonte: Relatórios divulgados pelas corretoras de janeiro a julho de 2013. 

*Dados não divulgados pela corretora. 

Ágora/Bradesco 

José Francisco Cataldo, estrategista da Ágora Corretora, afirma que a principal estratégia da corretora no semestre foi fugir das ações mais expostas e garimpar oportunidades nos papéis menos óbvios. “Nós temos focado na estratégia de garimpar ações com bons fundamentos, fugir de commodities e procurar, dentro de um cenário mais difícil, ações com menor exposição e que tenham características mais defensivas”. 

As ações defensivas geralmente são aquelas de empresas líderes de mercado ou que atuam em segmentos com demanda estável. São companhias que têm baixa necessidade de reinvestimento e que por essas características não sofrem como outras ações mais influenciadas por ambientes de crise.  

Segundo Cotaldo, a ampla cobertura de ações da corretora, que inclui mais de 100 empresas, permitiu o investimento em setores com boas perspectivas e nas empresas que se destacam dentro desses segmentos. “A Top 10 (como é chamada a principal carteira da corretora) teve um nicho de setores que tiveram desempenho destacado, que foram os de farmácia, educação e de serviços financeiros".

Dentro desses setores, algumas das ações que se sobressaíram, segundo o estrategista, foram: Raia Drogasil, BM&FBovespa, Cetip, Cielo e Kroton. Fora dessas áreas de atuação, outra ação que também trouxe bons retornos à carteira foi a BR Properties, empresa de investimentos em imóveis comerciais, como escritórios, armazéns industriais e lojas de varejo.

BI&P Indusval & Partners Corretora

Mitsuko Kaduoka, diretora de análise de investimento da BI&P Indusval & Partners Corretora, que teve o segundo melhor resultado do ranking, ressalta que o ponto alto de sua estratégia no semestre foi fugir dos setores de energia elétrica, construção e varejo.

“Com a publicação da MP 579 (Medida Provisória que prevê a renovação das concessões e a redução de tarifas de energia elétrica), o setor de energia verá resultados mais fracos neste ano. No setor de construção, os lançamentos continuam prejudicados com os altos estoques e agora com o aumento de juros. E no varejo as empresas precisam muito de financiamento, e com os juros mais altos, elas têm a tendência de repassar o aumento do custo ao consumidor, o que afeta suas vendas", afirma Mitsuko. 

Ela ressalta, no entanto, que o Pão de Açúcar é uma exceção dentro do setor de varejo. A ação tem sido sugerida na carteira porque o perfil de cliente da companhia é o consumidor com maior poder aquisitivo, que não se afeta tanto quando há uma elevação dos preços. 

Evitar ações que são abaladas pela alta do dólar, segundo Mitsuko, foi outro fator crucial para o resultado da corretora. “Tentei sugerir empresas que não possuem dívida em dólar, já que no segundo trimestre a variação cambial chegou a 10%. A Petrobras, por exemplo, tem uma dívida de quase 126 bilhões de reais atrelada ao dólar, e a Vale, de 43 bilhões de reais. A Oi e a CSN também são afetadas pelo câmbio", afirma. 

Assim como na carteira da Ágora, as ações defensivas foram os destaques positivos dos portfólios da Indusval. De acordo com a diretora de análise da corretora, os ativos que trouxeram maiores ganhos no primeiro semestre foram: BR Foods, Ambev, M. Dias Branco, Kroton e BB Seguridade. 

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